O inferno de Moria, parte II (um testemunho)

e | 17 Set 20

Um barbeiro iraniano no campo de Moria (ilha de Lesbos, Grécia), em Janeiro de 2020: muitos refugiados faziam pela vida, no campo. Agoram, estão ao relento, sem nada. (na foto de capa: uma vista do campo, na mesma altura) Fotos © Cláudia Valente, cedida pela autora.

 

Escrevíamos no 7 MARGENS no início de Março, após duas semanas de trabalho voluntário em Moria, que “o título não é original, mas inferno define bem o que por lá se passa”. Nessa altura, não imaginávamos que as chamas se juntassem a tudo o resto, dando ainda mais razão a esse título.

Este é um texto difícil de escrever. Não temos informações novas para partilhar. Não temos palavras de esperança para dizer. Temos uma angústia que não conseguimos explicar e uma revolta por não conseguir fazer nada de muito relevante para ajudar aquelas pessoas.

Enquanto escrevemos, assinamos petições, vamos a manifestações, doamos dinheiro para as ONG’s, 20 mil pessoas continuam na ilha de Lesbos (agora fala-se em 13 mil). Continuam à espera. À espera de tudo: da autorização para saírem daquele inferno, mas também à espera que alguem lhes dê comida, água, roupa, cuidados médicos… Estas pessoas que ficaram sem o seu abrigo após o incêndio, estão na estrada que passa no campo, em direcção a Moria. Desta vez, não foram para mais longe, porque a polícia não deixou. E estão sem nada. As mulheres grávidas; os menores sem família; os bebés de colo; as famílias com miúdos pequenos. Sem nada. As ONG’s não têm condições de segurança e são poucas as que se mantêm no terreno. Se já antes a resposta não era suficiente, quem é que agora arranja cuidados médicos para as grávidas? Ou comida para os bebés? Ou água? Ou um cobertor para passar a noite no alcatrão?…

Estão sem nada a não ser a esperança numa Europa que faz muito pouco para resolver este drama.

Estão enganados e este engano traz-nos um misto de vergonha e de revolta. Porque não tinha de ser assim. A Grécia não pode lidar sozinha com isto, muito menos as ilhas de Lesbos ou de Samos. Mas a União Europeia pode. Pode receber estas pessoas e, entretanto, dar condições para os migrantes viverem dignamente. Quanto mais tempo se demorar, mais cresce a aversão dos habitantes locais aos migrantes; mais desesperados ficam uns e outros e, por incrível que pareça, o inferno vai ficar ainda mais inferno.

Deixamos algumas ligações com sugestões e iniciativas para as quais cada pessoa pode contribuir. Sendo pouco, estão ao nosso alcance. Afinal, temos a obrigação de ficar no lado certo da história.

 

(Carta Dirigida ao Governo Português:)
https://docs.google.com/document/u/0/d/1wqSTAi4U92vdH3Uhk3cUkJ5MdUD2B8bk6odoti3Sl4Q/mobilebasic

https://www.sean-binder.com/end-moria

https://www.facebook.com/hubb.humansbeforeborders/

www.change.org/firemoriacamp

https://www.givengain.com/c/refugee4refugees/

João Valente, Cláudia e Rui Valente, que estiveram como voluntários, em janeiro, no campo de refugiados de Moria

 

Rui e Cláudia são gestores, pais do João, estudante e o mais velho dos seus quatro filhos; estiveram durante duas semanas em Lesbos como voluntários na Refugee4Refuguees, em janeiro de 2020.

 

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