
Martin Luther King a discursar. Foto © Direitos Reservados
Um dos mais aclamados sonhos do século XX foi revelado no dia 28 de Agosto de 1963, em Washington, capital federal dos Estados Unidos. O sonhador era Martin Luther King que anunciou às 250 mil pessoas que o escutavam atentamente o ressoar “o sino da liberdade” nas encostas de todas as montanhas. “Quando o deixarmos tocar nas aldeias e lugarejos, em cada Estado e cidade, ficamos em condições de apressar a chegada do dia em que todos os filhos de Deus, os pretos e os brancos, os judeus e os gentios, os protestantes e os católicos, poderão dar-se as mãos e cantar este velho cântico negro: ‘Livres enfim! Finalmente livres! Graças ao Todo-Poderoso, finalmente livres!”
Este sonho pode ecoar mais vibrantemente nos Estados Unidos da América em cada terceira segunda-feira de Janeiro nos EUA – o feriado em que se celebra o Dia de Martin Luther King, um visionário que tentou edificar um mundo de justiça, de igualdade e de liberdade.
Em Força para amar, ofereceu um poderoso testemunho das adversidades que foi chamado a enfrentar: “O telefone tocou e disse uma voz encolerizada: ‘Escuta, negro, estamos fartos de ti. Antes da próxima semana, estarás arrependido de teres vindo a Montgomery…’ Tinha atingido o ponto de saturação… Estava quase a abandonar… Havia decidido entregar o problema a Deus… Mas nesse momento tive consciência da presença divina como nunca. Era como se pudesse ouvir a tranquilidade e segurança de uma voz interior: ‘De pé para a justiça. De pé para a verdade! Deus estará sempre a teu lado’. A minha incerteza desapareceu e estarei pronto para a luta.”
Depois de, no início de Dezembro de 1955, Rosa Parks ter sido detida por não ceder o seu lugar a um branco, Martin Luther King liderou um prolongado boicote aos autocarros de Montegomery para denunciar o racismo que obrigava os negros a cederem o lugar aos brancos. Terá sido esta acção a empurrar Luther King para a primeira linha do combate contra a discriminação racial. Embora tenha sido sempre um activista não violento, reconhecido com o Prémio Nobel da Paz em 1964, Martin Luther King foi assassinado por um segregacionista branco em Memphis, no Tennessee, no dia 4 de Abril de 1968.
Uma campanha nacional de reconhecimento do papel de Martin Luther King na luta pela igualdade levou o Presidente Ronald Reagan a assinar em 1983 a lei que estabelece um feriado nacional para o homenagear. Calha na terceira segunda-feira de Janeiro, pela proximidade com a dia de aniversário de nascimento, a 15 de Janeiro. Vários Estados, de distintos modos, sabotaram a iniciativa e apenas a partir do ano 2000, o Martin Luther King Day passou a ser comemorado oficialmente em todos os Estados Unidos da América.
Os ensinamentos de Martin Luther King devem merecer mais atenção, particularmente o que explica que “todos os juízos apressados são nefastos, mas o de rejeitar um homem por causa da cor da pele é o mais desprezível de todos”.










