Uma biografia

“O Dever de Deslumbrar”: nos cem anos de Natália Correia

| 5 Out 2023

 

Era um ser tocado pelo sagrado,
um desses seres que não cabem
no espaço que lhes foi destinado,
nem no corpo nem nas normas.

(Fernando Dacosta)

 

Natália Correia. Imagem: Direitos reservados.

Natália Correia, Autorretrato. Imagem: Direitos reservados.

 

Mais uma vez, uma longa leitura de férias. Fiz-me acompanhar pela biografia de Natália Correia (NC), O Dever de Deslumbrar, escrita por Filipa Martins (Contraponto, Março 2023). Na contracapa da biografia de mais de 600 páginas, repetindo as palavras de Natália, lemos: “por vezes fêmea, por vezes monja”. Filipa Martins descreve “uma mulher de carisma paralisante.” Esta interessante biografia está simultaneamente inscrita no que foi o século XX em Portugal e vem à estampa meses antes da celebração dos 100 anos do nascimento de Natália Correia. 

Generosa, exuberante, frequentemente cáustica, “Natália tinha a necessidade de se fazer amar, sem saber bem fazer isso. Era tão narcisista como amiga do seu amigo” (p. 628). Filipa Martins (FM) conclui o seu livro assegurando que Natália foi “a pensadora que melhor encarnou o arquétipo do poeta profeta” (p. 630).

Natália Correia foi a autora portuguesa mais censurada pela ditadura. Ao celebrar este ano o seu centenário muitas iniciativas estão a acontecer: concertos, peças de teatro, leitura de poemas, séries biográfico-críticas, exposições. A variedade de iniciativas não é senão espelho da personalidade multifacetada de Natália. Escreveu géneros literários tão variados como poesia, teatro, romance, crónicas, ensaios e jornalismo, tendo sido tradutora de obras relevantes, sobretudo dos clássicos. 

 

Uma Mulher-Cultura

Ó subalimentados do sonho!
A poesia é para comer!
(NC)

Mulher-Cultura gosto de a adjetivar assim mesmo: Mulher-Cultura. Em Natália estas duas dimensões parecem-me inseparáveis.

Bottelho, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons

Natália Correia por Bottelho. Imagem © Bottelho, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

 

Segundo Natália “a poesia liberta a linguagem escondida no silêncio” [1]. Sendo eu própria uma sôfrega leitora de poesia só muito tarde descobri a poesia de Natália quando alguém me presenteou com a sua Poesia Completa. Foi uma “revelação”: poesia a tocar as raias do barroco, imagética poderosa, quase clássica. Ainda hoje afirmo que, depois de Camões, Natália é, na poesia portuguesa, a maior artífice da escrita de sonetos. No Prefácio de Poesia Completa Natália fala exatamente e de uma forma original de “uma conexão cósmica da poesia com uma linguagem englobante da música e das matemáticas em que está estruturado o Universo”: “nas matemáticas, o número de sílabas e de acentos regulados nas formas métricas; na música, não só a simples melodia produzida por esse arranjo métrico mas a que na lógica encantatória da linguagem poética é essencial ao poema” (p. 30).  “É esta cosmicidade do idioma poético que nos convida a revisitar velhos tratados espirituais em que cada letra do alfabeto corresponde a um número numa relação significativa de um constituinte do Universo” (ibid.). Natália fala na “grande harmonia que habita o soneto num mundo caótico ” (p.603). Visionária, atual nos tempos de hoje.

Dotada de uma cultura enciclopédica, Natália teve na sua mãe, professora, uma ampla iniciação cultural sobretudo dos clássicos. Adversa aos bancos formatados da escola tradicional, Natália recebeu da mãe essa sede voraz de leitura e de escrita, bem como uma notável capacidade expressiva.

O salão da casa onde vivia tornou-se uma espécie de salão literário ao jeito de Mme de Sévigné ou Mme Récamier, Emilia Pardo Bazán [2] ou, mais recentemente, de Gertrud Stein ou Maria Amália Vaz de Carvalho. Muitos escritores, artistas, políticos e críticos literários ou editores passavam pelas noites do seu salão animadas por uma Natália Correia, muito bela, sedutora, inteligente, de boquilha em punho e palavra afiada, “sempre em palco”, como então se dizia. Mais tarde, em tempos menos desafogados financeiramente e ainda antes do 25 de Abril, criou o “Botequim”[3], um espaço de tertúlias e convívio em torno de mesas ou balcões onde as pessoas se encostavam, sorvendo iguarias saborosas e bebidas ao som do piano. Impiedosa, NC expulsava do “seu” Botequim as figuras que lhe caíam em desgraça. Mas a variedade de espectros sociais, políticos e culturais dos/as que frequentavam o Botequim demonstrava a profunda abertura de espírito de Natália. Ainda me lembro de ter passado por lá, acompanhando Teresa Santa Clara Gomes e Helena Roseta. Um ambiente fascinante com Natália como figura principal, circulando e pontificando em todos os grupos que se iam formando. Com ela estive numa assembleia de mulheres em Madrid onde a sua intervenção poderosa, brilhante e criativa, defendendo a “ibericidade”, fez a assembleia levantar-se em palmas.

Numa exposição recente na Biblioteca Nacional (aberta ao público até 18 de Agosto), ilustrando “17 Rostos de Ação” de mulheres portuguesas para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, Natália aparece ilustrando o ODS 5, “Igualdade de Género”. Duvido que Natália gostasse da terminologia usada para definir aquilo em que foi vanguardista – a luta pelos direitos e papel das mulheres na sociedade portuguesa. Nunca gostou do uso da palavra “feminismo” e ia muito mais longe. Segundo ela deve prevalecer “o conceito femininista, indicando a prevalência do feminino quer no homem quer na mulher”, contrapondo este conceito ao “feminismo belicista” (FM, p. 393) de tantos tipos de feminismos. Ao contrário exorta a que “que o homem assuma o que tem de feminino porque isso é necessário” (p. 594), isso é o futuro.

A série de televisão “Mátria” ainda hoje nos traz memórias de uma pesquisa original e rigorosa sobre a história e vidas de mulheres (em Portugal). Captura de imagem desse programa, no Arquivo da RTP.

A série de televisão Mátria ainda hoje nos traz memórias de uma pesquisa original e rigorosa sobre a história e vidas de mulheres (em Portugal). Captura de imagem desse programa, no Arquivo da RTP.

 

A série de televisão “Mátria” ainda hoje nos traz memórias de uma pesquisa original e rigorosa sobre a história e vidas de mulheres (em Portugal) de todos os quadrantes defendendo a liberdade erótica e passional da mulher, enquanto “fonte matricial da humanidade”: a Rainha Santa Isabel, Inês de Castro, Maria da Fonte, ou a exclusão das mulheres na Maçonaria. O que aprendemos então!  

Segundo Natália, numa bem inovadora formulação, um dos grandes objetivos do feminismo é  ser uma libertação para os homens. Ramalho Eanes atribuiu-lhe em Grande Ordem de Santiago por mérito Cultural e, mais tarde recebeu a Ordem da Liberdade (1991).

 

Uma Mulher “anti-intelectual elitista”

A nossa classe intelectual é bastante chata e insonsamente recolhida em snóbicas ridículas importâncias. Pantufa mental e gargarejo literário uns para os outros. Com uma ou outra exceção provoca sono em vez de sonho (FM citando NC, p. 515).

E a este, que só pensa no livreco que vai e na crítica que o enterra ou o promove, responsabilizo mais que os políticos pela vileza do nada acontecer que está leprosar a nossa sociedade” (ibid. p. 515)

Natália era uma crítica mordaz de uma cultura elitista. Interpelava tanto políticos como intelectuais. FM afirma que Natália “alargou as fronteiras da palavra “cultura”, diluindo-a com a palavra “humanismo”, abominou a mediocridade, venerou a beleza, pugnou pela diferença e sacralizou a liberdade” (p. 630). Como vemos nas citações acima NC desprezava os snobs da cultura, os calçados de pantufa mental… Imagética poderosa. Recriação da palavra ao jeito de Mia Couto.

Natália anteviu o “amesquinhamento cultural (p. 631) que a própria inserção na Comunidade Europeia poderia trazer a Portugal. Afirmava que o Senhor Jean Monet “devia ter começado pela Europa das Culturas “em vez da Europa do Carvão e do Aço (p. 589).

Filipa Martins descreve que “a imponência e o desconcertante sentido de autoencenação majestático, tonitruante e sedutor, fonte das maiores lendas, camuflaram uma fragilidade complexa e paradoxal, com raiz numa infância marcada por abandonos e uma afetividade dispersa, ajudando a criar e a difundir o mito da mulher fatal (p. 631). Uma mulher que ousou ser quem era. Uma intelectual humanista, inevitavelmente crítica das elites pretensiosas e balofas. Uma mulher de cultura no sentido mais puro do termo.

 

Uma Mulher Política

Conspirar era como respirar.
(NC)

A opressão não melhora por trazer um rótulo de esquerdas.
É pura e simplesmente opressão.
(NC)

Busto de Natália Correia, de José Cutileiro, na Assembleia da República. Foto: Miguel Marujo

Busto de Natália Correia, de José Cutileiro, na Assembleia da República. Foto © Miguel Marujo

Talvez seja pelo seu empenho político que Natália Correia tenha sido mais conhecida do grande público. Todas/os nos lembramos das suas notáveis tiradas no Parlamento. O dom da oratória estava-lhe inscrito na massa do sangue. Da “esquerda” à “direita” todos se calavam para a escutar. Sabemos ainda o quanto ela foi perseguida e silenciada na ditadura. Não se deixou silenciar, claro, mas a sua obra poética e teatral foi alvo impiedoso da Censura. Relembramos a apreensão do seu livro Poesia Erótica e Satírica, que a levou a tribunal por “ofensa à moral pública” e o seu empenhamento na causa das três Marias nas Novas Cartas Portuguesas de cujo livro teve responsabilidade editorial.

Foi uma mulher livre, sem medo, brilhante intelectual, inconformista, mas simultaneamente frágil, carente, com uma aparente autoconfiança que não era mais do que expressão de uma necessidade de atenção quase infantil. Recebera tanta atenção e educação maternal enquanto criança mas tanto abandono na juventude que, marcada por isso, nunca desejou ter filhos por considerar a maternidade algo de indubitavelmente exigente. 

Na Assembleia da República representou o PPD/PSD pela mão do seu amigo e admirador Sá Carneiro e, mais tarde o PRD, já que era muito amiga do casal Eanes. Natália quebrou a disciplina partidária e votou contra a posição do seu partido no que se relacionava com a despenalização do aborto. Enfrentou dois processos disciplinares movidos pela direção do PPD/PSD.

A deputada do CDS-PP, Maria José Nogueira Pinto, sua opositora política, retratava as qualidades de Helena Cidade Moura, e também de Natália Correia, numa intervenção na Assembleia da Assembleia da República que ocorreu a 17/07/1997: 

Depois desta última intervenção da bancada do PSD, não resisto a começar por dizer que é com muita pena que não estive aqui como Deputada quando se ouviam as vozes de Helena Cidade Moura e Natália Correia. Muita pena por não ter estado aqui quando esta Câmara era capaz de discutir os problemas como uma Câmara política e não como um conjunto de técnicos. Esta questão não é técnica, é política. Infelizmente, para mim, a minha voz não é a de Helena Cidade Moura nem de Natália Correia…

 

Natália e uma Vida Espiritual

Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia,
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
Quebrado em jogos infantis (1955)

É sobre esta Natália, inquieta, absoluta, apaixonada, sensual, tocada pelo sagrado, um desses seres que não cabem no espaço que lhes foi destinado, nem no corpo nem nas normas (Fernando Dacosta) que me quero debruçar, rematando e culminando este trabalho. Perdoem-me o arrojo mas Natália, de alguma forma, lembra Teresa de Ávila na sua ousadia, liberdade interior e inconformismo, uma sensual apaixonada por Deus: “a poesia é para comer!” Ou Maria de Lurdes Pintasilgo, grande intelectual e mulher ativa na transformação social, corajosa militante na causa das mulheres e da justiça social, uma mulher que “ousou ser”, tornando-se também incompreendida, sendo que era uma “inquieta de Deus”. É na dimensão espiritual de NC, que regresso à biografia escrita por Filipa Martins.

Arrojada e carismática Natália “atacou a ditadura onde mais lhe doía – a “moral caduca” – mas sendo reservada na sua “atribulada vida íntima”, contraditória e não raramente conservadora. Foi acusada de ser “desmoralizadora da juventude” devido às suas ideias libertárias. E profeta no arrojo das suas convicções sobre as pessoas e os acontecimentos. Foi uma “poeta-profeta” sendo que profeta é aquele ou aquela que vive à frente do seu tempo, “um porta-voz dos deuses”, na sua etimologia original.

No entanto frágil, inquieta, desejava ser amada e tinha uma profunda sede de infinito. Teve a coragem de ser ela própria, ousando o epíteto de “indomável”…, e afirmando frequentemente a sua ambivalência tão ilustradora do seu ser: “”recém-vinda de ficada/ em morosa maravilha/ sempre a chegar a Lisboa/ e sempre a ficar na ilha” (S. Miguel). Esta dupla pertença era talvez a raiz da sua profunda vida espiritual.

 

Natália era açoriana de nascimento e na sua devoção ao Divino Espírito Santo tão fundamental e enraizado nos Açores, falava numa “Igreja espiritual, carismática, fraterna.”. Na imagem, o Império Do Divino Espírito Santo da Caridade, na Praia da Vitória, Terceira. Foto © Diego Delso, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons

Natália era açoriana de nascimento e na sua devoção ao Divino Espírito Santo tão fundamental e enraizado nos Açores, falava numa “Igreja espiritual, carismática, fraterna.”. Na imagem, o Império Do Divino Espírito Santo da Caridade, na Praia da Vitória, Terceira. Foto © Diego Delso, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

 

“A necessidade desta Natália, ainda que engolindo o desgosto da incompreensão (FM, p. 195-196), revela uma poetisa calcinada pela missão maior de comunicar, alquímica perante a tentação de morder a maçã do reconhecimento. Outra Natália, mas não deixando de ser a mesma, abrigava-se nos amigos: “a lamber as feridas e a destilar cólera, após uma má recensão crítica ou uma imperdoável omissão” (ibid.).

Se um talento esplendoroso, uma inteligência luminosa e um magnífico sentido de autoencenação foram responsáveis pela admiração que tantos de nós sentimos por Natália Correia, a pose majestática, tonitruante e por vezes feroz , assustou outros tantos; mas apenas um olhar disponível e sem preconceitos podia dar-se conta, ao arrepio dos lugares-comuns que sempre se foram dizendo a seu respeito, do absoluto desamparo e da total fragilidade deste ser excessivamente complexo e paradoxal” (Martins, p. 196). [4]

Abandonada duas vezes, pelo pai e depois pela mãe exigia que cuidassem dela, que a amassem, demonstrando, tal como uma criança, uma incapacidade de estar só. Por isso se rodeava de uma “trupe de amantes e amigos dos dois sexos” (p. 196). Em “onde está o Menino Jesus” critica Caeiro que faz Jesus fugir do céu” (p.552). “Libertando o Menino, Natália pretendia libertar toda a humanidade do complexado sofrimento purificador” (p. 553).

Perdoar é, como sinónimo de amor,
a palavra mais bela da língua portuguesa,
sustento mesmo da nossa cultura afetiva

Daí ela própria falar numa “ética espiritualizada” (prefácio. Poesia Completa. p. 33). O dominicano José Augusto Mourão lembrava: “Tenho afirmado várias vezes que Natália Correia é, entre nós, o escritor que mais provocantemente questiona a quietude morna das expressões da nossa crença” (p. 551) (…). NC convida a compreender o nosso espaço-tempo através de “uma prática figurativa (a da religião) sabendo ser absurdo ignorar a religião na construção da nossa mentalidade, impregnada que está de tradição judaico-cristã” (p. 552).

Natália falava no “amor espiritual, absoluto” (…) ,“dir-se-ia que o seu espírito tinha um  perpétuo movimento circular que incessantemente abrangia o superior e o inferior” (p. 197).

Apesar dos seus altos e baixos Natália desejava “celebrar a vida como um cântico” (p. 303), “elimina[ndo] as barreiras entre o amor carnal, o amor afetivo e o amor espiritual! (p. 198). Escreve: “Creio que tudo é eterno num segundo” (p. 221). Para ela “viver poeticamente é viver as coisas em potência” (p. 631). Não tinha pejo em afirmar: “O itinerário é interior” (p. 599). Estas palavras fazem-me lembrar partes do livro Vida de Teresa de Ávila.

Natália “é o paradigma da Grande Mãe, que é a grande reserva, a eterna reserva da natureza; por isso lhe chamo matrismo e não feminismo” (p. 319). Apesar de muito crítica da visão tradicional de Nossa Senhora, NC fala da “Grande Mãe” numa antecipação às novas teologias sobre Marianas.

Na sua devoção ao Divino Espírito Santo tão fundamental e enraizado nos Açores, Natália falava numa “Igreja espiritual, carismática, fraterna.” O padre Anselmo Borges, seu amigo até ao fim, afirma: “várias vezes NC me desafiou para as festas do Divino Espírito Santo, nos Açores – ela era espírito-santista. Afirmava Natália: “é capaz de ser a festa mais humanista do mundo. Ah, aquela coisa dos ‘impérios’! [qualquer pessoa] senta-se e come e bebe fartamente, sem que alguém lhe pergunte quem é, donde é, o que faz (p. 498). De “graça” era a era do Espírito Santo: a idade do Amor, da Liberdade e da Fraternidade” (…) com uma face politeísta e feminina. Sabemos como os Impérios eram “antipáticos à Igreja Católica” (p. 500) por estarem ligados a uma religiosidade bem popular associada a “ritos ditos pagãos”. Natália afirma a feminização da figura do Espírito Santo. Nas línguas semitas Ruha é uma palavra do género feminino.

No velório de Natália Correia na Casa dos Açores, “a certa altura entrou uma pomba pela janela que ficou a sobrevoar o seu caixão várias horas. Os amigos não duvidaram de que tinham sido visitados pelo Espírito Santo” (p. 502). Num poema profetiza: 

estarei sentada no circo da Terra
até que o mágico tire pombas do coração.
(p. 631)

Estátua de Natália, no Parque dos Poetas, em Oeiras. Foto © Vitor Oliveira/Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons.

Estátua de Natália, no Parque dos Poetas, em Oeiras. Foto © Vitor Oliveira/Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Dórdio Guimarães, o seu último marido, também ele poeta, dizia de Natália: “mulher maçã”, “acrobata menina”. Para ele Natália escreveu: “Creio que és o meu caminho para um deus onde a vida e a morte se reconciliam. Creio que por ti sou melhor do que estava para ser (p. 220):

Creio nos deuses de um astral mais puro
Na flor humilde que se encosta ao muro
Creio na carne que enfeitiça o além
creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen
(NC) 

Este Credo ao Amor de Natália lembra-me Paulo aos Coríntios (1, 13) na afirmação da prevalência do amor sobre todas as coisas…  

Finalmente sobre a sua morte, Natália escreve:  

Quando me derem por morta
de lágrimas nem uma pinga
(…) Não me chorem, não é morte
é só invisibilidade.

Teresa Vasconcelos é professora do Ensino Superior (aposentada) e participa no Movimento do Graal. Contacto: t.m.vasconcelos49@gmail.com

 

Notas
[1] Prefácio. Poesia Completa. Dom Quixote, Lisboa 1999
[2] Posteriormente escreverei sobre esta interessante mulher galega (1851-1921) , que “conheci” durante estas férias.
[3] Fernando Dacosta O Botequim da Liberdade. Casa das Letras 2013.
[4] citando um estudo de José Luís Garcia, Colibri, 2013).

 

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Em matéria de teologia, tendo a sentir-me mais próxima do meu neto X, 6 anos, do que da minha neta F, de 4. Ambos vivem com os pais e uma irmã mais nova em Londres. Conto dois episódios, para perceberem onde quero chegar. Um dia, à hora de deitar, o X contou à mãe que estava “desapontado” com o seu dia. Porquê? Porque não encontrara o cromo do Viktor Gyokeres, jogador do Sporting, um dos seus ídolos do futebol; procurou por todo o lado, desaparecera. Até pedira “a Jesus” para o cromo aparecer, mas não resultou. [Texto de Ana Nunes de Almeida]

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