Com líderes de outras religiões

O “encontro de amigos” em que o Papa se emocionou

| 4 Ago 2023

Lideres religiosos em conferencia de imprensa, JMJ, 4 .08.2023 Foto Clara Raimundo

Quatro dos representantes religiosos que estiveram com o Papa na manhã desta sexta-feira partilharam, em conferência de imprensa, o que significou para eles este encontro. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS.

 

Assim que chegou à sala da Nunciatura Apostólica onde o aguardavam representantes das diferentes confissões religiosas em Portugal, o Papa deu o mote: “Encontramo-nos aqui como irmãos.” E foi mesmo isso que aconteceu esta sexta-feira, 4 de agosto, assegurou Timóteo Cavaco, presidente da Aliança Evangélica de Portugal, em conferência de imprensa após o encontro com Francisco: “Saímos todos dali com a sensação de que tínhamos estado num encontro de amigos, fraternal, em torno de valores e princípios comuns”.

Recordando que “a etimologia da palavra religião remete para ligação”, Timóteo Cavaco assinalou que “as religiões sempre se encontraram e interagiram, mas a maior parte das vezes num espírito de confronto”. No entanto, “há que construir um terreno comum para o diálogo” e mesmo que existam “outras prioridades”, “é importante continuar a trilhar este caminho”, afirmou.

O bispo Jorge Pina Cabral, da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana em Portugal), considera que o encontro desta sexta-feira “foi um pouco o reconhecimento desse caminho que se tem vindo a fazer, quer na área ecuménica, quer na área do diálogo e da cooperação inter-religiosa”. E acrescentou: “A presença do Santo Padre e o facto de ter disponibilizado o seu tempo para estar connosco foi como dizer que estamos no caminho certo.”

Pina Cabral assinalou também que o encontro foi ainda mais belo precisamente por resultar desse caminho já iniciado: “Foi muito bonito estarmos juntos, mais ainda por já nos conhecermos e encontrarmo-nos também como companheiros de jornada”.

Lembrando que vivemos “um contexto de grande afluência de outras culturas e religiões”, Jorge Pina Cabral destacou ainda que é necessário que todas as religiões e igrejas procurem “construir juntas a inclusividade das minorias e a abertura para os problemas que essas minorias vivem em Portugal”.

Durante o encontro, o Papa disse que “temos de dar atenção à juventude e deixar-nos interpelar por ela”, partilhou o líder lusitano/anglicano, que espera “que esta JMJ ajude a um maior compromisso ecuménico em Portugal”. Da parte da Igreja Lusitana, “há jovens que também estão a participar e envolvidos com outros jovens nos espaços de reflexão e oração”, disse, com orgulho.

Orgulho foi o que manifestou também Suryakala Chhanganlal, representante da Comunidade Hindu de Portugal, por ter participado no encontro com Francisco. “O Papa desloca-se para se encontrar com os jovens de todo o mundo, passando uma mensagem de fé e de esperança, mas depois não se esquece de que esse é um percurso em que todos temos de fazer um esforço para criar uma sociedade com paz”, assinalou, sublinhando: “Para construirmos um mundo com paz, devemos conviver com todas as confissões que existem”.

Suryakala lembrou que o diálogo entre essas confissões é essencial: “um diálogo em que eu possa dizer quem sou, o que faço, o que pratico, com respeito mútuo”. É esse diálogo “que dá a tolerância para podermos caminhar”, referiu.

O padre Peter Stilwell, diretor do Departamento das Relações Ecuménicas e do Diálogo Inter-Religioso, descreveu um desses diálogos, que aconteceu precisamente durante o encontro da manhã desta sexta-feira, entre o Papa Francisco e o bispo ortodoxo Pedro Pruteanu.

O bispo da Igreja Ortodoxa Autónoma para a Europa ocidental (em Portugal e Espanha) – que no passado mês de maio presidiu a uma vigília de Pentecostes para invocar a paz na Capela do Rato – “disse a Francisco que, apesar de ser da comunidade do Patriarcado Ortodoxo Russo, vivia com preocupação esta questão da guerra na Ucrânia e que queria agradecer ao Papa por tudo o que tem feito”, contou o padre Peter Stilwell.

O diretor do Departamento das Relações Ecuménicas e do Diálogo Inter-Religioso ficou “mesmo atrás do bispo ortodoxo” e apercebeu-se da reação de Francisco: “O Santo Padre estava particularmente emocionado.”

Antes, o Papa havia recebido a visita de uma delegação do Centro de Diálogo Internacional – KAICIID, acompanhada pelo cardeal Miguel Ángel Ayuso, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso. Francisco conversou ainda com Rahim Aga Khan, filho do líder da comunidade ismaelita, que tem a sua sede em Lisboa. “Foi um encontro emocionante e muito estimulante a favor do diálogo e da tolerância entre os diferentes credos e religiões, sem o que não se poderá alcançar a paz nem a concórdia entre os povos”, referiu ao 7MARGENS o secretário-.geral da organização criada pelo Vaticano, Arábia Saudita, Espanha e Áustria. “Um, veemente apelo dirigido a todos, sem excepção.”

Também o príncipe Rahim Aga Khan, filho mais velho do Aga Khan – líder espiritual da Comunidade Ismaili mundial – encontrou-se hoje com o Papa Francisco. Fonte da Comunidade disse ao 7MARGENS que ambos os responsáveis “trocaram cumprimentos calorosos e debateram temas de interesse mútuo como o contexto internacional e parcerias programáticas”. As instituições do Imamat Ismaili, que tem a sua sede em Lisboa, e da Igreja Católica trabalham em conjunto em várias áreas como a desenvolvimento na primeira infância e o apoio a idosos.

 

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