O Ramadão num tempo “espiritualmente violento”, explicado pelo xeque David Munir

| 12 Abr 21

Xeque David Munir explica que o Ramadão é oportunidade para gestos de caridade. Foto ©Direitos Reservados

 

O mês mais importante do calendário islâmico, o mês de Ramadão, tem início na noite desta segunda-feira, com a Lua Nova, cerca das 20h10, num tempo “espiritualmente muito violento” por causa da pandemia.

“Foi no mês de Ramadão que Maomé recebeu as primeiras revelações, por isso se tornou sagrado este mês”, diz o xeque David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa, o principal lugar de oração dos muçulmanos em Portugal.

Numa explicação sobre o mês de Ramadão, gravada a convite do 7MARGENS, o xeque Munir recorda que o nono mês do calendário lunar (que tem 29 ou 30 dias e menos 10 ou 11 dias por ano que o calendário gregoriano) “cai”, em 2021 (ou seja, no ano de 1442 da Hégira), entre 13 de Abril e 12 de Maio.

“Ó crentes, foi-vos prescrito o jejum, como foi prescrito às nações e povos que vos antecederam, para que possais ser mais piedosos”, diz um dos versículos do Alcorão, que se refere a um dos pilares a que os crentes são convidados durante este mês especial.

Neste versículo, comenta David Munir, está explícita a importância do diálogo entre os crentes e a importância do jejum, como prática comum às diferentes tradições religiosas.

Um dos objectivos do jejum, acrescenta o imã da Mesquita de Lisboa, é “sermos piedosos, valorizarmos o que temos e que muitas vezes os outros não têm”.

Durante este mês, o crente é convidado a não ingerir alimentos, desde a aurora ao pôr-do-sol, não ingerir alimentos, o que significa, este ano, durante umas 13 horas e dez minutos, no primeiro dia e 14 horas e 20 minutos, no último dia. De qualquer modo, só aos muçulmanos adultos e saudáveis é exigida essa prática.

Além do jejum, os crentes são também convidados a ser mais perseverantes na oração diária, cinco vezes ao dia, e no apelo a mais generosidade, através de zakat, gestos de caridade que se devem ter de modo especial.

David Munir admite que, tendo em conta a pandemia, estes são “momentos difíceis”, com a maioria dos crentes a não poder ir às mesquitas e concretizar a dimensão comunitária que Ramadão também tem. Mas quando terminar o mês, o importante é cada crente “ser diferente, para melhor”, controlando “zangas, desejos” e tentando ser “bom cidadão e exemplar”.

Ouça aqui David Munir:

 

 

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