
Os dados são um grito de alerta para que “nem mais uma mulher seja assassinada” e exigem “uma ação urgente” por parte do Estado, defende a UMAR. Foto: Direitos reservados.
Foram 19 as mulheres assassinadas nos primeiros seis meses deste ano, das quais 15 no contexto de relações de intimidade, o que corresponde a mais do dobro das sete mortes que haviam sido registadas durante o mesmo período em 2021. Os dados foram contabilizados pelo Observatório de Mulheres Assassinadas e pela UMAR – União das Mulheres Alternativa e Resposta e divulgados esta quinta-feira, 21.
“É obviamente um aumento que nos preocupa. Nem que tivesse sido apenas mais um caso seria preocupante. Importa dizer que estes são dados preliminares e pode acontecer que no segundo semestre haja menos assassinatos, mas estes já são dados muito preocupantes porque representam mais do dobro dos assassinatos registados em igual período de 2021”, afirmou Cátia Pontedeira, investigadora da UMAR, em declarações à Rádio Renascença.
Para a especialista em criminologia, os dados são um grito de alerta para que “nem mais uma mulher seja assassinada” e exigem “uma ação urgente” por parte do Estado. “É preciso haver um investimento. Não só em termos financeiros, mas também um investimento de tempo, um investimento de recursos, um investimento de prioridades, sobretudo porque sabemos que estas mortes podiam ter sido prevenidas. Temos todas as indicações de que alguns ofensores já tinham feito não só ameaças à vítima como também tinham dito a outras pessoas que iriam fazer mal à vítima”, sublinhou.
Em simultâneo com a divulgação do aumento de casos mortais de violência doméstica, foi lançada a campanha de sensibilização do FEM-UnitED para prevenção do femicídio, um projeto que envolve oito entidades de cinco países (Portugal, Espanha, Alemanha, Chipre e Malta).
O tema da campanha é “O femicídio pode ser prevenido: liga os pontos”. O objetivo é “destacar a importância de identificar, reconhecer, validar e valorizar os diversos sinais de alerta da existência de uma relação abusiva que poderão contribuir para colocar a vítima numa situação de perigo”.









