Terras Sem Sombra

O festival de música vai à pesca no mar de Sines

| 19 Ago 21

Música, Clarinet Factory

Os checos Clarinet Factory apresentam “Ao Sabor da Corrente: Um Itinerário Musical do Século XXI” . Foto © eRno le Menthole.

 

O Festival Terras Sem Sombra regressa neste fim-de-semana, com uma paragem em Sines e um programa que inclui música com o ensemble checo Clarinet Factory e duas propostas sob o signo do mar: conhecer as artes tradicionais da pesca e o património tangível e intangível ligado à actividade piscatória do porto de Sines, desde a Antiguidade; e sensibilizar para a biodiversidade aprendendo a reconhecer os peixes, crustáceos e moluscos daquela zona da costa alentejana.

“Ao Sabor da Corrente: Um Itinerário Musical do Século XXI” é o título do programa do concerto de sábado, 21, no Centro de Artes de Sines a partir das 21h30. O quarteto checo de clarinete e voz – que integra Jindřich Pavliš, Luděk Boura, Petr Valášek e Vojtěch Nýdl – “move-se nas fronteiras entre a música clássica e a contemporânea, o jazz, a world music, a música electrónica e os projectos interdisciplinares de marcado carácter inovador”, diz um comunicado enviado ao 7MARGENS, apresentando o programa desta etapa do Terras Sem Sombra. Um exemplo do seu trabalho pode ser ouvido no vídeo a seguir:

O quarteto, acrescenta a informação do programa, tem um percurso que já lhe deu reconhecimento internacional, incluindo pela presença em várias das mais importantes salas da Europa. O grupo também criou música para filmes, peças de teatro e dança.

A proposta do Clarinet Factory para Sines, explica o seu solista Jindřich Pavliš, “narra uma história imaginária em torno da eterna procura” que caracteriza o percurso do grupo, trazendo a lume um pouco do que os seus membros vislumbraram, “de um modo mais penetrante, ao longo das viagens do ensemble pelas quatro partidas do mundo”.

O músico explica: “Amamos a música popular da Chéquia e da Morávia. Amamos Smetana e Dvořák pela sua paixão, Debussy pelo seu colorido e Bach pela sua estrutura intemporal. Amamos Stravinsky, Janáček e Messiaen pelas suas experiências com os sons da natureza e da palavra e Gershwin pelo seu encontro com o jazz”. Dessa paixão resulta o encontro de géneros, estilos e autores que o quarteto concretiza.

As outras propostas do festival para sábado e domingo incluem ainda as acções habituais na área do património cultural (sábado, 15h, ligada ao património pesqueiro) e da salvaguarda da biodiversidade (domingo, 9h30, incidindo na riqueza do pescado da região).

No sábado, o arquitecto Ricardo Estevam Pereira e o pescador Francisco Chainho traçam uma panorâmica da pesca, dos usos e costumes dos pescadores, das artes e embarcações tradicionais utilizadas na costa sineense. O ponto de encontro é no Centro de Artes de Sines, às 15h.

Domingo, biólogos do Laboratório de Ciências do Mar, da Universidade de Évora, darão a conhecer peixes, moluscos e crustáceos extraídos na região, através do seu nome vulgar, modo de vida e de reprodução, distribuição e abundância, métodos de captura e interesse comercial, bem como sobre questões sobre a sobrevivência de espécies ameaçadas. O ponto de encontro é às 9h30 no Laboratório de Ciências do Mar, na Praia Vasco da Gama.

Porto de pesca de Sines: as espécies ameaçadas serão estudadas no âmbito da salvaguarda da biodioversidade. Foto: Direitos reservados.

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