Jogos Olímpicos

O sonho de fraternidade de Francisco na Vila Olímpica de Tóquio

| 23 Jul 2021

jogos olimpicos foto jan jack russo media

“O que é visível com as bandeiras é muito mais evidente quando entras na messe e te dás conta de que estás num banho entre todas as cores do mundo”, afirma o capelão que acompanha uma das delegações nos Jogos Olímpicos. Foto © Jan Jack Russo Media.

 

“Na Vila Olímpica salta-me desde logo à vista a alameda arvorada de bandeiras. São dos países participantes nos Jogos desta Olimpíada, dezenas e dezenas de bandeiras”: esta é a primeira impressão relatada pelo capelão católico que acompanha uma das delegações presentes em Tóquio para participar na competição cuja cerimónia oficial de abertura decorreu nesta sexta-feira à tarde (hora de Lisboa), dia 23.

Num texto da agência noticiosa italiana Ansa, o padre Gionatan de Marco, de Itália, afirma: “o que é visível com as bandeiras é muito mais evidente quando entras na messe e te dás conta de que estás num banho entre todas as cores do mundo”.

“Cada delegação com a sua divisa e as suas cores, mas misturadas em harmonia num mar de cores que exaltam as diferenças de cada uma sem as opor, amalgamando-se num conjunto de unicidade que torna visivelmente concreta aquilo que comummente chamamos fraternidade”, assinala.

Na Vila Olímpica, acrescenta o padre, “toca-se pela mão aquilo que o Papa Francisco escreve na encíclica Fratelli tutti, reiterando como o mundo existe para todos, porque todos nós, seres humanos, nascemos nesta Terra com a mesma dignidade”.

Para Gionatan de Marco, “as diferenças de cores, religião, capacidade, lugar de origem, lugar de residência e muitas outras não se podem antepor ou utilizar para justificar os privilégios de alguns em detrimento dos direitos de todos”.

“Aqui toca-se pela mão a beleza de sermos únicos, mas no interior de uma comunidade extraordinária, em que cada atleta vive a sua experiência olímpica com o direito a sonhar uma vitória, sentindo que todos têm as mesmas oportunidades de subir ao pódio, independentemente de estar equipado com a camisola de um país rico ou com a de um país pobre”, acentua.

Nos Jogos Olímpicos, “as periferias desaparecem e há um único centro de gravidade: a alegria de ter realizado o sonho comum” de participar, conclui o padre Marco, diretor do Departamento Nacional para a Pastoral do Tempo Livre, Turismo e Desporto da Conferência Episcopal Italiana.

Não é a primeira vez que Gionatan de Marco acompanha uma delegação olímpica: a estreia foi em 2018, em PyeongChang (Coreia do Sul), nos Jogos Olímpicos de Inverno. Antes de partir, declarou: “A fé e o desporto têm muitas coisas em comum: a coragem, o treino, a alegria, o altruísmo e a fantasia de encontrar a maneira própria de exprimir a beleza que cada um traz consigo.”

A Igreja Católica “está comprometida no mundo do desporto para anunciar a alegria do Evangelho, o amor inclusivo e incondicional de Deus por todos os seres humanos”, afirmara em 2016 o Papa Francisco.

 

Rui Jorge Martins, na página do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura

 

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