Exclusivo 7M: um ensaio de Tomáš Halík

O Cristianismo na guerra de armas e de ideias

| 18 Mai 2022

Tomáš Halík.

Tomáš Halík: “Começa um novo capítulo da História.” Foto © Maria Wilton/Arquivo 7MARGENS.

 

Este ano, as palavras proféticas do Papa Francisco tornaram-se realidade: “Vivemos não uma época de mudanças, mas uma mudança de época.” Há muito que o Papa Francisco fala do nosso tempo como sendo uma “Terceira Guerra Mundial fragmentada”. Neste momento, até o porta-voz de Putin diz que a III Guerra Mundial começou, e talvez seja a sua única afirmação verdadeira.

Ganha forma um novo mapa geopolítico do mundo, uma nova ordem mundial, surge um novo clima moral nas relações internacionais, políticas, económicas e culturais. Deparamos com a necessidade de adotar um novo e mais simples estilo de vida. Começa um novo capítulo da História.

Desde o início deste milénio, a ordem democrática ocidental tem sido submetida a uma série de testes, cada vez mais difíceis, de resiliência, durabilidade e credibilidade: o ataque terrorista em Manhattan, a crise financeira, o Brexit, a administração populista de Donald Trump, a pandemia global do coronavírus, agora a agressão russa, a destruição cínica do sistema de direito internacional construído após a Segunda Guerra Mundial.

A cegueira e a ingenuidade dos políticos europeus, guiados apenas por interesses económicos, contribuíram para que a Rússia se tornasse um Estado terrorista que se excluiu do mundo civilizado com a ocupação da Crimeia e o atual genocídio na Ucrânia, e que agora chantageia e ameaça esta última. Ainda não sabemos como o isolamento internacional, a pobreza e a humilhação vão afetar a sociedade russa, privada de liberdade de informação, tendo sofrido uma lavagem ao cérebro através da propaganda e sendo alimentada pela nostalgia do império soviético. Não sabemos se esta situação vai levar a uma fraca oposição democrática ou se, pelo contrário, vai despertar um fanático movimento nacionalista-fascista, como aconteceu na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. A única coisa certa é que, mesmo depois do fim da guerra na Ucrânia, o mundo não voltará à forma que tinha no início deste ano.

A frente decisiva nesta guerra é a opinião pública na Rússia, que tem sido privada de liberdade de informação e sujeita a uma intensa lavagem cerebral pela propaganda de mentiras.  O aliado mais importante do regime de Putin e da sua ideologia imperialista-nacionalista é o analfabetismo político de grande parte da população russa, a falta de uma experiência positiva democrática e, acima de tudo, a ausência de uma sociedade civil.

Em muitos países pós-comunistas, foram alguns membros das elites dos regimes comunistas politicamente derrotados – especialmente a sua componente mais capaz, a polícia política –, os mais rápidos a embarcar no elevador da globalização e a chegar ao topo do poder e da riqueza; eram praticamente os únicos que estavam preparados para as mudanças político-económicas tendo capital de dinheiro, de contactos e de informação. Vladimir Putin é um excelente exemplo destas elites.

O primeiro sinal do despertar da sociedade civil na Europa oriental foram as “revoluções coloridas”; a principal razão de Putin levar a cabo a sua agressão foi o medo de que a faísca do renascimento da sociedade civil se estendesse à Rússia. O fim da era Putin na Rússia não será um eventual golpe palaciano por parte de oligarcas ou generais, mas sim o despertar da sociedade civil, como aconteceu agora na Ucrânia.

Se o Ocidente não está disposto ou é incapaz de ajudar a Ucrânia de modo a travar a agressão russa e a defender a sua independência, se o Ocidente sacrificar a Ucrânia com base na falsa ilusão de que isso salvará a paz mundial – como aconteceu no caso da Checoslováquia no limiar da Segunda Guerra Mundial –, isso será um incentivo não só para uma maior expansão da Russia, mas para todos os ditadores e agressores em todo o mundo.

Putin está interessado na rendição da Ucrânia porque sabe que isso mostraria ao mundo a fraqueza do Ocidente e seria a rendição de todo o sistema de democracia liberal. Este sistema mantém-se e sustenta-se no capital de confiança que as pessoas têm na eficácia das instituições democráticas; uma nova violação desta confiança, já abalada, pode ter consequências fatais.

Vladimir Putin conseguiu – contra a sua vontade – criar na Ucrânia uma nação política, determinada e unida, para a qual pertencer à Europa não é apenas uma frase retórica, mas um valor pelo qual milhares de pessoas dão as suas vidas. A Ucrânia está a assinar com o seu sangue o pedido de adesão à União Europeia. A Ucrânia é hoje mais “europeia” do que muitos países do coração da Europa.

 

Mobilizar forças morais e espirituais
Teilhard de Chardin

Theilhard de Chardin: “Será que desta guerra veremos novas visões inspiradoras para o futuro?” Foto: Direitos reservados.

 

A Ucrânia dá hoje ao mundo uma lição valiosa: os planos de uma superpotência nuclear podem falhar se forem contrariados pela coragem e pela força moral, mobilizadas pelos seus líderes. Os planos de uma superpotência nuclear podem falhar se tiverem a oposição da coragem e da força moral, mobilizadas por líderes com credibilidade pessoal, vontade de fazer um autossacrifício extremo e possuindo a arte de uma comunicação persuasiva.

Haverá hoje no Ocidente algum líder político que mobilize forças morais como Zelensky?

Putin conseguiu, em certa medida, unir o Ocidente contra si. No entanto, subsiste uma tarefa difícil para o Ocidente: transformar a unidade contra um inimigo comum numa unidade positiva mais profunda. Continuar em espírito democrático no processo de integração europeia não só é desejável como necessário e significa formar uma demos europeia, uma comunidade de valores para a qual estamos dispostos a sacrificar muito – e é sobretudo uma tarefa cultural, moral, espiritual.

Após o ataque a Manhattan, a falecida Madelaine Albright sublinhou que a “guerra ao terror” não pode ser apenas uma guerra de armas, mas deve ser também uma batalha de ideias.

A linguagem secular tem-se mostrado incapaz de dar voz às emoções fortes quando estas saem a céu aberto como acontece em situações de crise. Vemos na linguagem dos políticos – mesmo daqueles que estão muito distantes da fé pessoal e da ética religiosa – aparecerem espontaneamente termos religiosos, evocando imagens sugestivas do “inconsciente coletivo”. A sociedade secular tem subestimado a força da linguagem religiosa, dos símbolos e dos rituais. Estas forças podem ser usadas de forma construtiva ou destrutiva. Os extremistas islâmicos conseguiram aproveitar o potencial da energia religiosa para os seus próprios propósitos. Que potencial espiritual tem a sociedade ocidental secular? Que papel pode desempenhar o cristianismo no Ocidente?

As igrejas cristãs ainda não recuperaram suficientemente das revelações dos abusos sexuais, da onda de secularização (ou mais precisamente dos sem-igreja) das sociedades ocidentais.

Na linha da frente da Grande Guerra 1914-1918, a experiência de teólogos como Teilhard de Chardin e Paul Tillich fez surgir uma nova teologia, uma nova conceção de Deus e da relação entre Deus e o mundo.

Será que desta guerra veremos emergir uma nova energia espiritual e novas visões inspiradoras para o futuro que marcarão o nosso mundo com as suas consequências?

 

A relação entre religião e política está a mudar
Putin e o patriarca Cirilo, no Kremlin, em novembro de 2021. Kremlin.ru, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons.

Putin e o patriarca Cirilo: O Presidente russo “tenta instrumentalizar a Igreja Ortodoxa Russa”. Foto © Kremlin.ru, via Wikimedia Commons.

 

Precisamos de voltar a fazer a pergunta sobre qual a relação entre política e religião.

Alguns ditadores e líderes de regimes autoritários instrumentalizam a religião, de forma deliberada. Quando Estaline percebeu que os povos do Império Soviético (especialmente a Ucrânia) não estavam dispostos a lutar pelo comunismo, quando da invasão das tropas de Hitler, redefiniu o conflito como sendo a “Grande Guerra Patriótica”, e vimos os padres ortodoxos, com ícones nas mãos, marchar à frente das tropas do Exército Vermelho. Putin, grande admirador de Estaline, também reconheceu que a “Grande Rússia” que procura precisa de um impulso espiritual e tenta instrumentalizar a Igreja Ortodoxa Russa. Sabemos que muitos dos seus líderes são seus ex-colegas do KGB.

A indústria da propaganda russa visa especificamente os cristãos conservadores e procura retratar Putin como um novo imperador Constantino que salvará o cristianismo da influência corrosiva do “protestantismo e do liberalismo ocidentais”.

Viktor Orbán e alguns líderes da atual Polónia também se vêem como “salvadores da cultura cristã” nas críticas que fazem à União Europeia.  O primeiro-ministro húngaro proclama (e pratica) um modelo de “democracia iliberal” próximo da “democracia gerida” de Putin; na realidade, é uma forma dissimulada de dizer um Estado autoritário. Na Polónia, a aliança dos políticos populistas-nacionalistas com certos círculos de liderança da Igreja, juntamente com a revelação de um nível chocante de abuso sexual, psicológico e espiritual por parte do clero, levou a uma perda dramática de confiança na Igreja, especialmente entre as gerações mais novas. Esta aliança entre o cristianismo conservador e o nacionalismo desacredita o cristianismo e prejudica mais a Igreja do que meio século de perseguição comunista; a Polónia está a atravessar o processo mais rápido de secularização da Europa.

Existe alguma forma de cristianismo no mundo de hoje que possa ser fonte de inspiração moral para uma cultura de liberdade e democracia? Há muitos anos que me faço esta pergunta. Temos de procurar uma forma que não seja uma imitação nostálgica do passado e que respeite o facto de o nosso mundo já não ser religioso e culturalmente monocromático mas radicalmente pluralista.

O conceito de religião (religio) tem sido visto tradicionalmente como derivando do verbo latino religare (reunir). A religião foi entendida como uma força integradora na sociedade. Este papel foi largamente cumprido pelo cristianismo pré-moderno dentro das Christianitas medievais. Mas esse capítulo da história do Cristianismo acabou. Seguiu-se a época da modernidade que levou o cristianismo a ser uma de muitas “visões do mundo”. Era uma religião dividida em diferentes denominações representadas por diferentes igrejas. Hoje, esta forma de cristianismo atravessa uma grave crise.

Até agora, a relação entre religião e política tem sido vista principalmente como sendo entre Igreja e o Estado. No entanto, no decurso da globalização, as igrejas perderam o monopólio da religião e a nação afirma o seu monopólio na política. O principal concorrente da religião, na Igreja de hoje, não é o ateísmo ou o humanismo secular mas a espiritualidade sem-igreja, por um lado, e a religião como ideologia política, por outro. No decorrer da secularização, a religião não desapareceu, mas sofreu uma profunda transformação. O seu papel na sociedade e na vida das pessoas está a mudar.

O papel da “religio” como força integradora da sociedade tem sido assumido por outros fenómenos sociais no processo de globalização, especialmente pelo mercado global de bens e de informação (incluindo os meios de comunicação de massa). Hoje, o processo de globalização e a ordem política e económica sofrem profundas convulsões e mudanças. Não há uma força unificadora global. Se a atual unidade do Ocidente se baseasse apenas na defesa contra a Rússia, não duraria.

Após a queda do comunismo e do mundo bipolar, Francis Fukuyama expressou a esperança de que o “fim da história” viesse sob a forma de uma vitória global da democracia e do capitalismo de estilo ocidental. O radicalismo islâmico e, agora, a Rússia de Putin, responderam a esta visão com pânico, ódio e violência.

Para que o processo de unificação mundial continue, não podemos confiar apenas no lado económico da globalização. A cura do mundo pressupõe uma força espiritual inspiradora.

 

Para curar as feridas do mundo
Reunião do Conselho de Segurança, em 5 de abril de 2022, dedicada à guerra da Ucrânia, com a participação do secretário-geral da ONU, António Guterres. Este órgão é atualmente presidido pelo Reino Unido. Foto © UN Photo.

Reunião do Conselho de Segurança, em 5 de abril de 2022. “Um tempo de crise é também um momento de novos desafios e oportunidades.” Foto © UN Photo.

 

O Papa Francisco apresenta uma visão da Igreja como sendo um “hospital de campanha”; uma Igreja que não se encontra num “esplêndido isolamento” do mundo contemporâneo, nem trava “guerras culturais” no seu seio. Se a Igreja quer ser um “hospital de campanha”, então o seu ministério terapêutico pressupõe a capacidade de diagnosticar, com competência, o estado do mundo.

Suspeito que a religião do futuro estará mais de acordo com o significado do verbo re-legere, ler de novo. Oferecerá uma “re-leitura”, uma nova hermenêutica, uma capacidade de “leitura espiritual” e uma interpretação mais profunda das suas próprias fontes (Bíblia e tradição no caso do cristianismo) e dos “sinais dos tempos”: acontecimentos na sociedade e na cultura. A visão dos meios de comunicação social, dos políticos e dos economistas tem de ser complementada por uma abordagem contemplativa do nosso mundo. Encontro uma inspiração valiosa para o dia de hoje, e para o de amanhã, nos ensinamentos sociais do Papa Francisco. Estou convencido de que a encíclica Fratelli tutti (incluindo os capítulos sobre a nova cultura política) pode ter, para o século XXI, uma relevância semelhante à que teve a Declaração Universal dos Direitos Humanos para o século XX.

O teólogo protestante checo Jan Amos Komenský escreveu a Consultatio Catholica De Rerum Humanarum Emendatione (Consulta Católica sobre Reparação dos Assuntos Humanos) como preparação para o Concílio Ecuménico durante as guerras religiosas do século XVII. Hoje, vejo de forma semelhante o apelo do Papa Francisco a transformar a Igreja de uma instituição clerical rígida numa dinâmica viagem comunitária. Tal como a democratização da Igreja durante a Reforma contribuiu para a democratização da sociedade, assim o princípio da sinodalidade (syn-hodos, caminho comum) pode ser uma inspiração, não só para a Igreja Católica e para a sua abertura à cooperação ecuménica, inter-religiosa e intercultural, mas também para uma cultura política de convivência num mundo pluralista.  Neste momento, o mundo está em guerra, mas temos de pensar no mundo do pós-guerra. Não devemos repetir velhos erros e subestimar a energia espiritual das religiões mundiais.

Ao longo da história, a Europa tem sido a mãe de revoluções e reformas, o foco de guerras mundiais e do processo de globalização, tendo enviado impulsos de desenvolvimento cultural, científico, económico e tecnológico para todo o mundo, e deixado traços significativos de luz e escuridão na história mundial. Hoje, o sonho de uma Europa unida a “respirar com ambos os pulmões” está ameaçado pelos tumores perigosos do nacionalismo, do populismo e do fundamentalismo que existem em ambos os pulmões. O potencial terapêutico, não destrutivo, da religião, deve ser desenvolvido. Um tempo de crise é também, sempre, um momento de novos desafios e oportunidades.

 

Tomáš Halík é teólogo e foi ordenado padre na clandestinidade no tempo da Checoslováquia; é autor de vários livros, incluindo O Meu Deus é um Deus Ferido e O Tempo das Igrejas Vazias (ambos na Paulinas Editora). Tradução de Lucy Wainewright.

 

Felizes os meninos de mais de 100 países – incluindo Portugal – que participam na Jornada Mundial das Crianças

Este fim de semana, em Roma

Felizes os meninos de mais de 100 países – incluindo Portugal – que participam na Jornada Mundial das Crianças novidade

Foi há pouco mais de cinco meses que, para surpresa de todos, o Papa anunciou a realização da I Jornada Mundial das Crianças. E talvez nem ele imaginasse que, neste curto espaço de tempo, tantos grupos e famílias conseguissem mobilizar-se para participar na iniciativa, que decorre já este fim de semana de 25 e 26 de maio, em Roma. Entre eles, estão alguns portugueses.

Cada diocese em Portugal deveria ter “uma pessoa responsável pela ecologia integral”

Susana Réfega, do Movimento Laudato Si'

Cada diocese em Portugal deveria ter “uma pessoa responsável pela ecologia integral” novidade

A encíclica Laudato Si’ foi “determinante para o compromisso e envolvimento de muitas organizações”, católicas e não só, no cuidado da Casa Comum. Quem o garante é Susana Réfega, portuguesa que desde janeiro deste ano assumiu o cargo de diretora-executiva do Movimento Laudato Si’ a nível internacional. Mas, apesar de esta encíclica ter sido publicada pelo Papa Francisco há precisamente nove anos (a 24 de maio de 2015), “continua a haver muito trabalho por fazer” e até “algumas resistências à sua mensagem”, mesmo dentro da Igreja, alerta a responsável.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Bispo José Ornelas: “Estamos a mudar o paradigma da Igreja”

Terminou a visita “ad limina” dos bispos portugueses

Bispo José Ornelas: “Estamos a mudar o paradigma da Igreja” novidade

“Penso que estamos a mudar o paradigma da Igreja”, disse esta sexta-feira, 24 de maio, o bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), numa conversa com alguns jornalistas, em plena Praça de S. Pedro, no Vaticano, em comentário ao que tinha acabado de se passar no encontro com o Papa Francisco e às visitas que os bispos lusos fizeram a vários dicastérios da Cúria Romana, no final de uma semana de visita ad limina.

O mundo precisa

O mundo precisa novidade

O mundo precisa, digo eu, de pessoas felizes para que possam dar o melhor de si mesmas aos outros. O mundo precisa de gente grande que não se empoleira em deslumbrados holofotes, mas constrói o próprio mérito na forma como, concretamente, dá e se dá. O mundo precisa de humanos que queiram, com lealdade e algum altruísmo, o bem de cada outro. – A reflexão da psicóloga Margarida Cordo, para ler no 7MARGENS.

“Política americana sobre Gaza está a tornar Israel mais inseguro”

Testemunho de uma judia-americana que abandonou Biden

“Política americana sobre Gaza está a tornar Israel mais inseguro”

Esta é a história-testemunho da jovem Lily Greenberg Call, uma judia americana que exercia funções na Administração Biden que se tornou há escassos dias a primeira figura de nomeação política a demitir-se de funções, em aberta discordância com a política do governo norte-americano relativamente a Gaza. Em declarações à comunicação social, conta como foi o seu processo interior e sublinha como os valores do judaísmo, em que cresceu, foram vitais para a decisão que tomou.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This