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refugiados congo © UNHCR_Rocco Nuri

Bispos pedem fim dos conflitos

O Papa vai ao Congo, mas “pesadelo da guerra” continua

| 01/06/2022

refugiados congo © UNHCR_Rocco Nuri

A apenas um mês da visita do Papa ao país, os conflitos em Rutshuru e Nyiragongo levaram mais de 50 mil pessoas a ter de fugir das suas casas. Foto © UNHCR / Rocco Nuri.

 

A Conferência Nacional Episcopal do Congo apelou ao fim da luta armada no país e, em comunicado, lamenta “a deterioração da situação de segurança na província do Kivu Norte, em particular nos territórios de Rutshuru e Nyiragongo, na sequência da intensificação dos combates entre as FARDC (Forças Armadas da RD Congo) e os rebeldes M23, que está a causar tantas perdas de vidas humanas de ambos os lados”.

A apenas um mês da visita do Papa ao país – Francisco chegará ao Congo no dia 2 de Julho –, estes conflitos em Rutshuru e Nyiragongo, na região norte, levaram mais de 50 mil pessoas a ter de fugir das suas casas por causa da violência, noticia o serviço informativo das Obras Missionárias Pontifícias.

De acordo com a mesma fonte, cerca de 40 mil pessoas foram obrigadas a fugir das suas casas devido aos combates entre o exército e os combatentes M23 em Rutshuru, a apenas dez quilómetros da fronteira ugandesa. Outras 11 mil pessoas tiveram de fazer o mesmo em Nyiragongo, mais a sul.

Estes episódios são apenas mais dois de uma lista infindável de confrontos que a República Democrática do Congo tem sofrido, com diferentes graus de intensidade e em diversas zonas do país, nos últimos 60 anos. E que têm vitimado, sobretudo, as populações mais pobres.

No comunicado, os bispos manifestam a sua surpresa por, há algumas semanas, os chefes de Estado dos países em redor dos Grandes Lagos se terem encontrado em Nairobi para estabelecer a paz no leste da República Democrática do Congo, sem quaisquer resultados.

“O povo congolês, que sofreu demasiado e cujas lágrimas correm constantemente devido aos conflitos de interesses partidários, mobiliza-se para acolher o Santo Padre, o Papa Francisco, que chega em Julho próximo como pacificador e apóstolo da reconciliação”, dizem os bispos no comunicado citado. “Não é justo nem honroso tentar impedir que este povo tenha este momento de felicidade que será uma fonte de bênçãos para o nosso país”, acrescentam.

Os bispos não têm dúvidas de que “o pesadelo da guerra durou demasiado tempo”, e apelam, por isso, ao fim da luta armada: “As armas nunca foram uma solução eficaz para as queixas, nem mesmo as políticas.”

 

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