
Abrigos provisórios em campos de refugiados improvisados em Ichwa (Makurdi-Benué), Nigéria. Foto © ACN Portugal/IPIC
O “brutal assassinato” do padre John Mark Cheitnum é apenas um dos exemplos mais recentes da enorme violência que está a atingir a Igreja Católica da Nigéria. Só no estado de Benué, e apenas nos dois últimos meses, pelo menos 68 cristãos foram mortos e muitos outros sequestrados ou forçados a abandonar a região. Estes dados fazem parte de um relatório enviado à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) pelo Bispo de Makurdi, Wilfred Anagbe e foram divulgados pela organização esta sexta-feira, 22 de julho.
O estado de Benué, onde está situada a diocese de Makurdi, fica na região central da Nigéria, onde se tem evidenciado a atuação dos pastores Fulani, maioritariamente muçulmanos, que manifestam uma agressividade cada vez mais acentuada contra as comunidades agrícolas locais que são predominantemente cristãs. Segundo o bispo, terroristas disfarçam-se de pastores nómadas para encobrirem a verdadeira intenção dos seus ataques, que é a de expulsar os cristãos das suas terras.
“A escala de assassinatos, deslocamentos e destruição arbitrária de propriedades por essas milícias jihadistas Fulani apenas reforça a agenda, agora revelada, de despovoar as comunidades cristãs na Nigéria e tomar as terras”, afirma Wilfred Anagbe, que acusa o governo do país de continuar “a não fazer nada sobre esses ataques persistentes. Excepto para dar razões risíveis como ‘mudança climática’ ou que alguns muçulmanos também são às vezes mortos em ataques dos chamados bandidos.”
Além da morte de um número crescente de pessoas e da destruição de propriedades, os ataques dos pastores Fulani junto das comunidades cristãs estão a provocar também a fome nesta vasta região. O bispo fala mesmo em “escassez de alimentos insuportável e severa”, sublinhando que “o Estado de Benué é conhecido por ser a fonte de alimentos do país”.










