Relator do Sínodo dos Bispos

O Instrumentum Laboris “será um texto curto”

| 29 Abr 2023

cardeal jean-claude hollerich foto vatican media sem creditos

O cardeal Jean-Claude Hollerich é o relator da assembleia sinodal. Foto © Vatican Media.

 

O Instrumentum Laboris que vai ser divulgado no mês de maio “será um texto curto” dirigido aos participantes na primeira sessão do Sínodo sobre a sinodalidade, para ajudar a que “os membros do Sínodo se possam expressar”, favorecendo “a partilha e a participação”, esclareceu o cardeal Jean-Claude Hollerich, relator-geral da próxima assembleia sinodal, em entrevista aos média do Vaticano.

“Temos um Sínodo de dois anos pela frente e não há pressa. Não devemos chegar a um compromisso artificial. Temos tempo para compreender verdadeiramente o que Deus está pedindo à sua Igreja no mundo de hoje”, sublinhou Hollerich que, na entrevista publicada no Osservatore Romano de 28 de abril, acrescenta com bonomia a propósito do documento que servirá como guia preparatório da reunião do próximo mês outubro: “Espero que os participantes sintam a liberdade de poder dizer: vamos deitá-lo fora, vamos fazer outra coisa.”

A razão próxima do encontro com os jornalistas dos vários meios de comunicação do Vaticano era explicar a recente decisão do Papa Francisco sobre a recomposição da assembleia sinodal [ver 7MARGENS], mas o cardeal pouco adiantou sobre essa matéria. Referiu apenas que os leigos (homens e mulheres) que agora vão ter assento, palavra e voto durante o Sínodo “terão uma missão especial, pois já tiveram uma grande experiência de sinodalidade nas dioceses, a nível das conferências episcopais e, finalmente, a nível continental”, experiência que “nem todos os bispos que participarão tiveram”. Deste modo, “a tarefa desses novos membros é testemunhar o que viveram” durante o processo sinodal “e comunicá-lo” na assembleia sinodal.

Evitar “as outras questões” e o parlamentarismo

Respondendo a outras perguntas sobre o Sínodo e o processo sinodal, Hollerich deu voz ao que parecem ser as três preocupações principais do Vaticano perante os ‘sobressaltos’ que a escuta do Povo de Deus tem provocado ao longo destes dois anos: descentrar o Sínodo dos temas ‘fraturantes (‘”as outras questões”) que têm surgido em todos os continentes; reduzir a liderança e o protagonismo dos órgãos romanos do Sínodo dos Bispos (secretaria-geral e comissões criadas especificamente para este Sínodo) para os entregar aos bispos que participarão da assembleia de outubro; e evitar a expressão de grupos com expectativas antagónicas em relação ao resultado deste Sínodo.

na conferência de imprensa realizada no final de um encontro de sete dias que decorreu à porta fechada, reunindo membros da secretaria-geral e da Comissão Preparatória do Sínodo, o arcebispo Timothy Costell dissera que “há um consenso crescente de que o atual processo” aponta para que “o Vaticano confira maior importância às autoridades de cada Igreja local”. Essa devolução do protagonismo aos bispos diocesanos ficou agora reforçada pelo modo como Hollerich ‘desvalorizou’ a importância do Instrumentum Laboris e limitou os seus destinatários aos participantes na assembleia sinodal, quando anteriormente o documento tinha sido referido como um modo de envolver todo o Povo de Deus na preparação desta fase crucial do processo sinodal.

Para tentar reduzir a tensão que “as outras questões” como a ordenação das mulheres e as exigências de uma revisão profunda da doutrina católica sobre a sexualidade, ou de uma maior participação e responsabilização dos leigos na definição das prioridades e na gestão das comunidades católicas – para citar apenas alguns desses temas – Hollerich foi perentório nas respostas aos jornalistas: “O Sínodo tem um título e este título é um desafio para nós: sinodalidade, comunhão, participação, missão. O Sínodo concentrar-se-á nisso, não em todas as outras questões. Não estou a discutir se as outras questões são importantes, ou não. Havemos de as levar ao Santo Padre, para que ele reflita sobre elas como quiser. Mas o Sínodo será sobre sinodalidade.”

De igual modo, tratando de desarmar alguma cristalização de posições, o cardeal reafirmou o que vem sendo lembrado pelo Papa Francisco, usando mais do que uma vez a expressão “o Sínodo não é um parlamento”, e sublinhando que na Igreja Católica “não temos um parlamentarismo sinodal, onde a maioria decide e todos seguem”, pelo contrário, “esse tipo de parlamentarismo eclesiástico pertence mais à sinodalidade dos nossos irmãos protestantes”.

Perguntado sobre se se poderia dizer que “no centro da próxima Assembleia Geral está esta forma de ser Igreja, não estão questões específicas”, o relator-geral respondeu: “Sim, e penso que isso também é uma resposta à doença do nosso tempo. Porque o que caracteriza nosso tempo pós-moderno ou digital, como quisermos chamá-lo, é um individualismo cada vez mais pronunciado. E vemos que com esse individualismo a humanidade não pode sobreviver: precisamos de componentes comunitárias para sobreviver. Depois, há o fenómeno da crescente polarização, na sociedade e nos média, inclusive os da área do catolicismo. O Povo de Deus que caminha junto é uma resposta a essas tendências. Atenção: não é que tenhamos ‘inventado’ a sinodalidade para responder a essas tendências, mas é o Espírito Santo que neste período despertou em nós o desejo de sinodalidade que as primeiras comunidades cristãs já experimentaram. E esta é uma forma de responder aos desafios que enfrentamos, sem esta resposta [as componentes comunitárias] a humanidade corre perigo”.

 

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