O Globo da Garota: Obrigado, Cátia

| 8 Out 2023

Cátia Mazari Oliveira, A Garota Não, Ana Sofia Brito

Cátia Mazari Oliveira, A Garota Não, com Ana Sofia Brito (cronista do 7MARGENS). Foto: Direitos reservados

Estive uma vez, em certa iniciativa, à conversa com Rita Blanco e elogiei-lhe o número de Globos de Ouro que havia já conquistado. Ela limitou-se a responder, por debaixo de um sorriso quase desdenhoso: “Se as pessoas soubessem como é que se ganham Globos…” Eu não sei, Rita, nem nunca vou saber. O que eu sei é que, seja como for, há forças maiores e incontornáveis. Haja o que houver por detrás das nomeações, chega sempre a hora em que o manda-chuva é abafado pela evidência. Foi o que aconteceu no caso da Garota. Nos últimos dois anos esgota tudo o que é sala por onde passa e fingir que se não vê não é opção.

A Garota é um fenómeno que nos resgata meia esperança do fundo do poço. Não se trata do Globo (mero objecto), trata-se de um povo rendido a uma mulher que fascina pelo pensamento, que fala dos abusos sem rédeas e sem vergonhas.

Não foi só a Garota que ganhou um prémio, fomos todos nós.

Os outros – os músicos riscados – falam para nós; a Garota fala através de nós, e parece-me que nos faz perder certos medos. Fala das mulheres e da violência da imagem padronizada; fala dos bairros renegados e das demagogias que nos enlaçam a garganta. Fala-nos do amor como uma novidade, livre de clichês bolorentos.

O Globo da Garota não vale nada comparado com o poema para o qual foi pretexto. O Globo passou mas ficaram-nos as palavras – as dela ficam-nos sempre – a lembrar que não estamos sozinhos contra os gatos debaixo das mesas, contra os ofendidos com as mini-saias, contra os assassinatos do Mediterrâneo, contra a capital que é igual a qualquer outra. A favor das canções sem final sob fortes dilúvios, a favor do livre pensamento, a favor das mães, do amor e da vida hoje, a favor da querida liberdade.

Obrigada, Cátia e parabéns – não pelo Globo – pela coragem de levares aos ombros as súplicas de toda esta gente que é Portugal.

Estamos tão cansados e o espelho tem razão, mas tu ressuscitas-nos.

 

Ana Sofia Brito começou a trabalhar aos 16 anos em teatro e espetáculos de rua; Depois de dois anos na Universidade de Coimbra estudou teatro, teatro físico e circo em Barcelona, Lisboa e Rio de Janeiro. Autora dos livros “Em breve, meu amor” e ” O Homem do trator”.

 

Santuário de São João Paulo II, nos EUA, vai tapar obras de arte de Rupnik

Para "dar prioridade às vítimas"

Santuário de São João Paulo II, nos EUA, vai tapar obras de arte de Rupnik novidade

Os Cavaleiros de Colombo, maior organização leiga católica do mundo, anunciaram esta quinta-feira,11 de julho, que irão cobrir os mosaicos da autoria do padre Marko Rupnik, acusado de abusos sexuais e de poder, que decoram as duas capelas do Santuário Nacional de São João Paulo II, em Washington, e a capela da sede da organização em New Haven, Connecticut (EUA). A decisão, inédita na Igreja, surge uma semana depois de o bispo de Lourdes ter admitido considerar que os mosaicos do padre e artista esloveno que decoram o santuário mariano francês acabarão por ter de ser retirados.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“E tu, falas com Jesus?”

“E tu, falas com Jesus?” novidade

Em matéria de teologia, tendo a sentir-me mais próxima do meu neto X, 6 anos, do que da minha neta F, de 4. Ambos vivem com os pais e uma irmã mais nova em Londres. Conto dois episódios, para perceberem onde quero chegar. Um dia, à hora de deitar, o X contou à mãe que estava “desapontado” com o seu dia. Porquê? Porque não encontrara o cromo do Viktor Gyokeres, jogador do Sporting, um dos seus ídolos do futebol; procurou por todo o lado, desaparecera. Até pedira “a Jesus” para o cromo aparecer, mas não resultou. [Texto de Ana Nunes de Almeida]

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This