O movimento descendente como vocação cristã

| 14 Abr 20

(a partir de Henri Nouwen)

Diz-se no Credo cristão: “(…) foi crucificado, morto e sepultado; / desceu à mansão dos mortos; / ressuscitou ao terceiro dia (…).” Jesus Cristo desceu aos Infernos ou “mansão dos mortos”; em hebraico, no Antigo Testamento, sheol significa morte e inferno.

Segundo Joseph Ratzinger, “então jovem teólogo”, comenta o teólogo jesuíta espanhol Juan Masiá Clavel, em El que vive, “descer aos infernos é baixar até ao fundo da mais profunda solidão”. Jesus, tal como o ser humano, experimentou essa solidão.

Jesus de Nazaré resistiu até ao fim “a qualquer movimento ascendente”, afirma Henri Nouwen, e sofreu a morte mais miserável, mais humilhante que existia. Os primeiros cristãos cantavam este hino a Cristo que surge na Carta aos Filipenses (Filipenses 2, 6-8): “Ele que era de condição divina / não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. / Mas despojou-se de Si mesmo / tomando a condição de servo (…) humilhou-se a Si mesmo / feito obediente até à morte / e morte de cruz. / Por isso é que Deus O exaltou (…) / Para que ao nome de Jesus, / todo o joelho se dobre / nos Céus, na Terra, nos Infernos / e toda a língua confesse / que Jesus Cristo é o Senhor/ para glória de Deus Pai.”

“Passou a porta pela qual temos que passar sós. (…) resgatou-nos dessa morte que era o Inferno. (…) e abriu a porta.”

Ressuscitar “é viver definitivamente no seio da Fonte divina da Vida”. Por isso, diz Juan Masiá, “Ele é! Ele que vive!” (Apocalipse, 1,18).

Como se demonstra isto? Servindo o Senhor, neste mundo, através do amor. Na oração pessoal e comunitária. Na Eucaristia.

 

Maria Eugénia Abrunhosa é licenciada em Românicas e professora aposentada do ensino secundário; foi monja budista zen e integrou a Comunidade Mundial de Meditação Cristã.

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