Número de judeus na Europa caiu 60% em 50 anos

| 24 Out 2020

Dois judeus sefarditas lêem a Torá: são cada vez menos a faz-lo, na Europa. Foto © Sagie Maoz/Wikimedia Commons

 

Um novo estudo do Institute for Jewish Policy Research, publicado esta semana, revela que a percentagem de judeus a residir na Europa diminuiu 60% desde 1970. A pesquisa recua até ao final do século XIX, em que 88% da população judaica mundial vivia no continente europeu, e mostra que, neste momento, o número corresponde a apenas 9%: a proporção mais baixa em 1000 anos.

Intitulado “Os judeus na Europa na viragem do Milénio”, o estudo foi realizado por dois reconhecidos demógrafos judeus, o israelita Sergio DellaPergola e o russo Daniel Staetsky, e identificou 1,3 milhões de residentes na Europa continental, Reino Unido, Turquia e Rússia, que se descrevem como judeus. Em 1970, seriam 3,2 milhões.

Tal diminuição, depois da morte de cerca de seis milhões de judeus europeus durante o Holocausto, está ligada, sobretudo, à emigração de mais de 1,5 milhões de pessoas após a queda da Cortina de Ferro, sobretudo para os Estados Unidos da América.

O estudo foca o caso particular da Alemanha, onde a comunidade judaica se encontra em “estado terminal”. Mais de 40% dos 118 mil judeus que ali residem têm idade superior a 65 anos, e as crianças até aos 15 anos correspondem a menos de 10%. Essa realidade, semelhante à de países como a Rússia e a Ucrânia, “prenuncia altas taxas de mortalidade e um inevitável declínio populacional no futuro”, que já não tardará muito a chegar.

“A proporção de judeus residentes na Europa é quase a mesma que era na época do primeiro relatório da população judaica global, conduzido por Benjamin de Tudela, um viajante medieval judeu, em 1170”, indicam os autores do novo estudo, o mais abrangente de sempre alguma vez realizado no continente.

É certo que a evolução demográfica dos judeus na Europa teria sido “totalmente diferente” sem o impacto do Holocausto, afirma DellaPergola, citado pelo jornal Times of Israel. “Mas isso foi há 75 anos, e algumas das tendências que vemos hoje, e que estão a levar ao declínio, têm pouco a ver com o genocídio”, sublinhou. Entre essas tendências, encontram-se a taxa crescente de casamentos mistos e a diminuição da natalidade entre os casais judeus.

A França, onde reside a segunda maior população de judeus provenientes da diáspora (a seguir aos Estados Unidos), é responsável por grande parte do declínio na Europa Ocidental. Existem atualmente 449.000 judeus no país, em comparação com os 530.000 que ali residiam em 1970. De acordo com o relatório, só desde o ano 2000, 51.455 judeus franceses decidiram rumar a Israel, um número muito superior ao registado em qualquer outra nação da Europa Ocidental. A Bélgica, num distante segundo lugar, viu 2.571 judeus seguirem o mesmo caminho.

Na origem do êxodo de judeus franceses está a procura de um melhor nível de vida, mas também o medo do antissemitismo. “A França é hoje um lugar onde um professor de História pode ser decapitado na rua”, recorda DellaPergola, referindo-se ao assassinato do professor Samuel Paty, no passado dia 16, nos arredores de Paris.

Há, no entanto, algumas exceções ao quadro geral de declínio, todas elas em países onde a comunidade judaica ortodoxa tem uma grande expressão. São os casos da Áustria, Bélgica, Reino Unido e Suíça, em que o número de judeus “pode estar a crescer, ou pelo menos, a não diminuir”, de acordo com o relatório, que se baseia em dados dos censos oficiais, números fornecidos por instituições judaicas e ainda uma sondagem realizada pela União Europeia em 2018.

De qualquer forma, estas exceções não deverão reverter a tendência de declínio, defende o estudo. “Apenas em circunstâncias excecionais as tendências demográficas modificam radicalmente o seu curso”, escrevem os autores. Ainda que, reconhecem, tenham ocorrido modificações “mais de uma vez na demografia judaica europeia durante os últimos cem anos”.

 

Papa Francisco no Congo: A ousadia de mostrar ao mundo o que o mundo não quer ver

40ª viagem apostólica

Papa Francisco no Congo: A ousadia de mostrar ao mundo o que o mundo não quer ver novidade

O Papa acaba de embarcar naquela que tem sido descrita como uma das viagens mais ousadas do seu pontificado, mas cujos riscos associados não foram motivo suficiente para que abdicasse de a fazer. Apesar dos problemas de saúde que o obrigaram a adiá-la, Francisco insistiu sempre que queria ir à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul. Mais do que uma viagem, esta é uma missão de paz. E no Congo, em particular, onde os conflitos já custaram a vida de mais de seis milhões de pessoas e cuja região leste tem sido atingida por uma violência sem precedentes, a presença do Papa será determinante para mostrar a toda a comunidade internacional aquilo que ela parece não querer ver.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Normas inconstitucionais

Eutanásia: CEP e Federação Portuguesa pela Vida saúdam decisão do TC novidade

O secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) saudou a decisão do Tribunal Constitucional (TC), que declarou inconstitucionais algumas das normas do decreto sobre a legalização da eutanásia. “A decisão do TC vai ao encontro do posicionamento da CEP, que sempre tem afirmado a inconstitucionalidade de qualquer iniciativa legislativa que ponha em causa a vida, nomeadamente a despenalização da eutanásia e do suicídio assistido”, disse à agência Ecclesia o padre Manuel Barbosa.

Eutanásia: CEP e Federação Portuguesa pela Vida saúdam decisão do TC

Normas inconstitucionais

Eutanásia: CEP e Federação Portuguesa pela Vida saúdam decisão do TC novidade

O secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) saudou a decisão do Tribunal Constitucional (TC), que declarou inconstitucionais algumas das normas do decreto sobre a legalização da eutanásia. “A decisão do TC vai ao encontro do posicionamento da CEP, que sempre tem afirmado a inconstitucionalidade de qualquer iniciativa legislativa que ponha em causa a vida, nomeadamente a despenalização da eutanásia e do suicídio assistido”, disse à agência Ecclesia o padre Manuel Barbosa.

Debate: Deficiência, dignidade e realização humana

Debate: Deficiência, dignidade e realização humana novidade

Quando ambos falamos de realização humana, talvez estejamos a referir-nos a coisas diferentes. Decerto que uma pessoa com deficiência pode ser feliz, se for amada e tiver ao seu alcance um ambiente propício à atribuição de sentido para a sua existência. No entanto, isso não exclui o facto da deficiência ser uma inegável limitação a algumas capacidades que se espera que todos os seres humanos tenham (e aqui não falo de deficiência no sentido da nossa imperfeição geral).

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This