Em paralelo à Conferência da ONU

O arcebispo que tem a água à porta de casa vem falar a Lisboa

| 27 Jun 2022

Os recursos da água e a sua utilização afetam grande parte da população mais vulnerável do mundo. Foto © Ricardo Perna

Os cientistas têm dito que o aumento da temperatura global está a causar “o aumento do nível do mar em toda a região”, com as comunidades locais e indígenas resilientes a lutar, na linha da frente. Foto © Ricardo Perna

 

Um arcebispo, activistas católicos, padres – são pessoas que já “têm a água à porta de casa” e vêm do outro lado do mundo a Lisboa para falar sobre a sua experiência de luta contra as alterações climáticas. Será nesta terça-feira, no Colégio Pedro Arrupe (R. dos Heróis do Mar, no Parque das Nações), na zona em que decorrerá, daqui a um ano, a Jornada Mundial da Juventude, e muito perto do antigo Pavilhão Atlântico, onde decorre a Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos.

A iniciativa, que decorrerá em inglês entre as 18h30 e as 20h30, denomina-se Oceania Talanoa, palavra que remete para um termo local das Ilhas Fidji, que descreve um diálogo participativo. “Através deste processo, iremos escutar histórias e preocupações da biorregião única que é a Oceânia, amplificando as vozes dos mais vulneráveis e partilhando ideais para a acção”, diz uma informação da organização enviada ao 7MARGENS. Haverá tempo para o diálogo entre todos os participantes e a entrada é livre. O encontro será também transmitido em directo no canal Youtube e na página do Facebook do Movimento Laudato Si’.

Pela primeira vez numa iniciativa internacional como esta, grupos católicos da Oceânia participarão como delegação na Conferência que se realiza em Lisboa até à próxima sexta-feira, 1 de Julho (a primeira Conferência dos Oceanos da ONU decorreu em 2017 em Nova Iorque).

Todos os intervenientes da Oceania Talanoa são delegados à Conferência da ONU, explica ao 7MARGENS José Varela, um dos portugueses animador do Movimento Laudato Si’ (MLS). Em articulação com outras organizações de inspiração cristã como a Rede Cuidar da Casa Comum ou A Rocha, os portugueses do MLS (ex-Movimento Católico Global pelo Clima) desejam continuar a trabalhar o tema e perceber “o que se pode fazer” depois. “Muitas vezes, as espiritualidades e a fé estão fora destes diálogos” e esta iniciativa pretende também trazê-las para o centro do debate, diz.

A delegação inclui o arcebispo de Suva (Ilhas Fidji) Peter Chong, actual presidente da Federação das Conferências dos Bispos Católicos da Oceânia; Amy Woolam Echeverria, co-coordenadora do grupo de trabalho de Ecologia da comissão do Vaticano para a covid-19 e directora do departamento de Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Missionários de São Columbano; ou ainda Theresa Ardler, agente de ligação de pesquisa indígena da Universidade Católica Australiana.

“Cuidar do meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas são acções que devem andar juntas. Não podemos simplesmente lutar contra a crise climática enquanto continuamos a prejudicar a nossa casa comum”, diz o arcebispo Chong, citado na página do Movimento Laudato Si’, a propósito da sua vinda a Lisboa.

O Papa Francisco “exorta os líderes políticos e empresariais a parar de pensar em ganhos de curto prazo e trabalhar pelo bem comum”, acrescenta o arcebispo das Fidji. “Além disso, a doutrina social da Igreja diz que os seres humanos e o cuidado da criação de Deus devem estar no centro do desenvolvimento económico” e por isso os participantes católicos da Oceânia procurarão fazer essa “mobilização profética ao longo de toda a Conferência dos Oceanos da ONU”.

 

Amplificar vozes

A presença desta delegação em Lisboa pretende “amplificar as vozes dos mais vulneráveis ​​e defender a criação de Deus a partir da perspectiva de sua fé católica, guiados pela encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Neste caso concreto, está em causa “conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”.

Para o Movimento Laudato Si’ e as restantes organizações que promovem a Oceania Talanoa, os estados insulares do Pacífico “sofrem cada vez mais os impactos ecológicos, sociais e culturais da emergência climática e da crise da biodiversidade”. Os cientistas têm chamado a atenção para o facto de o aumento da temperatura global estar a exacerbar ocorrências climáticas extremas e a causar “o aumento do nível do mar em toda a região”, com as comunidades locais e indígenas resilientes a lutar, na linha da frente, “para se adaptar às diversas crises”.

José Varela, 48 anos, trabalha no sector financeiro e fez o curso de animador do MLS em 2020, através de uma plataforma digital que o Movimento proporciona. São já cerca de oito mil os animadores em todo o mundo, e desta iniciativa em Lisboa ele espera que possam surgir ideias de coisas que se possam fazer e dinamizar em Portugal.

“Aquelas pessoas têm a água à porta de casa, vêm dar o seu testemunho e partilhar as suas dificuldades, mas também a sua resiliência”, afirma. Além dos nomes já citados, a delegação inclui líderes das nações indígenas, jovens e ainda outros responsáveis católicos. São os casos de Pelenatita Kara, do Fórum da Sociedade Civil de Tonga; Theresa Ardler, agente de ligação de pesquisa indígena da Universidade Católica Australiana; Malialosa Tapueluelu, da Cáritas Tonga; ou Tevita Naikasowalu, que coordena o departamento de Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Missionários de São Columbano nas Fidji.

Participarão ainda, como intervenientes na Oceania Talanoa e na Conferência da ONU, o padre jesuíta Pedro Walpole, coordenador global da Ecojesuíta; e Robyn Reynolds, professora na Yarra Theological Union. Outros dois participantes intervêm na Oceania Talanoa mas não na Conferência das Nações Unidas; é o caso de Musamba Mubanga, da Cáritas Internacional, e do também padre jesuíta Prem Xalxo, professor da Universidade Pontifícia Gregoriana.

Além do MLS, estão na organização desta Oceania Talanoa a Federação das Conferências de Bispos Católicos da Oceânia, o Grupo de trabalho de Ecologia da Comissão Covid-19 do Vaticano, a Caritas Internacional, Cáritas Oceânia, Cáritas Portuguesa, Institute of Environmental Science for Social Change, Gweagal Cultural Connections e Universidade Católica da Austrália.

Vários institutos religiosos estão também implicados. É o caso da Sociedade Missionária de São Columbano, Sociedade dos Missionários do Verbo Divino, Congregação das Irmãs de São José da Paz, Congregação das Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração e Conferência Jesuíta do Sul da Ásia.

 

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