O vermelho tingido de sangue que iluminará os Jerónimos
Às seis da tarde ilumina-se o Cristo-Rei, em Almada, duas horas depois será o Mosteiro dos Jerónimos, e às 20h30 também a Igreja do Campo Grande, em Lisboa. Porto, Braga e Bragança terão também outros monumentos iluminados de vermelho nesta Quarta-feira Vermelha (#RedWednesday), uma iniciativa promovida pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), em solidariedade com as pessoas que são perseguidas e martirizadas por causa da sua fé (em cima, o filme da campanha de 2018).
Em outras cidades do mundo o gesto será repetido, com vários monumentos de importância simbólica iluminados da mesma forma em países como Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Chile, Eslováquia, Estados Unidos, Filipinas, Holanda, Itália e Reino Unido. Em Roma, por exemplo, o Coliseu será uma das fachadas pintadas com a cor do sangue. Em Portugal, além dos já referidos, iluminam-se de vermelho também a catedral de Bragança, a Basílica dos Congregados e o Santuário de São Bento da Porta Aberta, em Braga.
No caso de Lisboa, um padre da República Centro-Africana – um dos países mais atingidos por recentes ondas de violência contra crentes e nomeadamente contra cristãos, como o 7MARGENS tem referido – dará o seu testemunho em duas ocasiões, durante a celebração da missa: às 17h, no Cristo-Rei, e às 19h, no Campo Grande.
300 milhões de cristãos perseguidos no mundo
A publicação do relatório Perseguidos e Esquecidos, há um mês, dá conta do aumento da perseguição contra cristãos entre 2017 e 2019, sobretudo na Ásia Meridional e Oriental. Ao mesmo tempo, em países como a Síria e o Iraque, o cristianismo pode praticamente desaparecer, caso continuem a verificar-se as situações de guerra ou instabilidade; em diversas regiões de África, os cristãos estão sob a ameaça de grupos islamitas; e nas Filipinas ou nas regiões Sul e Leste da Ásia a ameaça tem origem em grupos que, ao mesmo tempo, se reclamam do islão radical, do nacionalismo populista e do autoritarismo, como o 7MARGENS na ocasião noticiou.
“Perante esta realidade, em que milhões de pessoas em todo o mundo não podem professar a sua fé em liberdade, pois são perseguidas, intimidadas, presas e muitas vezes mortas, impõe-se a mobilização da sociedade”, diz a AIS. A perseguição atinge hoje cerca de 300 milhões de cristãos, diz a organização, além de muitos outros crentes, consoante o estado, a situação política ou a região geográfica. Na China, por exemplo, acabam de ser divulgados documentos do Partido Comunista que mostram como o Governo tem promovido a detenção e trabalhos forçados de milhares de muçulmanos.
A AIS apela ainda a quem quiser que, nesta quarta-feira, vista “uma peça de roupa vermelha, ilumine um edifício de vermelho, organize um encontro de oração para que o mundo note e não fique indiferente”.
Ao mesmo tempo, a organização anunciou que destinará os fundos recolhidos na sua campanha de Natal ao apoio dos cristãos perseguidos na Nigéria, Sudão do Sul, Camarões ou República Centro-Africana.
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