O bullying através da internet

| 17 Mar 19 | Entre Margens, Últimas

Define-se como ciberbullying uma forma de agressão intencional, repetida e que envolve um desequilíbrio de poder entre vítima e agressor, recorrendo a meios de tecnologia de informação. Tem especificidades que o podem tornar ainda mais lesivo que as formas convencionais de bullying.

É urgente ter dados reaissobre o cyberbullying em Portugal, que estimo ser bem superior ao que tem vindo a ser descrito. Apesar de ser um problema transversal às várias idades, os jovens, pelas suas características, são mais atreitos às consequências nefastas do cyberbullying.Não é raro sermos solicitados a acompanhar jovens que desenvolveram perturbações ansiosas ou depressivas graves neste contexto, que podem mesmo por vezes conduzir ao suicídio.

Há medidas individuais de proteção contra o ciberbullying que devem ser discutidas amplamente com os jovens numa linha de prevenção:

  • Evitar comportamentos de risco, tais como:
    • partilhar dados pessoais (fotos, nome, data de nascimento, morada, escola que frequentam, pormenores da rotina diária, palavras-passe)
    • aceitar “amigos online” que desconhecem na vida real
    • não restringir o acesso às suas informações nas redes sociais
    • pesquisa de sítios de internet não fidedignos ou de conteúdo duvidoso
    • leitura de e-mails de proveniência desconhecida
  • Utilizar as tecnologias de informação de um modo racional
  • Respeitar o próximo, usandode forma adequada alguma informação que possuam sobre terceiros
  • Comunicar qualquer tentativa de abuso a um adulto de referência (pais, professores…)

Mas também há um trabalho importante a desenvolver com os pais para quemantenham um acompanhamento das atividades onlinedos filhos, fomentando a utilização da internet, de preferência em áreas comuns da casa e não no isolamento do quarto, discutindo as descobertas que os filhos fazem por esta via, negociando as restrições de uso.

Há programas de controlo parental disponíveis que poderão ajudar nesta tarefa. Eis alguns exemplos: 

Há ainda disponíveis programas de prevenção e boas práticas do uso da internet providenciados pelos próprios servidores, como a Microsoft Portugal, o Sapo ou http://www.google.pt/goodtoknow/familysafety/.

Podemos reparar na descrição de uma conversa de mãe para filha numa esplanada, à hora de almoço:“Vim almoçar contigo para conversarmos e afinal estás agarrada ao telemóvel, para isso tínhamos ficado em casa…” A jovem levantou os olhos por breves instantes: “deixa-me só acabar isto …”. A mãe consulta o menu com ar aborrecido. De repente, o telemóvel toca. “Oh Joana, ao tempo que não te ouvia!” E assim a mãe iniciou uma conversa interminável enquanto ia almoçando. “Mãe, ouve, o que queres de sobremesa? O empregado já por aqui passou duas vezes”. “Oh filha, não interrompas, só vou querer um café”.

Que legitimidade terá esta mãe para exercer qualquer tipo de controlo parental nesta matéria?

Não nos podemos esquecer que a internet, em geral, vai ao encontro das características da adolescência. A informação à distância de um cliquedisponível quando, como e onde o jovem deseja, permitindo comunicar sem ter que se dar a cara, dando a sensação de que se tem muitos amigos, o que numa fase de insegurança e de identidade ainda não construída pode ser ilusoriamente confortável.

Temos, no entanto, de considerar a outra face da moeda e as inúmeras vantagens dos meios eletrónicos, promotores da aquisição de conhecimento e de um desenvolvimento positivo, nomeadamente permitindo diminuir as distâncias geográficas, favorecendo uma sociedade global.

A utilização torna-se preocupante quando o jovem começa a não ser capaz de controlar a frequência, a intensidade, a duração e o contexto dessa utilização, prejudicando os vários contextos da sua vida: o sono, a alimentação, a interação familiar e com o grupo de pares e o rendimento escolar. Se tem um filho com este tipo de problemática, não deixe arrastar demasiado, procure ajuda.

Três medidas que me parecem importantes e em que os pais poderão investir:

– Conseguir instituir regras e limites claros relativamente à utilização da internet

– Exercer uma monitorização ativa

– Manterem-se atualizados nesta matéria.

 

Helena Fonseca é médica pediatra especializada em Medicina do Adolescente

helenaregalofonseca@gmail.com

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