
A missa de abertura da Jornada, no Parque Eduardo VII, em Lisboa: “A realidade consiste em sair para ir ao encontro dos outros e do mundo tal como ele é, tanto para o admirar como para o melhorar” Foto ©️ Sebastião Roxo/JMJ Lisboa 2023.
“O mundo novo começa na novidade de cada encontro e na sinceridade da saudação que trocamos, para que sejamos pessoas entre pessoas, numa visitação mútua e constante!”, afirmou esta terça-feira, 1 de agosto, o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, na homilia da missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude, na véspera da chegada do Papa Francisco a Portugal.
Perante um Parque Eduardo VII repleto de peregrinos de origens diversas e que compunham um quadro multicolor, o patriarca começou por lhes dar as boas-vindas, desejando que todos se sintam “em casa” e glosou o mote desta Jornada: “Maria pôs-se a caminho, dirigiu-se apressadamente para a região montanhosa, entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel”.
Manuel Clemente procurou apresentar uma imagem de Maria como alguém próxima dos jovens de hoje: pela idade, pela gravidez, pelo caminho difícil que teve de percorrer (para visitar a prima Isabel, mas também na trajetória que percorreu na sua vida).
A vida como um caminho a percorrer foi a proposta que deixou aos milhares de peregrinos: caminho que obriga a sair, a lidar inteligentemente com aquilo que pode fazer cada um deter-se no seu caminhar, como seja o ficar-se pelo mundo virtual dos ecrãs.
Neste ponto, o cardeal observou que “a realidade virtual mantém-nos sentados em frente a meios que facilmente nos usam quando pensamos que [somos nós que] os usamos”. “Pelo contrário, a realidade consiste em sair para ir ao encontro dos outros e do mundo tal como ele é, tanto para o admirar como para o melhorar” e “Nada pode substituir este caminho pessoal e este caminho em conjunto, para encontrar o caminho de todos”, acrescentou.
Acerca da “pressa” de Maria para ir contar a dádiva que tinha recebido – a de ter concebido o filho de Deus, como acreditam os cristãos – o patriarca de Lisboa recordou que “quando o coração está cheio, rapidamente transborda” e nem precisa da compreensão das palavras para o partilhar, bastando, muitas vezes, uns “olhos [que] falam”.
Clemente revelou que, quando anunciou ao Papa o lema da JMJ – “Maria levantou-se e saiu apressadamente” – Francisco fez notar: “com pressa sim, mas não com ansiedade”, já que, explicou agora o cardeal, “a ânsia é por aquilo que ainda não temos”, ao passo que a pressa “é para partilhar o que já nos puxa para a frente”. E chamou a atenção para a alegria e o reconhecimento mútuo do encontro entre Maria e Isabel que levou esta a exclamar: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”, que os cristãos continuam a evocar, numa das suas orações mais conhecidas. “E Maria respondeu às palavras de Isabel com um dos mais belos hinos que cantamos desde esse momento, o Magnificat”.
Este acolhimento recíproco da mãe de Jesus e da mãe de João serviu de pretexto ao bispo Manuel Clemente para agradecer também o acolhimento de famílias e instituições portuguesas que acolheram os peregrinos da JMJ, alertando que “muito disto falta mesmo no mundo em que vivemos, quando não notamos a presença dos outros, nem reparamos nos outros que encontramos como deveríamos”.










