Multidões regressam a Fátima

“O mundo precisa da Ucrânia livre, mas precisa também da Rússia”

| 12 Mai 2022

A icónica procissão das velas, esta quinta-feira, dia 12, no regresso das multidões ao Santuário de Fátima. Foto © Santuário de Fátima.

A icónica procissão das velas, esta quinta-feira, dia 12, no regresso das multidões ao Santuário de Fátima. Foto © Santuário de Fátima.

 

“Temos de chegar a um mundo diferente: o mundo precisa da Ucrânia livre, mas precisa também da Rússia”, afirmou o bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, na conferência de imprensa que marcou o início da peregrinação de 12-13 de Maio, em Fátima, nesta quinta-feira. 

Durante o dia, o santuário foi-se enchendo progressivamente de peregrinos, naquela que é a primeira “peregrinação sem restrições impostas pela pandemia”, como afirmou o reitor, padre Carlos Cabecinhas. Ao final da tarde, a GNR falava de cerca de 300 mil pessoas que estariam em Fátima. 

O tema da paz no mundo “e de modo especial” na Ucrânia esteve presente nos vários momentos da peregrinação deste dia 12, e notava-se na presença de algumas bandeiras ucranianas no recinto. E voltará a estar ao final da manhã desta sexta-feira, 13, quando ao concluir a eucaristia for benzida uma imagem da Senhora de Fátima que irá ser oferecida à catedral de Lviv, na Ucrânia. 

Ao rezar “pela paz na Ucrânia”, o santuário não esquece que há também “soldados russos” no país invadido, disse o reitor do santuário. “Na nossa oração pedimos pelas vítimas da guerra e há milhares de vítimas também do lado russo.”

“A guerra é o pior que a humanidade pode fazer”, disse ainda o bispo Ornelas. “A guerra e qualquer opressão, particularmente sobre os mais inocentes e os mais frágeis.”

Antes, o reitor referira-se também às alusões à Rússia no texto do chamado segredo de Fátima: “Não estamos a pedir a conversão da Rússia, estamos a pedir a paz”, insistiu, perante os jornalistas. Isso “não tem que ver com um regime ateu que procura impor o ateísmo a um país”, como era o caso da União Soviética e das primeiras referências da vidente Lúcia ao tema do “comunismo ateu”, no final da década de 1920. “Estamos a falar de uma deriva imperialista de um país que, violando as leis internacionais, invade um outro país, provocando uma guerra, que nunca é solução para coisíssima nenhuma mas é uma fonte terrível de problemas”, afirmou. 

 

A icónica procissão das velas, esta quinta-feira, dia 12, no regresso das multidões ao Santuário de Fátima. Foto © Santuário de Fátima.

A peregrinação de 2022 fica marcada pelo regresso das multidões ao Santuário de Fátima, depois das restrições da pandemia. Foto © Santuário de Fátima.

 

Carlos Cabecinhas advertiu ainda contra a instrumentalização política da mensagem: “Temos de nos precaver completamente contra uma visão ideológica da mensagem de Fátima como se estivéssemos em 1917 ou 1918.”

Nesse sentido, o texto do segredo, que foi revelado em Maio e Junho de 2000, “não tem que ver com geografia e com um povo, tem que ver com uma ideologia”. E explicou: “O que está no horizonte da mensagem de Fátima é uma ideologia que pretende, de forma radical, excluir Deus daquilo que é o horizonte das pessoas.”

Por contraste, a situação actual não é essa: “Neste momento, na Ucrânia, não temos uma guerra religiosa”, afirmou o padre Carlos Cabecinhas. “Não temos por um lado um regime que procure afastar Deus do horizonte das pessoas e, do outro, um regime que procure defender essa presença de Deus.” E mesmo quando o Papa propõe a consagração da Rússia e da Ucrânia a Nossa Senhora, como foi o caso do acto litúrgico feito em 25 de Março, um mês depois da invasão, “falamos da necessidade constante de oração pela paz no mundo”. 

O novo bispo de Leiria-Fátima, que tomou psose há dois meses, em substituição do cardeal António Marto, acrescentou que é importante recordar que os “primeiros destinatários da mensagem de Fátima são três crianças que vivem em guerra”, aproveitando para enfatizar que a guerra é uma “enormidade”. A histórica bíblica em que Jesus é levado em fuga para o Egipto continua hoje presente na humanidade, disse José Ornelas, com “as mães que fogem com os seus filhos”, tornando-se “um símbolo de uma humanidade que é convidada a traçar outros rumos”. 

O que a mensagem de Fátima faz é falar “não só das consequências dramáticas de destruição e de morte – de quanto é que vai ser preciso para reconstruir um país – mas também das consequências que [a guerra] vai ter para o mundo inteiro”, com a falta de alimentos ou o aumento dos preços da energia…

 

Os confins da fenomenologia

Emmanuel Falque na Universidade de Coimbra novidade

Reflectir sobre os confins da fenomenologia a partir do projecto filosófico de Emmanuel Falque é o propósito da Jornada Internacional de Estudos Filosóficos, “O im-pensável: Nos confins da fenomenalidade”, que decorrerá quinta-feira, dia 26 de Maio, na Universidade de Coimbra (FLUC – Sala Vítor Matos), das 14.00 às 19.00. O filósofo francês intervirá no encerramento da iniciativa.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“A grande substituição”

[Os dias da semana]

“A grande substituição” novidade

Outras teorias da conspiração não têm um balanço igualmente inócuo para apresentar. Uma delas defende que estamos perante uma “grande substituição”; não ornitológica, mas humana. No Ocidente, sustentam, a raça branca, cristã, está a ser substituída por asiáticos, hispânicos, negros ou muçulmanos e judeus. A ideia é velha.

Humanizar não é isolar

Humanizar não é isolar novidade

É incontestável que as circunstâncias de vida das pessoas são as mais diversas e, em algumas situações, assumem contornos improváveis e, muitas vezes, indesejáveis. À medida que se instalam limitações resultantes ou não de envelhecimento, alguns têm de habitar residências sénior, lares de idosos, casas de repouso,…

Agenda

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This