Número de mulheres em cargos de liderança no Vaticano aumentou 70% com Francisco

| 10 Ago 20

mulheres vaticano francesca di giovanni, Foto Vatican News

A advogada leiga italiana Francesca Di Giovanni foi a escolhida pelo Papa Francisco para o cargo de subsecretária para as Relações com os Estados, na Secretaria de Estado do Vaticano, tornando-se a primeira mulher a desempenhar um cargo de gestão naquele organismo. Foto: Vatican News.

 

A participação feminina na estrutura de decisão do Vaticano cresceu cerca de 70% nos últimos dez anos. O principal responsável é, sem sombra de dúvidas, o Papa Francisco, que desde 2013 tem vindo a nomear cada vez mais mulheres para cargos de relevo em inúmeros organismos da Santa Sé.

De acordo com estatísticas do Vaticano às quais o jornal argentino Télam teve acesso, o número de mulheres em cargos da Cúria Romana passou de 385 (em 2010) para 649, no final de 2019. Quanto ao número total de mulheres a trabalhar no Vaticano, cresceu de 697 para 1.016 no mesmo período, o que corresponde a um aumento de 45%.

Da economia à comunicação, passando pelas relações externas e pela direção de museus, não faltam exemplos de mulheres escolhidas pelo Papa Francisco para lugares-chave na estrutura e hierarquia da Igreja Católica.

É o caso da eslovaca Natasha Govekar, que desde fevereiro de 2016 dirige o departamento teológico-pastoral do Dicastério da Comunicação, ou da brasileira Cristiane Murray, nomeada vicediretora do gabinete de imprensa do Vaticano, em 2019. À frente da edição semanal em espanhol do jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, está também, desde 2015, uma mulher: a argentina Silvina Pérez.

Em 2017, a italiana Barbara Jatta foi designada para outro cargo de relevância: diretora dos Museus Vaticanos. No mesmo ano, Francisco nomeou duas subsecretárias para o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida: Gabriella Gambino e Linda Ghisoni, ambas mães de família, o que consistiu uma novidade para o Vaticano no que diz respeito a tais níveis de responsabilidade.

No ano passado, também o hospital pediátrico do Vaticano, o maior da Europa, passou a ser dirigido por uma mulher: aos comandos do Bambino Gesù ficou a italiana Mariella Enoc.

Na área financeira, o Papa nomeou ainda em 2019 a religiosa italiana Alessandra Smerilli como sua conselheira económica. Já este ano, designou a também a italiana Antonella Sciarrone Alibrandi para o conselho da Autoridade de Informação Financeira e, já na semana passada, nomeou seis mulheres leigas (duas britânicas, duas espanholas e duas alemãs) para o conselho que tem como função supervisionar a gestão económica e vigiar as estruturas e atividades administrativas e financeiras dos dicastérios da Cúria Romana, as instituições relacionadas com a Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano.

Também no início deste ano, a italiana Francesca Di Giovanni, advogada especializada em questões sobre migração, direito humanitário e estatuto das mulheres, foi escolhida pelo Papa Francisco para o cargo de subsecretária para as Relações com os Estados, na Secretaria de Estado do Vaticano. Trata-se da primeira vez que uma mulher desempenha um cargo de gestão naquele organismo, com autoridade real sobre os bispos que trabalham na Secretaria de Estado, bem como sobre os que estão destinados como observadores do Vaticano nos organismos internacionais.

 

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