Durante pouco mais de dezoito meses (2012-2013) tive o privilégio de conviver com o padre José Martins Júnior (JMJ). E a marca que essa proximidade deixou em mim está Viva!
Com as pessoas que se dão genuinamente e não usam de artifícios superficiais das diversas espécies nas relações que estabelecem, é isso que acontece. Aquele tempo foi duma intensidade a que já me desabituei, pois a vida flui e traz sempre novas possibilidades a quem busca o bem maior de ser livre. E essa continua a ser a minha busca. E liberdade era uma palavra bem significativa para José Martins Júnior. Tal como generosidade e… ao reler, por estes dias, uns apontamentos desse tempo, reencontro esta tríade com nota de autoria atribuída ao padre Martins: “comunicação sincera”, “dedicação generosa” e “cooperação criadora”. Que beleza e valor podemos ainda encontrar em certas palavras. E tudo isto se enquadra em boas memórias dum período em que vivi no Funchal e me dediquei à co-construção duma cooperativa cultural; foi nesse contexto que o convívio com o padre Martins Júnior se estabeleceu e foi sendo reforçado.
O sorriso humano
Constante. E sempre acompanhado por um qualquer gesto-de-mãos e rosto expressivo. Seria esse seu sorriso a maneira de tornar simplesmente belas e leves as suas palavras? Quase sempre graves e carregadas de história e estórias de sofrimento de pessoas e comunidades, sobretudo da pequena/ Grande comunidade da Ribeira Seca. E os saberes… a música, a poesia e outras leituras e escritas… E o gosto por uma boa conversa na companhia duma fresca bebida. E o contacto permanente com o Povo; com todas e todos sem excepção, mas talvez com maior cuidado em transmitir aos mais jovens os saberes e as práticas para se pensar e agir de forma livre e criativa. Sempre ouvindo e participando nas inquietações e resoluções das gentes. Convivialidade sábia!
No dia 15 de junho já não demos o abraço combinado uns dias antes. E logo na ‘terra da fraternidade’ – Grândola – onde iria ocorrer uma apresentação do livro “O canto do melro” de Raquel Varela. Ficou essa última memória da sua voz ao telefone. Presença viva. Humana e frágil… mas sentida. Fica uma eterna gratidão e um abraço sem-fim…
PAZ










