
Líbano. Destruição em Beirute depois da explosão de 4 de Agosto de 2020. Foto © Anwar Amro/MECC/WCC-CEI.
“O país está como que completamente destruído, em colapso. É o falhanço do Estado nos seus pilares essenciais. As pessoas já não conseguem pagar as suas despesas, as suas dívidas”, afirma a diretora da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) em Portugal, Catarina Martins de Bettencourt, após uma visita de quatro dias ao Líbano, numa nota enviada ao 7MARGENS esta sexta-feira 8 de abril.
“O que mais me chocou foi o desespero das pessoas. Tantas famílias que caíram na pobreza, tantas famílias que já não conseguem dar de comer aos seus filhos sem a ajuda da Igreja ou de instituições de solidariedade”, sublinha a responsável. Durante a viagem, que levou a equipa da Fundação AIS não só à capital libanesa mas também ao Vale Sagrado, na zona noroeste do país, e a Deir Al-Qhmar, junto à fronteira com a Síria, foi possível escutar os lamentos dos que passaram a precisar de ajuda para sobreviver no dia-a-dia.
De acordo com Catarina Martins de Bettencourt, uma das consequências mais dramáticas da crise é a fuga das populações. “Todos os dias saem pessoas do Líbano”, refere. “Isto é extremamente grave. Podemos dizer que a comunidade cristã está de saída. O Líbano é ainda o último país com uma grande comunidade cristã no Médio Oriente, cerca de 20 a 30 por cento da população, mas se as coisas continuarem assim, o futuro vai ser muito, muito difícil. Estamos a assistir mesmo ao esvaziar da presença cristã nesta região do globo.”
O porta-voz do Vaticano confirmou esta terça-feira,6, que uma viagem do Papa Francisco ao Líbano “está em estudo”. A presidência libanesa anunciou, no mesmo dia, que o núncio apostólico, o arcebispo Joseph Spiteri, informou “o presidente da República, Michel Aoun, de que o Papa Francisco vai visitar o Líbano em junho”.










