
Este é o dia em que celebramos o 7MARGENS. Cinco anos completos depois do seu aparecimento público, há razões para estarmos felizes pelo caminho percorrido, só possível porque se criou uma importante comunidade de leitores que são quem dá sentido ao nosso trabalho e a nossa principal fonte de financiamento – confirmada na significativa participação dos encontros que recentemente organizámos e, ainda nos últimos dois meses, pelo sucesso da campanha em que nos propusemos reunir quase 40 mil euros para garantir a subsistência no ano de 2024. Mas também há razões para desejarmos muito mais.
Recordemos algumas etapas desse caminho e também do que ainda vislumbramos ao longe:
1 – Temos procurado cobrir, numa perspetiva universal, o fenómeno espiritual e religioso, muito desvalorizado pelos média generalistas – com as excepções óbvias de acontecimentos incontornáveis, como a extraordinária Jornada Mundial da Juventude que decorreu em Lisboa ou a realidade do combate aos abusos sexuais na Igreja Católica, que teve importantes desenvolvimentos em 2023 (Relatório da Comissão Independente, criação do Grupo Vita…).
2 – O 7MARGENS tem contribuído para a criação de uma opinião pública interessada e interveniente no fenómeno religioso – seja enquanto questão genérica, seja sobre o que se passa no interior das diferentes comunidades ou ainda sobre a relação da fé e da espiritualidade com a sociedade e a cultura. Sabemos que nos falta alargar o leque de colaboradores, sobretudo com mais vozes de mulheres e de jovens e esse é um esforço que vamos continuar a fazer nos próximos tempos.
3 – Temos procurado igualmente dar atenção às minorias religiosas, quase sempre ignoradas pela maioria dos média generalistas. Temos consciência de que, também neste âmbito, queremos fazer mais e melhor, esperando contar igualmente com a iniciativa dessas comunidades.
4 – Continuamos a seguir, na medida das nossas possibilidades, temas como o cuidado da casa comum, da guerra e da paz, da justiça social e da promoção dos direitos humanos. Ao tentarmos trazer a público vozes que nem sempre passam no discurso dominante, tentamos introduzir na praça pública um outro olhar. O que se passa nomeadamente com as questões da guerra e da paz deve fazer com que nos sintamos desafiados a trazer outra lógica de reflexão ao discurso militarista dominante.
5 – O quinto ano de existência do 7MARGENS foi especialmente exigente e, ao mesmo tempo, gratificante: sucessivas notícias nossas foram replicadas não só em Portugal como também em vários media internacionais, o que confirma a seriedade e relevância do nosso trabalho; realizámos dois encontros de leitores em Guimarães e Lisboa (abrindo-nos à crítica e à sugestão de forma rara no panorama mediático); acompanhámos o Sínodo católico em Roma; iniciámos um programa na Antena 1; estivemos envolvidos na realização de uma reportagem televisiva sobre o padre Joaquim Carreira e na coordenação de uma exposição sobre as duas décadas da Lei de Liberdade Religiosa, promovida pela Assembleia da República (patente até 28 de Fevereiro, que é possível visitar com marcação prévia). Além disto, dois jornalistas do 7MARGENS foram comentadores convidados na RTP e na SIC, durante a Jornada Mundial da Juventude, que foi também o pretexto para um programa na RTP 3 e Antena 1, sobre as Grandes Esperanças dos jovens, animado pelo nosso diretor.
A JMJ foi ainda o acontecimento que motivou 288 mil visitas ao site 7MARGENS, naquele que foi, de longe, o mês de maior contacto e leitura deste jornal.
O final do ano trouxe ainda uma boa notícia: depois de nos candidatarmos a um fundo da União Europeia destinado a valorizar noticiosamente zonas desertificadas e desvalorizadas, fomos um dos três média portugueses escolhidos opara financiamento, através do projeto 7MONTES (sobre o qual daremos mais pormenores nos próximos dias, mas no âmbito do qual temos já publicado vários textos).
Também muito em breve teremos algumas novidades e melhorias na apresentação gráfica do 7MARGENS.
Estamos conscientes da fragilidade do 7MARGENS, cujo funcionamento se deve, além do apoio dos leitores, também à colaboração e, em alguns casos, ao trabalho quotidiano voluntário de várias pessoas. Sabemos que nem tudo o que nos propomos fazer tem sido possível atingir. Mas o sexto ano da nossa existência aí está cheio de desafios, além dos que atrás enunciámos: acompanhar o debate prévio e a realização da segunda sessão da XVI Assembleia geral do Sínodo dos Bispos católicos; assinalar os 1700 anos do Concílio de Niceia, um acontecimento fundamental na história do cristianismo e das diversas igrejas cristãs; dar destaque às questões da democracia e a sua relação com as religiões e a fé, tendo em conta os 50 anos do 25 de Abril de 1974, a realização de três eleições em Portugal (e também de escrutínios em mais de 50 países do mundo); continuar atentos às questões da emergência climática, da guerra, da paz e dos direitos humanos, da luta contra a pobreza e a fome e do perdão da dívida dos países pobres pedido pelo Papa Francisco na sua mensagem à COP28.
A par da presença mais frequente da entrevista e da reportagem, bem como da utilização do vídeo e da imagem, temos ainda algumas ideias para intensificar o contacto e a participação dos leitores. Ao mesmo tempo, queremos lançar uma campanha junto de algumas instituições, de modo a garantir um financiamento do 7MARGENS mais robusto e mais prolongado no tempo.
Será, por isso, de novo um ano muito exigente. Desde logo porque há sinais de apreensão no nosso mundo, toldado pelo crescimento dos extremismos, pelas ameaças, pela violência e a guerra – que requer algo que o historiador José Mattoso, que recentemente nos deixou, referia como a necessidade de nos recentrarmos no essencial que é o serviço aos outros.
Depois, em relação a este projeto e aos nossos projetos, há uma ajuda que cada leitor(a) pode dar, com alguma facilidade: sugerir a uma pessoa amiga que se torne subscritor da nossa newsletter diária do 7MARGENS, o que duplicaria em pouco tempo os mais de três mil subscritores atuais. Para que, seis anos depois da sua criação em 2019, este jornal continue a valer a pena.
Votos de bom ano para cada pessoa que nos lê. E não se esqueça de cuidar deste projeto que é frágil, mas que também graças a si tem vindo a crescer.
Equipa editorial do 7MARGENS









