O menino que não via o sol, mas que o tinha dentro de si

| 5 Set 20

O livro O Menino que Não Via o Sol será apresentado neste sábado, 5 de setembro, na Feira do Livro de Lisboa, às 16h15. A sessão decorre no Auditório Poente, com a intervenção de Teresa Fragoso, presidente da Comissão para a Cidadania  Igualdade de Género.

 

Mussa era o menino cego que não via o sol. Mas via o que não viam nenhum dos outros meninos e meninas da aldeia, nenhuma das mulheres grandes ou dos homens crescidos. O modo de Mussa ver era sentir. E foi a sentir, com uma luz que vinha do coração, que, um dia, Mussa salvou os outros meninos e meninas seus amigos. Mussa não via o sol, porque tinha o calor dentro dele.

A história d’O Menino que Não Via o Sol, escrita por Inês Leitão e ilustrada por Carla Lobato, inspira-se na tradição cultural guineense. Fala de uma aldeia em que as crianças que nasciam cegas eram levadas para o mato e abandonadas. Mussa virá quebrar o enguiço e mostrar que mesmo alguém nessa circunstância pode ser (é…) importante para a comunidade.

O Menino que não via o sol. Livro. Carla Lobato

Ilustração do livro O Menino que não via o sol. © Carla Lobato

 

Antes disso, porém, há um facto da ordem do maravilhoso: quando Mussa nascera e quando se descobriu que era cego, uma seca grave atingia a aldeia e “a comida não crescia do chão”. Por isso, Mussa, apesar de ser filho de chefe, era, segundo o curandeiro, o culpado pela maldição que a todos atingira. Mas, perante o choro da mãe, que não queria que o seu filho fosse levado para morrer, o céu começou também a chorar e a chover.

Esta história é, portanto, uma narrativa pedagógica: em tempos em que nos sentimos ameaçados pela globalização e pela uniformidade, tendemos a acentuar particularismos ou nacionalismos, por exemplo, sempre na lógica da recusa do que é diferente, e não com o sentido de descobrir nesses particularismos um factor de diversidade que só nos torna mais ricos a todos – indivíduos ou sociedades.

O que nos torna iguais em dignidade é a nossa diferença, quer este livro dizer-nos. O que ele pretende é que as crianças aprendam e apreendam a importância das diferenças, da inclusão, do respeito e do entendimento pelos universos culturais de outros – outros que, como Mussa, até aprendiam a tocar kora…

O Menino que não via o sol. Livro. Carla Lobato

Ilustração do livro O Menino que não via o sol. © Carla Lobato

 

História curta, O Menino que Não Via o Sol é grande na sua metáfora: aquela aldeia é o mundo inteiro, Mussa são todas as pessoas vítimas de preconceitos colectivos ou individuais, que apenas acabam resgatadas pelo amor – no caso, pela sua mãe, que entende que o filho pode, até, chegar a chefe da aldeia, como a história conta no seu desfecho.

Além da história e do texto de Inês Leitão, as ilustrações são outro bom argumento para nos aproximarmos do livro, com a vibração das cores que nos remetem imediatamente para África. Um livro alegre, no fim, para nos redimir destes tempos de sombra.

 

O Menino que Não Via o Sol
de Inês Leitão (texto) e Carla Lobato (ilustrações)

Edição: Paulus, 40 páginas

 

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