
Manifestação contra o aumento de atos de antissemitismo em Lille (França), a 27 de junho de 2024. Foto © Audrey Linkenheld
O ministro demissionário do Interior francês, Gérald Darmanin, revelou que os atos antissemitas quase triplicaram desde o início do ano no país, com “887 incidentes” registados só no primeiro trimestre. Em 2023, durante o mesmo período, tinham sido registados 304 incidentes, noticia esta sexta-feira, 9, o La Croix International. Também no Reino Unido foi atingido um número recorde de 1.978 incidentes antissemitas no primeiro semestre do ano.
“O antissemitismo, que sempre existiu, já não está escondido. É um insulto aos mortos, aos feridos, aos humilhados e à nossa História”, afirmou Darmanin durante uma cerimónia de homenagem às vítimas do atentado na rue des Rosiers, no coração do bairro histórico judeu de Paris. O atentado, ocorrido a 9 de agosto de 1982, causou seis mortos e 22 feridos após a explosão de uma granada no restaurante Jo Goldenberg e um tiroteio no bairro. “Ainda não foi feita justiça por este crime desprezível e antissemita”, acrescentou o ministro demissionário, quando apenas um dos quatro suspeitos está nas mãos da justiça francesa.
Reiterando o “apoio inabalável do governo aos judeus de França”, Darmanin referiu que “são as palavras que hoje alimentam o antissemitismo que nos afeta a todos” e “que hoje nos incitam a travar uma batalha cultural”. Perante o aumento do antissemitismo, “como é que os políticos podem considerar que é residual?”, acrescentou o ministro demissionário, numa alusão às observações feitas pelo líder do partido francês LFI, Jean-Luc Mélenchon.
A cerimónia contou com a presença de Doug Emhoff, marido da vice-presidente dos EUA e candidata democrata à presidência, Kamala Harris, que depositou uma das coroas de flores e acendeu uma das seis velas em memória das vítimas.
“Em nome do Presidente Joe Biden e da Vice-Presidente Kamala Harris, os Estados Unidos estão solidários convosco”, afirmou, manifestando o seu “orgulho na (sua) identidade judaica”. “Não podemos ficar calados e não devemos ter medo”, disse Doug Emhoff, sob fortes aplausos. Nesta quinta-feira, 8, Emhoff tinha já anunciado uma doação americana de 2,2 milhões de dólares (cerca de 2 milhões de euros) à UNESCO para combater o antissemitismo.
Na quinta-feira, 8 de agosto, o Reino Unido também registou um número recorde de 1.978 incidentes antissemitas no primeiro semestre do ano, que já tinha atingido um máximo histórico em todo o ano passado. O Community Security Trust (CST), que regista estes incidentes e assegura a segurança das escolas e locais de culto judaicos no Reino Unido, salientou que nunca antes se tinha registado um nível tão elevado nos primeiros seis meses de um ano, conforme noticiou o Jewish News.









