Ah, essa palavrinha “mágica” que por ser poderosa consegue transformar uma simples conversa numa verdadeira batalha entre egos. Vivemos na era da opinião, em que cada um tem a sua e acha que é a única com importância. Então, e não ter opinião para dar? Não ter sequer uma opiniãozinha sobre o que se passa no mundo, na política, na moda ou sobre a última série que estreou na Netflix? Ui… gravíssimo! És alguém sem voz, um ser inferior, quiçá, pessoa incapaz intelectualmente.
Mas será que é preciso opinar sobre tudo ou será que esta necessidade de dar opinião se transformou numa espécie de doença social?
Dar opinião é importante, sim. Ela é uma espécie de tempero que dá sabor às conversas, é aquele “toque” pessoal que faz a diferença quando, por exemplo, escolhemos o filme que queremos ver, falamos do ator de que mais gostamos ou do restaurante onde vamos almoçar. Mas, tal como na culinária, e na vida, o exagero faz mal! E, neste caso, o exagero em querer opinar sobre tudo e mais alguma coisa tem vindo a transformar as redes sociais em verdadeiros campos de batalha, onde cada comentário é uma flecha e cada “gosto” uma medalha de honra.
Toda a gente pode, e deve, dar a sua opinião, mas com a consciência de que poderá não ter razão, o que nem sempre acontece. Muitas vezes tentamos convencer os outros de que a nossa opinião é a única que é válida, como se fosse uma verdade absoluta, só que não é! E aqui, amigos, talvez possa dar um exemplo com algum humor: suponhamos que sempre que fossemos escolher o que queremos jantar tivéssemos de fazer uma votação popular?
– Caros concidadãos, pizza ou salada?
Muito provavelmente a salada iria ganhar porque todos sonhamos com um mundo cheio de pessoas saudáveis, mas quem é que resiste a uma boa fatia de pizza?
A verdade é que as opiniões são, apenas, opiniões: subjetivas, pessoais e, tantas vezes, baseadas em informações pouco fiáveis, mas isso não é um problema, desde que saibamos respeitar o espaço do outro. Infelizmente, a cultura do “eu tenho que opinar sobre tudo” faz com que possamos perder a noção do limite, tal como aquele amigo que, sempre que chega às festas opina sobre a escolha da música que o DJ está a passar, no entanto não percebe de música eletrónica, nem tão pouco a aprecia.
De onde virá esta necessidade de opinar sobre tudo? Será que estamos a tentar preencher um vazio existencial? Ou será que, no fundo, só queremos ser ouvidos, mesmo que as nossas opiniões sejam tão relevantes quanto a previsão do tempo para Marte? Acho que pode ser uma mistura de tudo isto, acrescentando um tempero algo intenso: a vaidade! Aquela pitada a mais que é o querer mostrar aos outros que se é alguém muito informado, que se sabe de tudo e sobre tudo.

“De onde virá esta necessidade de opinar sobre tudo? Será que estamos a tentar preencher um vazio existencial?” Foto © Josh Withers | Unsplash
Evitemos o “opinismo crónico”, essa maldita condição que faz com que toda a criatura se sinta um especialista em tudo, mesmo sem ter a mais pálida ideia daquilo de que está a falar. Acabemos com os diplomas invisíveis de “Especialista em Tudo” que dá uma espécie de legitimidade para opinar sobre qualquer assunto, a qualquer momento, independentemente do conhecimento real. É preciso por um fim à celebração da ignorância!
Há acontecimentos e assuntos em que é sensato ficar pelo silêncio e ouvir. Aprender a ouvir é uma arte. Ou então, se já não der para aguentar tanta “opinação”, aproveitar para fazer humor: “Se eu fosse opinar sobre esse assunto, diria que a vida é como um gelado: o melhor é comer antes que derreta!”
Na minha opinião (vá, soltem lá uma bela gargalhada), o equilíbrio é o segredo, aliás, o lema até pode ser: “Para que não fique salgada a refeição, opina com moderação”. Usemos a opinião como tempero e não como o ingrediente principal. Respeitemos o espaço do outro, rindo e fazendo algum humor com as diferenças, e, importante, lembremos que nem tudo precisa de uma resposta definitiva. A beleza da vida e a sua grande riqueza está, precisamente, na diversidade.
Júlia Costa é cristã na essência, católica por tradição. Ligada à paróquia da Amadora, na Pastoral Juvenil e na Promoção da Comunidade. Mãe de uma filha, avó de três netos. Profissionalmente na área da contabilidade, embrenhada em números, mas desde sempre fascinada pela palavra.










