Precisamos de nos ouvir (14) – Vítor Rafael: O coração amoroso de Deus

| 24 Fev 21

comida, alimento, Jesus, ir. Eric, Taizé

“Recuperar a fé que centra o seu sentido no meu próximo, nas suas necessidades.” Ilustração: Ir. Eric de Taizé, Jesus alimenta a multidão (detalhe). Foto © Maria do Carmo Marques Lito.

 

Falar acerca do que temos aprendido ao longo desta pandemia fez-me pensar essencialmente naquilo que muitas vezes não consegui aprender noutras circunstâncias diferentes da atual crise que estamos a atravessar. Jamais experienciei situações que obrigassem a mudanças drásticas e dramáticas no nosso estilo de vida, nos relacionamentos de uns com os outros e até na maneira como nos vemos a nós próprios.

Grandes crises potenciam obviamente grandes oportunidades de mudança. Se até então, mergulhados nesta sociedade hedonista, consumista e individualista, muito da nossa vida tem sido muitas vezes focada no atingir determinadas metas padronizadas de bem-estar – tal como nos é propagado e ensinado pela vigente doutrina económica neoliberal – a atual crise pandémica expôs a nu muitas das fragilidades da nossa sociedade, inclusive a da nossa existência humana.

Como cristão, este tempo tem sido propício a grandes reflexões e até a mudança de pensamento. De uma fé tantas vezes individualista, tenho procurado recuperar aquela que centra o seu sentido na vida do meu próximo, nas suas necessidades e fragilidades.

Extrapolando até o uso restrito da palavra liturgia, que remete muitas vezes para o serviço público do culto dentro de um espaço delimitado, relembro agora muitas vezes que, no entender do apóstolo Tiago, a verdadeira religião é, antes de mais, atender às necessidades do meu próximo (Tiago 1:27). Não terá sido sempre esse o pulsar e o sentir do coração amoroso de Deus? Não foi essa a ética que Jesus nos deixou e que constitui uma das grandes marcas do Seu discipulado?

Relembro as palavras do Papa Francisco em discurso proferido no início deste mesmo ano, de que a atual pandemia mostrou ao mundo a necessidade de nos interessarmos pelos problemas dos outros, compartilharmos as suas preocupações, de cuidarmos uns dos outros. A fé da Igreja só faz sentido se vivida numa ótica comunitária, na qual todos os seus membros, além de estarem ao serviço uns dos outros, têm também como vocação servir em amor todos quantos nos rodeiam.

Porto, Racismo, Manifestação

“A pandemia mostrou a necessidade de cuidarmos uns dos outros.” Foto: Protesto contra o racismo na Avenida dos Aliados, Porto, em Junho de 2020. © Catarina Soares Barbosa.

 

Vítor Rafael é investigador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo, da Universidade Lusófona.

 

Escutar todos, com horizontes para lá das “fronteiras” da Igreja

Inquérito sobre o Sínodo

Escutar todos, com horizontes para lá das “fronteiras” da Igreja novidade

O Papa observava, no encontro sinodal com a sua diocese de Roma, no último sábado, 18, que escutar não é inquirir nem recolher opiniões. Mas nada impede que se consultem os cristãos sobre as “caraterísticas e âmbito” que “entendem dever ter a escuta que as igrejas diocesanas são chamadas a realizar, desde 17 de outubro próximo até ao fim de março-abril de 2022. Era esse o terceiro ponto da consulta feita pelo 7Margens, cujas respostas damos hoje a conhecer.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Nova estratégia de combate ao antissemitismo será apresentada em outubro

União Europeia

Nova estratégia de combate ao antissemitismo será apresentada em outubro novidade

A União Europeia (UE) deverá divulgar, no próximo mês de outubro, uma “nova estratégia de combate ao antissemitismo e promoção da vida judaica”. A iniciativa surge na sequência da disseminação do racismo antissemita em inúmeros países da Europa, associada a teorias da conspiração que culpabilizam os judeus pela propagação da covid-19, avançou esta quarta-feira, 22, o Jewish News.

Livrai-nos do Astérix, Senhor!

Livrai-nos do Astérix, Senhor! novidade

A malfadada filosofia do politicamente correcto já vai no ponto de apedrejar a cultura e diabolizar a memória. A liberdade do saber e do saber com prazer está cada vez mais ameaçada. Algumas escolas católicas do Canadá retiraram cerca de cinco mil títulos do seu acervo por considerarem que continham matéria ofensiva para com os povos indígenas.

A dança dos bispos continua em Leiria e Braga

João Lavrador deixa Açores para Viana

A dança dos bispos continua em Leiria e Braga novidade

Com a escolha de João Lavrador para a sede vacante de Viana fica agora Angra sem bispo. Mas Braga já está à espera de sucessor há dois anos, enquanto em Leiria se perspectiva a sucessão talvez até final do ano. Há bispos que querem sair de onde estão, outros não querem alguns para determinados sítios. “Com todas estas movimentações, é difícil acreditar que a nomeação de um bispo seja obra do Espírito Santo”, diz um padre.

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This