Chegados a Maio de 2026, olhamos em redor e encontramos uma Humanidade profundamente doente. Nos anos 80, os anos do festival Live Aid e da queda do Muro de Berlim, sonhávamos com um mundo melhor. Um mundo mais justo e mais fraterno.

“Em busca de bondade humana”. Foto © Matt Collamer | Unsplash
Quase 50 anos depois, em pleno século XXI, vivemos hoje num mundo pior em várias vertentes. Um mundo marcado por guerras e conflitos, mentira, ganância desmedida e uma nova corrida aos armamentos. O mundo da Inteligência Artificial, mas ao mesmo tempo um mundo que aparenta menos sabedoria e menos bom senso em vários domínios. Um mundo com inúmeras redes sociais, mas com pessoas cada vez mais isoladas e dependentes de um ecrã de smartphone.
Hoje temos a liderar algumas nações um punhado de pessoas infelizes que, muito seguras de si e da sua pretensa “sabedoria”, procuraram espalhar a sua própria infelicidade e miséria aos restantes. Mergulhados na sua cegueira e doença, consideram-se seres superiores, iluminados, mas sem noção do real sentido da vida humana. E sem humanidade. Convenhamos que até mesmo um golfinho consegue ser mais “humano” do que estas pessoas. O seu cérebro vive num mundo irreal, infeliz, em que a única saída para a sua frustração é o vício, seja ele o de lucrar cada vez mais e mais dinheiro, seja ele o de ter mais e mais poder, seja ele o de poder conquistar e aniquilar outros países. Como se de um jogo de computador se tratasse.

O que nos torna afinal “seres humanos”? Foto © Jem Sahagun | Unsplash
E pergunto-me: como é que a Humanidade chegou a este ponto? Como uma criança pergunta: porquê?
Acredito que a origem de termos chegado a esta situação é estarmos a “virar as costas” ao nosso lado espiritual. Esse lado que temos tratado tão mal nesta sociedade dita “moderna“. Hoje, já não temos momentos de paragem, de contemplação, de silêncio, de interioridade, de oração.
Já não temos “tempo” para um encontro pessoal com essa Entidade a que chamarei simplesmente de Criador.
Da mesma forma que nenhum automóvel poderá durar muito sem ir ao “seu mecânico”, também nós não poderemos ter o nosso equilíbrio e “saúde do corpo e do espírito” sem alimentar a nossa componente espiritual.
E assim vamos tendo armas cada vez mais e mais poderosas, e pessoas cada vez menos e menos equilibradas. Não parece ser uma receita de sucesso. Pensemos, por exemplo, naqueles miúdos que disparam sobre os colegas nas escolas dos EUA. E infelizmente são muitos os casos; basta apenas terem uma arma na mão. Hoje miúdos de escola, depois quem sabe, chefes de Estado…

Planeta Terra: a nossa única casa. Foto © NASA | Unsplash
Saint-Exupéry escreveu que tudo no Homem é paradoxal. E é verdade. Somos uns enormes privilegiados; temos um pequeno paraíso para viver, um oásis de ar puro e águas cristalinas perdido num cantinho de um imenso universo inabitável. Um planeta belo e único, cheio de vida. A nossa única casa. E o que fazemos? Poluímos, sujamos, matamos e destruímos. Se analisarmos com atenção, observamos que o Homem é o único ser vivo à face da Terra que destrói o seu próprio habitat.
Mas podemos mudar de rumo. Afinal, quando nos enganamos no caminho, existe sempre a possibilidade de voltar atrás. Pelo menos enquanto estivermos vivos, essa oportunidade existe.
E, nem que seja pela nossa sanidade mental, há que manter a esperança. Sobretudo, há que focar a nossa atenção nos bons exemplos. Todas aquelas pessoas que, nos dias de hoje ou ao longo da História da Humanidade, têm defendido o diálogo, a não violência, a educação, a cultura, a igualdade, o respeito, a construção de um mundo mais justo e mais solidário.
Começando pelo exemplo de Jesus, que, independentemente da questão de fé de ser ou não o Filho de Deus, foi o maior exemplo que a Humanidade já teve. Ele defendeu o diálogo, o perdão, a paz, a relação de Amor com o próximo e com Deus. Ao ponto de dar a sua própria vida.
De modo semelhante, lembro-me também de Mahatma Gandhi. E há muitos, muitos, muitos outros grandes exemplos, dos quais, infelizmente, não ouvimos falar na comunicação social.
Em particular, recordo-me dos videntes de Fátima: Jacinta, Francisco e Lúcia. Pequenos no tamanho e na idade, mas com um coração gigante, cheio de um incomensurável Amor por Deus, por Nossa Senhora e pelo próximo. Pequenas candeias de uma luz imensa para iluminar as nossas vidas. E sempre que penso em Fátima, vêem-me à memória estas palavras: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido.” (Relato de Lúcia, de Outubro 1917)
Como este pedido da “Senhora mais brilhante que o sol” continua a ser tão actual…
Joaquim Jesus é engenheiro mecânico de formação académica, crente, e vê no contacto com a natureza uma forma de estarmos mais próximos de Deus. joaquim.pedro.jesus@gmail.com
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