O Papa para Tolentino Mendonça: “Tu és a poesia”

| 6 Out 19 | Cristianismo - Homepage, Igreja Católica, Newsletter, Papa Francisco, Últimas

Novo cardeal português, que foi cumprimentado por largas centenas de pessoas durante mais de duas horas, diz que o novo cargo é tão difícil quanto a vida de um desempregado, um refugiado ou um pai de família.

 

Vestes e insígnias cardinalícias já vestidas, Sala Régia do Palácio Apostólico – uma das mais belas e importantes –, ambiente de festa no Vaticano, neste sábado, 5 de Outubro, ao final da tarde: “Quando [o Papa] se abeirou de mim, eu disse-lhe baixinho: ‘Santo Padre, o que é que me fez?’ E ele riu-se e disse: ‘Olha, a ti eu digo aquilo que um poeta disse, ‘tu és a poesia’.” O curto diálogo foi contado aos jornalistas pelo próprio José Tolentino Mendonça, o novo cardeal português, investido sábado, na função de conselheiro do Papa.

“Foram palavras que eu guardo no meu coração, no fundo para dizer uma coisa essencial, que a Igreja conta com uma determinada sensibilidade, uma atenção a um determinado campo humano, que é o campo da cultura, das artes, da estética”, afirmou, antes de receber centenas e centenas de pessoas para o cumprimentar, entre amigos, clérigos, bispos, diplomatas ou políticos (entre os quais, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunen, em representação do Estado português).

“O Santo Padre considera que esse campo [da poesia] é também importante para a missão da Igreja e para aquilo que ela hoje é chamada a ser no mundo contemporâneo”, acrescentou, ainda em referência ao diálogo que teve com o Papa antes do início do consistório. Na cerimónia, além do barrete e do anel, o novo cardeal português receberia o título da igreja de São Domingos e Sisto, em Roma – na cerimónia, por lapso, o título da igreja São Jerónimo foi “atribuído” duas vezes, mas Tolentino Mendinça corrigiu depois a informação.

Nem só de poesia se fará a missão de um novo cardeal: “A vida vai-nos dando, pela mão de Deus, os caminhos, mais do que pesos”, afirmou, perguntado sobre os receios que porventura teria acerca da nova responsabilidade. “Porque a vida de um cardeal é pesada, mas a vida de um pai de família também é, a vida de um operário, a vida de um desempregado, a vida de um homem sobre a terra, a vida de um refugiado, a vida de alguém que constrói a sociedade.”

Poeta e investigador da Bíblia, Tolentino Mendonça acrescentou: “A vida é difícil para todos, também será para um cardeal. Mas também é bela, também é entusiasmante e é nisso que eu penso. Partilho a humanidade dos meus irmãos e faço com eles um caminho crente, um caminho de fé.”

 

Papa pede homens atentos as descartados

Com 53 anos (54 em Dezembro), Tolentino Mendonça é o segundo mais jovem membro do Colégio Cardinalício e é o terceiro cardeal português, além do patriarca de Lisboa e do bispo de Leiria-Fátima (Manuel Clemente e António Marto) a integrar um próximo conclave. Além destes três portugueses com direito a voto na eleição de um papa (por terem menos de 80 anos), há ainda outros dois portugueses: José Saraiva Martins e Manuel Monteiro de Castro.

Na mensagem que dirigiu a todos os novos 13 cardeais, na homilia do consistório, o Papa Francisco pediu-lhes que sejam pessoas com a “capacidade de ter compaixão” e, à semelhança de Jesus, atentos nomeadamente às “pessoas descartadas, aquelas que já estão sem esperança”.

“Muitos comportamentos desleais de homens de Igreja” ligam-se à “falta deste sentimento da compaixão recebida e do hábito de passar ao largo, do hábito da indiferença”, acrescentou o Papa, condenando o facto de, com frequência, os cristãos e “mesmo pessoas religiosas ou até ligadas ao culto” não mostrarem compaixão.

Francisco acrescentou ainda que por vezes se procuram “justificações” para a falta de compaixão, sobretudo “quando um homem de Igreja se torna um funcionário”. A compaixão, concluiu, é uma palavra-chave do Evangelho e “está escrita no coração de Cristo, está sempre escrita no coração de Deus”.

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Sex
Colóquio internacional Teotopias – Sophia, “Trazida ao espanto da luz” @ Univ. Católica Portuguesa - Polo do Porto
Nov 8@09:00_19:30

Fundacional para a percepção e expressão do mistério, a linguagem poética é lugar de uma articulação paradoxal, nada acrescentando à representação descritiva do mundo [Ricoeur]. Encontrando-se o positivismo teológico em crise, paradigma que sempre cedeu demasiado à obsessão pela verdade, tem-se vindo a notar um crescente interesse pelo estudo teológico de produções literárias como lugares de redenção da linguagem referencial, própria do discurso tradicional da teologia. Na sua performatividade quase litúrgica, a linguagem poética aproxima o objecto do discurso teológico do seu eixo verdadeiramente referencial: “a transluminosa treva do Silêncio” [Pseudo-Dionísio Areopagita].

Cátedra Poesia e Transcendência | Sophia de Mello Breyner [UCP Porto], em parceria com a Faculdade de Teologia e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, organiza um congresso no âmbito das hermenêuticas do religioso no espaço literário, com especial incidência sobre a sua dimensão poética.
O colóquio terá lugar na Universidade Católica Portuguesa | Porto, nos dias 8 e 9 de novembro de 2019, e dará particular atenção aos seguintes eixos temáticos: linguagem poética e linguagem teológica: continuidades e descontinuidades; linguagem poética e linguagem mística: inter[con]textualidades; linguagem poética e sagrado: aproximações estético-fenomenológicas.

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