O meu Credo sempre renovado

| 29 Out 21

Obra de Enrique Mirones, monge do mosteiro cisterciense de Sobrado dos Monxes, Galiza. Foto © Paulo Bateira, cedida pelo autor

 

O Sínodo católico de 2021-23 alerta para a falta de congruência entre o que professamos e o como vivemos. Ora o Credo de Niceia é sobretudo uma tentativa de justificação filosófica do desenvolvimento histórico da maneira de compreender o Deus professado e vivido por Jesus Cristo. Mas as suas posições dogmáticas tornaram-se belicosas, como se alguns “chefes” católicos quisessem gritar a condenação de todos os crentes que, de modo diferente, respeitam o mistério de Deus e a inteligência humana. Baseado no único e já tão esquecido “símbolo dos Apóstolos”, no Pai Nosso e em muitas passagens da Bíblia, o meu credo pessoal, sempre renovado, procura ser exemplo de um estilo e conceitos simples que possam exprimir e aprofundar o sentir e agir humano que nos aproxima do indizível Mistério de Deus, bem como do Mistério da sua presença na História da Humanidade:

 

Creio em Deus
Fonte de Amor e de Vida
E que entregou ao nosso cuidado
As maravilhas do céu e da terra.
Creio em Jesus, e que é chamado Cristo
Por ter sido escolhido por Deus
Como Filho muito amado
Para anunciar a verdadeira Libertação.
Ensinou-nos a tratar Deus como Pai
Tão perfeito que inclui todo o amor de Mãe.
Deixou-se guiar pelo Espírito divino
E cresceu em graça e sabedoria
Junto de seus Pais em Nazaré.
Foi condenado à morte por defender sem cobardia
A Dignidade de todos os seres humanos.
Foi crucificado, morto e sepultado.
Revelou-se ao terceiro dia
Às mulheres e homens que o seguiam,
Como vivente na eterna Vida de Deus.
Ensinou-nos o Caminho para a Vida
E a defender o Amor e a Verdade.
Creio que o Espírito santo de Deus
Nos acompanha, anima e ilumina
E reúne toda a gente de Boa Vontade
Numa só Família de filhos de Deus.
Creio no perdão a quantos se arrependem
De todas as faltas, por actos e omissões,
Contra o Bem e a Beleza
Da universal Casa Comum.
Creio no Reino de Deus,
Reino de justiça e de paz
Que todos vamos construindo
Livremente responsáveis na mesma empresa divina.
E creio na Vida já livre de todo o mal
Onde nos juntaremos um dia
Na festa da Paz e Alegria
Que Deus preparou para toda a Humanidade.
AMEN.

 

Manuel Alte da Veiga é professor aposentado do ensino universitário.

 

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Onde menos se espera, aí está Deus

Onde menos se espera, aí está Deus novidade

Por vezes Deus descontrola as nossas continuidades, provoca roturas, para que possamos crescer, destruir em nós uma ideia de Deus que é sempre redutora e substituí-la pela abertura à vida, onde Deus se encontra total e misteriosamente. É Ele, o seu espírito, que nos mostra o nosso nada e é a partir do nosso nada que podemos intuir e abrir-nos à imensidão de Deus, também nas suas criaturas, todas elas.

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