O sonho de um novo humanismo…

| 23 Jul 19 | Entre Margens, Últimas

O desmatamento na Amazónia, 900 quilómetros a sudeste de Manaus: o Papa diz que “hoje, mais do que nunca, tudo está intimamente ligado, e a salvaguarda do ambiente não pode ser separada da justiça para com os pobres e das soluções dos problemas estruturais da economia mundial”. Foto © Gérard Moss/Projecto Brasil das Águas-2006

 

A Carta Convocatória para o Encontro “Economia de Francisco” (Economy of Francisco), a ter lugar em Assis, de 26 a 28 de março de 2020, corresponde a um desafio crucial para a reflexão séria sobre uma nova economia humana. Dirigida aos e às jovens economistas e empreendedores, pretende procurar e encontrar uma alternativa à “economia que mata”. Contra a idolatria do dinheiro e do imediato, contra os novos bezerros de ouro, apela-se à compreensão de que o que tem mais valor não se vende nem se compra. E diz o Papa Francisco: “Esta Carta é para vos convidar para uma iniciativa que muito desejei: um evento que me permita encontrar quem, hoje, está a formar-se, a começar a estudar e a praticar uma economia diferente que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, que cuida da criação e não a degrada. Um evento que nos ajude a estar juntos e a conhecer-nos, que nos leve a fazer um pacto para mudar a economia atual e dar uma alma à economia de amanhã”.

De facto, para combater a “economia do mal” importa pensar e agir. Nesse sentido, o Papa lembra a encíclica Laudato Si’: “Sublinhei como hoje, mais do que nunca, tudo está intimamente ligado, e a salvaguarda do ambiente não pode ser separada da justiça para com os pobres e das soluções dos problemas estruturais da economia mundial. É preciso, portanto, corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito pelo ambiente, o acolhimento da vida, o cuidado pela família, a equidade social, a dignidade dos trabalhadores, os direitos das futuras gerações. Infelizmente, continua ainda por escutar o apelo a tomar consciência da gravidade dos problemas, sobretudo, a concretizar um modelo económico novo, fruto de uma cultura de comunhão, baseado na fraternidade e na equidade”. Não basta repetirmos a defesa da equidade entre gerações, quando o que se repete são os gestos vãos, que nada alteram de substancial. Às rotinas inúteis temos de saber contrapor o combate permanente ao inútil e ao desperdício, ao consumismo e ao egoísmo.

Como criar valor e aproveitar melhor os recursos disponíveis? Como evitar a destruição irreversível do planeta? Como pôr um travão no endividamento? Como gerar poupança para o investimento reprodutivo? Como recusar a solução de pôr dinheiro em cima dos problemas da sociedade? E assim o Papa Francisco fala de um “pacto comum”, “um processo de mudança global que veja, em comunhão de propósitos não só quantos têm o dom da fé, mas, todos, mulheres e homens de boa vontade, para além das diferenças de credo e de nacionalidade, unidos por um ideal de fraternidade, atento sobretudo aos pobres e aos excluídos”. Eis que somos convocados e convidados a ser protagonistas de um novo pacto, “assumindo a tarefa de um compromisso individual e coletivo para cultivarmos juntos o sonho de um novo humanismo que responda às expectativas do ser humano e do desígnio de Deus”.

Em Assis, o Papa pretende refletir e dialogar sobre uma economia que ponha as pessoas no centro. Assim, as instituições, os corpos intermédios devem tornar-se mediadores de justiça, “estaleiros de esperança”, de modo a criar valores humanos, a combater a “cultura do descartável”, de modo a dar voz a quem não a tem e a desenvolver novos estilos de vida. Muitos usam a palavra “sustentável”. Não basta, é preciso que não gastemos os recursos que temos sem pensar na responsabilidade que temos no tocante à justiça distributiva – horizontal, no tocante a uma partilha entre contemporâneos, mas também vertical, a pensarmos nos que ainda estão para nascer.

O verdadeiro desenvolvimento sustentável parte da ideia essencial de que os bens que recebemos para administrar são sempre uma responsabilidade partilhada por todos, devendo os direitos de iniciativa e de propriedade privada ser respeitados, do mesmo modo que não podemos esquecer o abuso de direito e a função social da propriedade e do mercado. É a compreensão dos limites que se revela essencial – singularidade e comunidade coexistem e completam-se, chegando-se à subsidiariedade, que significa decidir no nível correto, próximo das pessoas, mas compreendendo o que é comum e o que é próprio.

Eis por que razão a chamada “Doutrina Social da Igreja” recusa um carácter ideológico, antes se propondo buscar pontos de encontro que permitam, num mundo global, receber e mobilizar todas as mulheres e homens de boa vontade, vivendo situações muito diferentes. A liberdade igual e a igualdade livre têm de ser lembradas e postas em prática. Em boa hora, por isso, é lançada esta ideia de um Encontro em Assis, visando pensar a economia à luz da dignidade humana e do bem comum. Urge aproveitar bem as boas vontades e as boas ideias… 

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Sete Partidas

Visto e Ouvido

Agenda

Dez
10
Ter
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Dez 10@17:30_18:30

O livro será apresnetado por Manuel Cândido Pimentel, professor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.

Dez
11
Qua
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Dez
14
Sáb
3º Concerto de Natal da Academia de Música de Santa Cecília @ Basílica do Palácio Nacional de Mafra
Dez 14@21:00_22:30

Entrada gratuita mediante o levantamento de bilhetes nos Postos de Turismo de Mafra e Ericeira

 

A Academia de Música de Santa Cecília, escola de ensino integrado de música, apresenta o seu terceiro concerto de Natal nos dias 14 e 15 de Dezembro, no Palácio Nacional de Mafra, classificado recentemente como Património Cultural Mundial da UNESCO.

Neste concerto participa um coro constituído por 250 crianças e jovens dos 10 aos 17 anos e uma orquestra de cordas de alunos da escola, a soprano Ana Paula Russo e ainda o conjunto, único no mundo, dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

No programa estão representados vários compositores nacionais e estrangeiros, destacando-se a obra “Seus braços dão Vida ao mundo”, sobre um poema de José Régio, da autoria da jovem Francisca Pizarro, aluna finalista do Curso Secundário de Composição da Academia de Música de Santa Cecília.

O concerto assume especial importância não apenas pela singularidade do conjunto dos seis órgãos do Palácio Nacional de Mafra mas também pela dimensão do número de jovens músicos envolvidos.

A relevância do concerto manifestou-se em edições anteriores (2016 e 2017), pela sua transmissão integral na RTP2, tendo o concerto de Natal de 2017 sido difundido em directo para a União Europeia de Rádio. O concerto tem o patrocínio da Câmara Municipal de Mafra.

Programa do concerto

Arr. Carlos Garcia (1983)
Ó Pastores, Pastorinhos (tradicional de Alferrarede)

Francisca Pizzaro (2001)
Seus braços dão Vida ao mundo (sobre um poema de José Régio), obra em estreia absoluta, encomendada para a ocasião; Francisca Pizarro é aluna do curso secundário de Composição da AMSC

Arr. Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
O Menino nas Palhas (tradicional da Beira Baixa)

Eurico Carrapatoso (1962)
Dece do Ceo (sobre um poema de Luís de Camões)

Arr. Carlos Garcia
Gloria in excelsis Deo (tradicional francesa) *

Franz Xaver Gruber (1787-1863) Arr. Carlos Garcia
Stille Nacht

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Alleluia, do moteto Exsultate, jubilate

Tradicional francesa
Quand Dieu naquit à Noël

Louis-Claude Daquin (1694-1772)
Noël X

Arr. Malcolm Sargent (1895-1967)
Zither Carol (tradicional da República Checa)

Tradicional do País de Gales
Deck the Halls

John Henry Hopkins Jr. (1820-1891); Arr. Martin Neary (1940)
We three Kings

Arr. Mack Wilberg (1955)
Ding! Dong! Merrily on High (tradicional francesa)

Arr. David Willcocks (1919-2015)
Adeste Fideles (tradicional), com a participação do público.

CANTORES E MÚSICOS
Ana Paula Russo, soprano

Ensemble Vocal da AMSC
Coro do 2º Ciclo da AMSC
Coros do 3º Ciclo e Secundário da AMSC

Orquestra de Cordas da AMSC
Pedro Martins, percussão

Rui Paiva, órgão da Epístola
Flávia Almeida Castro, órgão do Evangelho
Carlos Garcia, órgão de S. Pedro d’Alcântara
João Valério (aluno da AMSC), órgão do Sacramento Liliana Silva, órgão da Conceição
Afonso Dias (ex-aluno da AMSC), órgão de Sta. Bárbara

Carlos Silva, direcção da orquestra

António Gonçalves, direcção

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