Olá a todos. Chamo-me Armando. Todos os dias, levanto-me pelas 7h45 da manhã, chego ao local onde estaciono, vou à pastelaria tomar um café e vamos lá trabalhar. Das 8h00 às 9h15, as pessoas já me são conhecidas porque são pais e mães que trazem os seus filhos ao infantário e é claro que nesse espaço de tempo o trabalho é pouco rentável, mas contento-me com um sorriso, um bom dia. Para mim é o bastante para um bom começo de dia. É como eu digo: as amizades não se ganham, conquistam-se, mas tenho de fazer para as merecer. Estou acostumado a fazer bem a quem me faz bem, foi assim que eu fui educado pelos meus pais.
Só peço para não confundirem a minha personalidade com a minha atitude: é que a minha personalidade é como eu sou, já a minha atitude depende apenas de quem você é. Eu não mudei, apenas aprendi a dar a cada pessoa a mesma importância que me dá a mim.

Voltando ao trabalho, a partir das 9h15 é muito diferente porque lido com muitas pessoas, uns compreendem a minha situação, outros, não. E apenas tenho de respeitar, mas não deixo que me faltem ao respeito. Tento fazer ver às pessoas que a minha necessidade faz com que eu tenha esta forma de vida.
Os estacionadores estão muito mal vistos, por várias razões, mas há algumas exceções, nas quais eu me incluo. Não me considero melhor do que ninguém, mas tenho uma forma única de encarar a vida. As pessoas poderiam tentar saber as razões que nos levaram a ter este modo de vida. No meu caso, sou uma pessoa doente. Vivo com uma companheira com os seus problemas de saúde. Cada um tem uma pensão mensal de 300 euros. Tirando as despesas de um quarto alugado no valor de 280 euros, sobra metade. Quem se governa com este valor? É por isso que a vida é dura. Tem de se esperar que surja alguma oportunidade de ajuda.
Estaria aqui por muito mais tempo, mas tenho de fazer dinheiro para almoçar.
Espero sempre por si para ajudá-lo a encontrar um lugar de estacionamento.
Até lá, muito obrigado pelo seu tempo.
Armando Ramos é estacionador de automóveis em Braga










