“Onda de fome” atinge 138 milhões e “ameaça varrer o globo” se os mais ricos não ajudarem

| 19 Set 20

criança fome iemen

Este bebé de quatro meses sofre de desnutrição aguda grave. Nasceu no Iémen, um dos países do mundo mais afetados pela fome. Foto © OCHA/Giles Clarke.

 

É o maior número da história, alertou o director executivo do Programa Alimentar Mundial (PAM), David Beasley, perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, esta quinta-feira, 17 de setembro: há 138 milhões de pessoas a passar fome neste momento e o PAM está “a fazer tudo” para ajudá-las, mas em breve serão 270 milhões a precisar de ajuda alimentar e 30 milhões morrerão se não receberem auxílio de emergência. O PAM não tem verba suficiente para dar resposta a estas necessidades e a solução depende dos mais ricos, avisa Beasly.

“Chegou a altura de aqueles que mais têm se chegarem à frente e ajudarem os que nada têm, pelo menos neste período extraordinário da história mundial”, afirmou o responsável do PAM. “No mundo inteiro há mais de dois mil multimilionários”, acrescentou, sublinhando que muitas fortunas “estão a fazer milhões [de dólares]” durante a pandemia.

“Neste momento 30 milhões dependem das ajudas do PAM e não vão poder sobreviver sem esta ajuda”, avisou o antigo governador do Estado norte-americano da Carolina do Sul, especificando que a situação já atinge “três dezenas de países” e pode tornar-se mais profunda em regiões onde se verificam conflitos armados, nomeadamente no Congo, Iémen, Nigéria e Sudão do Sul. Para prestar ajuda alimentar a estas populações, o PAM precisa de 4,9 mil milhões de dólares (cerca de 4,13 mil milhões de euros).

“Sem os recursos de que precisamos, uma onda de fome ameaça varrer o globo”, concluiu David Beasley. E deixou o apelo aos representantes dos 15 estados membros do Conselho de Segurança da ONU: “Exorto-vos: não se desviem do nosso compromisso com a ajuda humanitária. Não virem as costas à fome no mundo”.

 

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Breves

Antigo engenheiro militar sucede a Barbarin como arcebispo de Lyon

O Papa nomeou esta quinta-feira, 22 de outubro, Olivier de Germay, até agora bispo de Ajaccio (na Córsega), como novo arcebispo de Lyon. Está assim encontrado o sucessor do cardeal Philippe Barbarin, cuja renúncia tinha sido aceite por Francisco em março deste ano. 

Declarações do Papa sobre homossexuais “não afetam a doutrina da Igreja”, dizem bispos portugueses

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) considera que as declarações do Papa sobre a proteção legal a uniões de pessoas do mesmo sexo “não afetam a doutrina da Igreja” sobre o matrimónio. Em nota enviada à agência Ecclesia esta quarta-feira, 22, os bispos portugueses sublinham que as afirmações de Francisco contidas no novo documentário “Francesco” já eram conhecidas anteriormente e “revelam a atenção constante do Papa às necessidades reais da vida concreta das pessoas”.

Índia: Bispos fazem greve de fome em defesa das escolas cristãs

Três bispos católicos fizeram greve de fome na passada terça-feira, 20 de outubro, diante da Secretaria de Estado de Kerala (um dos 28 estados indianos), para reivindicar o cumprimento dos direitos constitucionais das escolas cristãs no país, divulgou a UCA News.

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A decisão foi anunciada esta segunda-feira, 12 de outubro, pela vice-presidente de política de conteúdos do Facebook, Monika Bickert, e confirmada pelo próprio dono e fundador da rede social, Mark Zuckerberg: face ao crescimento das manifestações de antissemitismo online, o Facebook irá banir “qualquer conteúdo que negue ou distorça o Holocausto”.

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Luto nacional a 2 de novembro, missa pelas vítimas da pandemia no dia 14

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira, 22, o decreto que declara a próxima segunda-feira, 2 de novembro, dia de luto nacional “como forma de prestar homenagem a todos os falecidos, em especial às vítimas da pandemia”. No próximo dia 14 de novembro, será a vez de a Conferência Episcopal Portuguesa celebrar uma eucaristia de sufrágio pelas pessoas que já faleceram devido à covid-19 no nosso país.

Camarões: Padre jesuíta detido por fazer uma peregrinação a pé

Ludovic Lado, um padre jesuíta que se preparava para iniciar, sozinho e a pé, uma “peregrinação pela paz” entre as cidades de Japoma e Yaoundé, capital dos Camarões, foi detido pela polícia, que o acusou de estar a praticar uma “atividade ilegal na via pública”. O padre foi depois submetido a um interrogatório, onde o questionaram sobre eventuais motivações políticas e lhe perguntaram especificamente se era apoiante do líder da oposição, Maurice Kamto.

Twitter segue exemplo do Facebook e proíbe negação do Holocausto

Depois do Facebook, agora foi a vez de o Twitter banir da sua rede social conteúdos que neguem ou distorçam o Holocausto. “Condenamos fortemente o antissemitismo e a conduta de ódio não tem lugar absolutamente  nenhum no nosso serviço”, afirmou um porta-voz da empresa em comunicado à imprensa. O responsável garantiu também que irão agir “contra conteúdos que glorifiquem ou elogiem atos históricos de violência e genocídio, incluindo o Holocausto”.

Entre margens

… E as Cuidadoras? novidade

Durante o confinamento reli um livro de que muito gosto, “Passagens” de Teolinda Gersão, que ganhou o Prémio Fernando Namora em 2015. Trata-se de uma obra escrita a várias vozes, tomando como ponto de partida uma senhora idosa (Srª D. Ana, ex-farmacêutica) que morre durante o sono no lar onde residia. Ao longo do livro várias “falas” se fazem ouvir à sua volta, enquanto repousa no caixão na capela do lar.

A pena de morte na visão de Francisco: clareza e inspiração

Em boa hora este documento. Custa acreditar que a Igreja Católica, na sua representação máxima, tenha demorado 20 séculos após o nascimento do fundador do cristianismo – que foi vítima de pena de morte – a tomar posição inequívoca e final sobre o tema. Outros antecessores falaram sobre este assunto, Francisco encerra-o.

Ter ou ‘Bem Viver’?

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Cultura e artes

O capitalismo não gosta da calma (nem da contemplação religiosa)

A editora Relógio d’Água prossegue a publicação em Portugal dos ensaios de Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano radicado na Alemanha. O tom direto e incisivo da sua escrita aponta, num registo realista, as múltiplas enfermidades de que padece a sociedade contemporânea, que o autor designa como sociedade pós-industrial ou sociedade da comunicação e do digital, do excesso de produção e de comunicação. A perda dos referentes rituais – análise que o autor refere como isenta de nostalgia, mas apontando o futuro – é uma dessas enfermidades, com as quais a vivência religiosa está intimamente relacionada.

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Uma simples prece

Nem todos somos chamados a um grande destino/ Mas cada um de nós faz parte de um mistério maior/ Mesmo que a nossa existência pareça irrelevante/ Tu recolhes-te em cada gesto e interrogação

Sete Partidas

Não ter medo da covid

Nesta crise da covid tenho ouvido cada vez mais falar em medo, em “manipulação pelo medo” em “não ceder à estratégia do medo”. Parece que há por aí quem acredite que os governos têm um plano secreto de instalação do totalitarismo, e a covid é apenas uma excelente desculpa para a pôr em prática.

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