Paquistão tem dezenas de casos

O drama das conversões forçadas

| 3 Jan 2023

O drama das conversões forçadas ao Islão é muito forte no Paquistão. Foto © Fundação AIS

O Governo do Paquistão deve olhar “com atenção para o drama das conversões forçadas de jovens raparigas e mulheres”, dizem 30 organizações no relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Foto © Fundação AIS.

 

A Comissão Nacional Justiça e Paz do Paquistão juntou-se a cerca de três dezenas de organizações da sociedade civil para exigirem ao Governo do país que olhe “com atenção para o drama das conversões forçadas de jovens raparigas e mulheres”. Num relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Centro para a Justiça Social, com sede em Lahore, relatou, em Julho, 78 casos de conversões forçadas durante o ano de 2021. No entanto, calcula-se que deve haver um número substancialmente maior, pois muitos casos nunca são tornados públicos, dado o constrangimento social que provocam.

Asif Aqeel, director adjunto do Centro para a Lei e Justiça, disse, em declarações à Fundação AIS, que a questão das conversões forçadas de raparigas cristãs só terá uma maior visibilidade na justiça paquistanesa se for colocada na perspectiva mais ampla do rapto e casamento forçado de menores.

A comunidade cristã, uma das mais atingidas por este flagelo, tem procurado criar condições para ajudar as raparigas que conseguem escapar aos seus raptores, assim como as suas famílias, que precisam muitas vezes também de apoio ao nível jurídico para a anulação dos matrimónios não consentidos.

Em Lahore existe uma casa de apoio, a Christian’s True Spirit. Trata-se de um edifício de dois andares situado numa zona comercial movimentada da cidade e que alberga atualmente oito mulheres, entre os 13 e os 60 anos de idade. Todas elas foram vítimas de sequestro e abuso e foram resgatadas aos seus captores.

A questão das conversões forçadas no Paquistão traduz um dos dramas mais graves por que passam as minorias religiosas, nomeadamente os hindus e os cristãos. A pobreza, a falta de instrução e o baixo estatuto social tornam estas raparigas menores de idade mais vulneráveis. A própria lei, datada de 1929, que impõe uma idade mínima para o casamento – 16 anos para as raparigas, 18 para os rapazes – é muitas vezes ignorada pelas autoridades perante situações concretas de sequestro. Como não há restrições de idade para a conversão ao islão e os certificados emitido por escolas religiosas ou líderes religiosos são imediatamente apresentados como prova suficiente para a validação de uma conversão, torna-se muito difícil reverter uma situação de casamento forçado com a respetiva conversão forçada ao islão.

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