O bahá’í Mário Mota Marques homenageado por responsáveis de várias religiões

| 26 Mar 21

Mário Mota Marques

Com uma forte convicção bahá’í, Mota Marques era um homem dedicado ao diálogo inter-religioso e à presença das religiões na televisão (a foto mostra-o num dos programas das confissões religiosas). 

Deixava, atrás de si, a impressão permanente de um homem bom, interessado em construir pontes. Nascido em Lisboa em 1942, Mário Mota Marques, que durante quatro décadas foi membro do órgão dirigente da Comunidade Bahá’í de Portugal (CBP) e que morreu em 2009, será homenageado neste sábado, através de um encontro em plataformas vídeo.

Com uma forte convicção bahá’í, Mota Marques era um homem dedicado ao diálogo inter-religioso, à presença das religiões na televisão e nos espaços públicos e um divulgador da situação dos bahá’ís em países onde sofriam perseguição, como era, e é, o caso do Irão.

O encontro decorre a partir das 17h45 no Zoom (com o código 846 6936 0397 e a senha 2009), sob o tema “No jardim do coração, nada plantes salvo a rosa do amor”. Nele intervêm, entre outros, e além de familiares e amigos pessoais, José Vera Jardim, antigo ministro da Justiça, bem como personalidades de diferentes credos: os padres Peter Stilwell (católico) e Alexandre Bonito (ortodoxo), o muçulmano Mahomed Abed, o evangélico Samuel Pinheiro, o budista Paulo Borges, e a muçulmana Ismaili Faranaz Keshavjee.

Desde cedo, Mota Marques interessou-se pelo estudo das religiões, como recordou a jornalista Margarida Santos Lopes no Público, na altura da sua morte. E isto apesar de ser originário de uma família que não era religiosa. Mas foi pelo hinduísmo que começou: o Bhagavad Gita, escritura sagrada dos hindus, não o satisfez e depois de ter ido a um centro bahá’í com um amigo, quando tinha menos de 20 anos, decidiu aderir àquela confissão religiosa.

Por causa da sua adesão a um grupo religioso minoritário, a PIDE, polícia política do Estado Novo, molestou-o em várias ocasiões. Os agentes confundiam alusões à música de Bach com “bahá’í” e desenhos de crianças com “planos para ataques a quartéis”, contava ele, no mesmo texto.

A antipatia da PIDE tinha começado ainda em Moçambique, para onde Mota Marques foi com os pais, em 1961. Dois anos depois regressou a Portugal, mas voltaria a África entre 1973 e 1975, residindo em Angola. Na década de 1990, assumiu o Gabinete de Assuntos Externos da Comunidade Bahá’í, tendo participado no processo de elaboração da Lei de Liberdade Religiosa.

Apesar dos incómodos a que se vira sujeito durante o Estado Novo, por força da sua adesão aos bahá’ís, e de ter lutado por um estatuto legal para a sua comunidade, Mota Marques foi um dos rostos do diálogo inter-religioso em Portugal.

Durante duas décadas – a última do século XX e a primeira deste século – derrubou barreiras, construiu pontes, encontrou parceiros, fez amizades. Tornou-se um dos principais interlocutores de vários processos: além da nova lei, elaborada num dos governos liderados por António Guterres, a concessão do estatuto legal aos bahá’ís, as aulas de moral e religião bahá’í ou o programa das confissões religiosas na RTP.

Na CBP, Mota Marques foi também um dos principais dirigentes: durante 40 anos foi um dos nove membros da Assembleia Espiritual Nacional, o organismo que, na ausência de clero, gere a vida da comunidade. E teve ainda cargos da comunidade a nível europeu.

mario mota marques memorial cartaz

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Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

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