O Holocausto esteve no limbo em Portugal, o livro de Irene Pimentel quer tirá-lo de lá

| 14 Out 20

O tema do Holocausto tem estado num limbo em Portugal: primeiro, Salazar para lá o remeteu, com a sua política de neutralidade durante a Segunda Guerra Mundial; depois, o assunto foi eliminado da História e da memória portuguesa. E após a instauração da democracia, em 1974, as prioridades da historiografia foram outras.

É deste modo que, na introdução do seu livro Holocausto (que nesta quinta-feira será apresentado publicamente, em Lisboa) a historiadora Irene Flunser Pimentel resume o facto de, até agora, não haver uma investigação exaustiva e detalhada sobre a Shoah (ou Shoá,  como o livro opta por escrever) e sobre o papel de Portugal nesse “medonho acontecimento da história da humanidade”.

A historiadora recorda ainda que depois do 25 de Abril de 1974 se começou a investigar mais o tema, mas centrando as investigações no papel da diplomacia portuguesa e nos refugiados que passaram por Portugal. Faltava fazer, nessa altura, escreve Irene Pimentel na introdução, “a caracterização do regime ditatorial derrubado”, bem como das suas instituições, “passando pelo comportamento dos ditadores Salazar e Caetano” entre 1932 e 1974.

O livro de Irene Pimentel pretende, assim, abordar o papel de Portugal e esclarecer muitas das dúvidas que ainda persistem sobre o Holocausto, procurando responder a muitas perguntas. Desde logo, as de carácter mais genérico, como: o que foi o Holocausto? Como foi possível tamanho crime? Quando souberam os Aliados da Shoah? Poderia ela ter-se evitado? Depois, as perguntas mais específicas sobre o caso português, entre as quais: O regime português era antissemita? Como soube o governo português do genocídio nazi dos judeus europeus? Esteve Portugal também na rota da Shoah? Como foram descobertos os campos de concentração e de extermínio e de que forma foram julgados os criminosos nazis? E a opinião pública portuguesa, a viver em ditadura, quando e o que soube?

sinal stop auschwitz holocausto

Sinal com ordem para parar, em Auschwitz: o tema do Holocausto tem estado ausente da memória portuguesa, Irene Pimentel pretende colmatar essa brecha. Foto: Wikimedia Commons.

 

A obra pretende “desfazer confusões, contribuindo para um conhecimento maior” da tragédia do Holocausto e do papel de Portugal diante desse “terrível acontecimento”, com base na investigação da autora e também “na profusa bibliografia existente sobre o tema, em geral, e relativamente a Portugal, em particular”.

Dividido em duas partes, Holocausto começa por fazer uma contextualização histórica da Shoah –antecedentes, linguagem, como foi vista pela comunidade internacional –, para se centrar depois em Portugal, no Estado Novo, na política externa de Salazar e na opinião pública portuguesa sobre a guerra e o extermínio de milhões de inocentes às mãos dos nazis.

Irene Flunser Pimentel é autora, entre outras obras, de História das Organizações Femininas do Estado Novo (2000), Fotobiografia de Manuel Gonçalves Cerejeira (2002), Judeus em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial. Em Fuga de Hitler e do Holocausto (2006), A História da PIDE (2007), Salazar, Portugal e o Holocausto (2013, em coautoria) e foi distinguida com o Prémio Pessoa em 2007.

A apresentação do livro, que tem edição da Temas e Debates, decorre no Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, no âmbito do programa Nunca Esquecer. Terá lugar nesta quinta-feira, 15 de Outubro, às 17h, com a intervenção da jornalista Luciana Leiderfarb e entrada pelo Largo das Necessidades (Protocolo de Estado). Em virtude das regras de segurança em vigor, será obrigatório o uso de máscara e deve enviar-se previamente um mail para conferencias.idi@mne.pt ou mafalda.trindade@bertrand.pt.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

Fátima entra no Inverno e mantém restrições novidade

O Santuário de Fátima anunciou que, a partir do próximo dia 1 de Novembro, domingo, entra em vigor o horário de Inverno do programa celebrativo na instituição, mantendo entretanto em vigor as regras definias pelas autoridades de saúde para o combate à pandemia.

Uma viagem global pela santidade com o padre Adelino Ascenso

Do Tibete a Varanasi e ao Líbano, do budismo ao cristianismo, passando pelo hinduísmo. Uma viagem pela santidade em tempos de globalização é o que irá propor o padre Adelino Ascenso, no âmbito do Seminário Internacional de Estudos Globais, numa sessão presencial e em vídeo.

Uma “Teo Conversa” no Facebook

A propósito da nova revista de Teologia Ad Aeternum, a área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona vai iniciar nesta quinta-feira, 29, às 22h (19h em Brasília) um conjunto de debates em vídeo, que podem ser acompanhados na respectiva página no Facebook. 

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

Facebook proíbe conteúdos que neguem ou distorçam o Holocausto

Facebook proíbe conteúdos que neguem ou distorçam o Holocausto

A decisão foi anunciada esta segunda-feira, 12 de outubro, pela vice-presidente de política de conteúdos do Facebook, Monika Bickert, e confirmada pelo próprio dono e fundador da rede social, Mark Zuckerberg: face ao crescimento das manifestações de antissemitismo online, o Facebook irá banir “qualquer conteúdo que negue ou distorça o Holocausto”.

É notícia

Luto nacional a 2 de novembro, missa pelas vítimas da pandemia no dia 14

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira, 22, o decreto que declara a próxima segunda-feira, 2 de novembro, dia de luto nacional “como forma de prestar homenagem a todos os falecidos, em especial às vítimas da pandemia”. No próximo dia 14 de novembro, será a vez de a Conferência Episcopal Portuguesa celebrar uma eucaristia de sufrágio pelas pessoas que já faleceram devido à covid-19 no nosso país.

Camarões: Padre jesuíta detido por fazer uma peregrinação a pé

Ludovic Lado, um padre jesuíta que se preparava para iniciar, sozinho e a pé, uma “peregrinação pela paz” entre as cidades de Japoma e Yaoundé, capital dos Camarões, foi detido pela polícia, que o acusou de estar a praticar uma “atividade ilegal na via pública”. O padre foi depois submetido a um interrogatório, onde o questionaram sobre eventuais motivações políticas e lhe perguntaram especificamente se era apoiante do líder da oposição, Maurice Kamto.

Entre margens

“Fratelli Tutti”: Corajoso apelo novidade

Paul Ricoeur distingue nesse ponto a solidariedade e o cuidado ou caridade. Se a solidariedade é necessária, não pode reduzir-se a uma mera lógica assistencial. É preciso cuidar. Se as políticas de Segurança Social têm de se aperfeiçoar, a sociedade é chamada a organizar-se para o cuidado de quem está só ou está a ficar para trás.

Este país ainda não é para velhos

A pandemia só veio tornar evidente o abandono social dos mais velhos. Colocar um familiar num lar de idosos tornou-se potencialmente perigoso, por isso há que apostar num novo modelo de respostas sociais para os seniores.

Uma espiritualidade com ou sem Deus?

Sempre que o Homem procura ser o centro-de-si-mesmo, o individualismo e o relativismo crescem gerando o autoconsumo de si mesmo. Espiritualmente, há uma espiral autocentrada presente nos livros de autoajuda e desenvolvimento pessoal, que na bondade da intenção, não têm a capacidade de ajudar a sair de um ciclo vicioso egoísta e possessivo. No vazio cabem sempre muitas coisas, mas nenhuma se encaixa verdadeiramente.

Cultura e artes

Museus do Vaticano com cursos e iniciativas online

Os Patronos de Artes dos Museus do Vaticano lançaram uma série de iniciativas e cursos em vídeo, que incluem conferências ao vivo ou uma “hora do café” de perguntas e respostas com especialistas. O objectivo é que os participantes e apoiantes dos museus permaneçam ligados durante a pandemia.

O capitalismo não gosta da calma (nem da contemplação religiosa)

A editora Relógio d’Água prossegue a publicação em Portugal dos ensaios de Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano radicado na Alemanha. O tom direto e incisivo da sua escrita aponta, num registo realista, as múltiplas enfermidades de que padece a sociedade contemporânea, que o autor designa como sociedade pós-industrial ou sociedade da comunicação e do digital, do excesso de produção e de comunicação. A perda dos referentes rituais – análise que o autor refere como isenta de nostalgia, mas apontando o futuro – é uma dessas enfermidades, com as quais a vivência religiosa está intimamente relacionada.

Documentário sobre Ferreira d’Almeida disponível na RTP Play

O documentário abre com Carlos Fiolhais professor de Física na Universidade de Coimbra, a recordar que a Bíblia é o livro mais traduzido e divulgado de sempre – também na língua portuguesa. E que frases conhecidas como “No princípio criou Deus o céu e a terra” têm, em português, um responsável maior: João Ferreira Annes d’Almeida, o primeiro tradutor da Bíblia para português, trabalho que realizou no Oriente, para onde foi ainda jovem e onde acabaria por morrer.

Uma simples prece

Nem todos somos chamados a um grande destino/ Mas cada um de nós faz parte de um mistério maior/ Mesmo que a nossa existência pareça irrelevante/ Tu recolhes-te em cada gesto e interrogação

Sete Partidas

Outono em Washington DC: cores quentes, cidade segregada

Vou jantar fora com um grupo de amigas, algo que parece impensável nos dias que correm, e fico deslumbrada com o ambiente que se vive nas ruas, deparo-me com inúmeros bancos de jardim que agora se transformaram em casa para alguém, algumas tendas de campismo montadas em Dupont Circle, a rotunda que define a fronteira invisível entre ricos e pobres.

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Parceiros

Fale connosco