
Da esquerda para a direita: Jo Bailey Wells, Giuliva Di Berardino e Linda Pocher com o Papa Francisco, após a reunião do Conselho dos Cardeais, a 6 de fevereiro de 2024. Foto © Instituto Filhas de Maria Auxiliadora
A teóloga italiana Linda Pocher, uma das três mulheres que participaram, a convite do Papa, na reunião do Conselho dos Cardeais que decorreu no início desta semana, garante que Francisco “está muito a favor do diaconado feminino”, ainda que a ordenação de mulheres não se encontre, pelo menos por enquanto, em cima da mesa.
“Não há reflexão sobre a ordenação presbiteral de mulheres na Igreja Católica”, sublinhou a irmã salesiana, em declarações à Europa Press, citadas no El Diário desta quinta-feira, 8 de fevereiro.
Foi Pocher quem, a pedido de Francisco, coordenou a participação na reunião da bispa da Igreja Anglicana e secretária-geral adjunta da Comunhão Anglicana, Jo Bailey Wells, para que esta desse o seu contributo sobre o papel das mulheres na Igreja [ver 7MARGENS].
“O Papa pediu-me para organizar este encontro de reflexão sobre o mundo das mulheres na Igreja e achei interessante confrontar a experiência da Igreja Anglicana a este respeito. O que comecei por pedir à bispa foi que dissesse que tipo de processo seguiram para chegar à decisão de ordenar mulheres e como isso mudou a vida na sua Igreja. Então o que ela fez foi relatar uma experiência, sobre a qual discutimos mais tarde juntamente com os cardeais e o Papa”, detalha.
Na reunião, participou também Giuliva Di Berardino. consagrada da Ordo Virginum, da diocese de Verona, a quem Pocher pediu por sua vez que interviesse sobre “os possíveis ministérios para as mulheres na Igreja Católica, sobre as possibilidades que são realisticamente viáveis atualmente na Igreja”.
“Também se falou do diaconado. Já sabemos que o Papa é muito a favor do diaconado feminino, mas ainda é algo que estamos a tentar perceber como colocar em prática”, referiu Pocher, que já tinha estado presente na reunião anterior do Conselho dos Cardeais, em dezembro de 2023.
O que é certo é que o Papa “está a mudar a forma de pensar e de viver a diferença entre o ministério ordenado e o sacerdócio batismal, estendendo a todos os batizados alguns direitos que até recentemente pertenciam aos bispos, padres ou religiosos”, assinala a teóloga. Exemplo disso foi a extensão do voto às mulheres, na última assembleia sinodal.
Quanto ao Conselho dos Cardeais, Linda Pocher considera que o grupo “esteve muito disposto a escutar”. “Tivemos um diálogo muito rico e aberto”, assinala. No entanto, alguns cardeais “eram mais abertos” e outros “menos” dependendo “também da cultura”, diz, lembrando que “os cardeais que estão no Conselho são todos pastores de igrejas locais. Por isso, eles também vêm carregados com as sensibilidades do seu próprio povo. Sabemos que a questão das mulheres na Igreja assume diferentes nuances. Em alguns países, elas ainda nem têm a possibilidade de estudar. Então, há que concentrar-se nisso primeiro; noutros países, porém, sabemos que existe uma exigência explícita de uma maior participação a nível da Igreja e também através dos ministérios”, conclui.









