
É com a colaboração de reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga que vão sendo construídos os mais de 90 cenários do Presépio ao Vivo de Priscos. Foto © Presépio ao Vivo de Priscos.
Na aldeia de Priscos, a 9 km de Braga, ultimam-se os preparativos para o regresso daquele que é o “maior presépio ao vivo da Europa”. A 17ª edição do Presépio ao Vivo de Priscos abre no dia 10 de dezembro, pelas 11 horas, e poderá ser visitada até 14 de janeiro. O pároco de Priscos, João Torres, não esconde o orgulho: não tanto pelas dimensões do presépio, mas sobretudo porque, ligado a ele, há o projeto “Mais Natal Priscos”, o qual, ao longo dos últimos oito anos, já apoiou cerca de 50 reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga.
É com a colaboração de reclusos daquele estabelecimento prisional que, ao longo de todo o ano – no âmbito de um protocolo assinado entre a paróquia e a Direção geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), vão sendo construídos os mais de 90 cenários – com referência às culturas egípcia, judaica, romana, assíria, grega e babilónica – do imenso presépio que se estende por uma área de 30 hectares.
Os reclusos cumprem um horário de trabalho entre as 8h30 e as 17 horas, com intervalo de 60 minutos para almoço, e recebem renumeração mensal. Uma parte do vencimento, cerca de metade, fica retida numa conta para que os reclusos possam fazer “um pé-de-meia” que lhes será devolvido quando saírem em liberdade. “Nem todos têm suporte familiar que lhes garanta uma saída tranquila”, explica o padre João Torres, numa nota enviada à agência Ecclesia.
A refeição é feita “num espaço público”, no qual os presos convivem com pessoas da comunidade e nas suas deslocações utilizam os Transportes Urbanos de Braga (TUB), com o apoio da Câmara Municipal de Braga. Trata-se de uma “inovação social dentro das experiências realizadas em Portugal”, sublinha o pároco.
O Presépio ao Vivo de Priscos é, assim, “uma esperança, talvez mesmo um sonho que começou a realizar-se, na vida de muitos reclusos”, dado que passam a ser “considerados não apenas pelo crime cometido, pelo qual estão a cumprir pena de prisão, mas também pela capacidade de fazer o bem”, destaca o também coordenador da Pastoral Penitenciária na Arquidiocese de Braga.
“Permitir que reclusos antes do fim da sua pena passem algum tempo na comunidade é um elemento vital para sua reintegração na sociedade. Pode ajudá-los a obter uma valiosa experiência de trabalho, obter qualificações ou aprender novas habilidades, não só técnicas, mas também sociais”, assinala ainda. Essa reabilitação, defende, “pode ser um fator-chave que determina se um recluso será integrado na sociedade após a pena de prisão”.
Para o padre João Torres, não restam dúvidas: “a melhor forma de evitar novas vítimas e de compensar tanto quanto possível aqueles que sofreram o crime é esforçarmo-nos por garantir que não haja mais crimes, que os infratores sejam devidamente atendidos, que assumam a responsabilidade pelos seus crimes, que peçam perdão e tentem indemnizar as vítimas e que, finalmente, a reconciliação seja possível”.
Os dias e horários em que será possível visitar o Presépio ao Vivo de Priscos e descobrir o resultado do trabalho destes reclusos podem ser consultados no site oficial da iniciativa.









