#o_avesso_da_casa

| 8 Nov 20

#o_avesso_da_casa
Ozias Filho

 o silêncio corta
a cidade de domingos
e nunca mais é segunda-feira

Integrado no desafio Quanto tempo tenho que esperar para que a realidade se torne extraordinária?, do Photobook Clube Lisboa, no contexto pandémico da covid-19, que se alastra dramaticamente em todo o mundo, ceifando milhares de vidas, resolvi centrar a minha atenção na CASA, sua ausência, sua presença. A CASA em que vivo, as várias casas onde estou, a CASA maior que é o planeta. A CASA vazia, deserta, virada ao avesso. O confinamento em CASA pode representar uma prisão ou um confronto connosco e mesmo a liberdade, o nosso direito de ir e vir, que agora não se vive na plenitude, guarda ressaibos de saudade. Já vivemos esta experiência e voltamos agora a vivê-la, com um novo estado de emergência, sempre na expectativa de que fique por aqui.

Este #o_avesso_da_casa, título do meu ensaio fotográfico/poético, segue pistas, que estão longe de ser respostas. Não procuro respostas, mas sim um processo de catarse criativa que me obrigue a continuar a fazer perguntas. As imagens aqui apresentadas relacionam-se com esta casa e cada partícula deste ensaio tem as suas linguagens próprias e múltiplas. Neste ensaio usei a aplicação Kodak Mobile Film Scanner, ferramenta utilizada para digitalizar películas (negativos de cor e p/b ou diapositivos). Sendo uma aplicação para telemóvel, proporcionou-me uma nova postura, leve, algo descomprometida com a técnica habitual e necessária às máquinas fotográficas tradicionais. Você está perante esta CASA que me rodeia, uma CASA PERSONAGEM. Eu sou PERSONAGEM desta CASA. Onde mora a sua CASA?

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Crónica

A votar, a votar!

[Segunda leitura]

A votar, a votar!

“Começa hoje a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 26 de setembro”. Juro que ouvi isto na passada terça-feira, dia 14 de setembro. Assim mesmo, sem tirar nem pôr, na abertura de um noticiário na rádio: “Começa hoje a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 26 de setembro”. Juro.

Breves

Cimeira do Clima

Taizé dinamiza vigília para jovens em Glasgow novidade

A Comunidade de Taizé foi convidada pelo Comité Coordenador da COP26 das Igrejas de Glasgow para preparar e liderar uma vigília para estudantes e jovens em Glasgow durante a Cimeira do Clima. Mais de sete mil pessoas passaram por Taizé, desde junho, semana após semana, apesar do contexto da pandemia que se vive.

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Boas notícias

É notícia

Dia dos Mártires

Igreja na Índia recorda massacre de 2008

Treze anos depois da onda de violência que varreu o Estado de Orissa, na Índia, provocando mais de 100 mortos, a justiça é ainda uma miragem, denuncia a Fundação AIS. Desde 2016 que é celebrado pela Igreja em Orissa o dia dos Mártires. 

Fundação AIS

Padre haitiano morto a tiro

Um padre que dirigia um orfanato no Haiti foi morto a tiro, Andrè Sylvestre, de 70 anos de idade, foi assassinado na tarde de segunda-feira, 6 de setembro, durante uma tentativa de assalto, revelou a Fundação AIS. 

IndieLisboa

Cinema: prémio Árvore da Vida atribuído a “Sopro”

O filme “Sopro”, realizado por Pocas Pascoal, uma cineasta angolana de 58 anos, foi distinguido na segunda-feira com o prémio Árvore da Vida, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), no final da 18.ª edição do festival de cinema independente IndieLisboa. 

Máximo histórico

Quatro em cada dez espanhóis dizem-se ateus ou não crentes

O estudo mais recente do Centro de Investigações Sociológicas de Espanha revela que quase quatro em cada dez espanhóis (38,7%) se declaram ateus ou não crentes e são apenas 16,7% os inquiridos que se assumem como católicos praticantes. Trata-se do máximo histórico do número de não crentes e do valor mais baixo alguma vez registado em relação aos católicos praticantes. Se a tendência se mantiver, estima-se que dentro de dois anos o número de não crentes no país ultrapasse, pela primeira vez, o de crentes.

Entre margens

Livrai-nos do Astérix, Senhor! novidade

A malfadada filosofia do politicamente correcto já vai no ponto de apedrejar a cultura e diabolizar a memória. A liberdade do saber e do saber com prazer está cada vez mais ameaçada. Algumas escolas católicas do Canadá retiraram cerca de cinco mil títulos do seu acervo por considerarem que continham matéria ofensiva para com os povos indígenas.

O outro sou eu novidade

Há tanto que me vem à cabeça quando penso em Jorge Sampaio. Tantas ocasiões em que o seu percurso afetou e inspirou o meu, quando era só mais uma adolescente portuguesa da primeira geração do pós-25 de Abril à procura de referências. Agora, que sou só uma adulta que recusa desprender-se delas, as memórias confundem-se com valores e os factos com aspirações.

A palavra que falta explicitar no “cuidar da criação”

No dia 1 de setembro começou o Tempo da Criação para diversas Igrejas Cristãs. Nesse dia, o Papa Francisco, o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo de Canterbury Justin assinaram uma “Mensagem Conjunta para a Protecção da Criação” (não existe – ainda – tradução em português). Talvez tenha passado despercebida, mas vale a pena ler.

Cultura e artes

Cinema

Às vezes, nem o amor consegue salvar-nos novidade

Falling, que em Portugal teve o subtítulo Um Homem Só, é a história de um pai (Willis) e de um filho (John) desavindos e (quase) sempre em rota de colisão, quer dizer, de agressão, de constante provocação unilateral da parte do pai, sempre contra tudo e contra todos.

Edgar Morin em entrevista

Só a capacidade de nos maravilharmos sustenta a resistência à crueldade e ao horror

“Se formos capazes de nos maravilhar, extraímos forças para nos revoltarmos contra essas crueldades, esses horrores. Não podemos perder a capacidade de maravilhamento e encantamento” se queremos lutar contra a crise, contra as crises, afirmou Edgar Morin à Rádio Vaticano em entrevista conduzida pela jornalista Hélène Destombes e citada ontem, dia 18 de setembro, pela agência de notícias ZENIT

Cinema

Um machado, uma mulher e um cão

Se gosta de cinema e ainda for a tempo, não deixe de ver o filme de Pedro Almodóvar A Voz Humana. É uma curta-metragem (cerca de 30 minutos), complementada por uma entrevista muito interessante e esclarecedora com o realizador e a actriz, Tilda Swinton.

Sete Partidas

Aquele que habita os céus sorri

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