Uma forma de "construir pontes"

ONG israelita já salvou a vida a 3.000 crianças palestinianas

| 28 Nov 2022

a avo de amir beija o neto antes de ele ser submetido a cirurgia no hospital israelita, Foto Tomer NoybergSave a Child’s Heart

“Não imaginava que ele receberia uma nova oportunidade de vida destas pessoas neste lugar”, afirmou a avó de Amir, o menino palestiniano salvo por israelitas. Foto © Tomer Noyberg / Save a Child’s Heart.

 

Amir tem cinco anos e, até agora, não podia correr nem brincar como a maioria das crianças da sua idade. Quando tinha apenas 24 meses, apanhou um vírus que resultou no bloqueio de uma das suas artérias coronárias, pelo que qualquer esforço físico passou a ser potencialmente fatal. Mas, muito em breve, este menino palestiniano poderá recuperar o tempo perdido. Com o apoio da organização humanitária israelita Save a Child’s Heart, Amir acaba de ser operado num hospital em Tel Aviv e está fora de perigo.

Esta é a cirurgia número 3.000, entre crianças palestinianas, que a ONG torna possível, avança o Jewish News. Ao todo, a Save a Child’s Heart, cuja missão é salvar a vida a menores com doenças cardíacas graves e que vivam em zonas onde o acesso aos cuidados médicos seja limitado ou inexistente, já levou até Israel mais de seis mil crianças. É o caso de Amir, mas também de Karina, uma menina ucraniana cuja doença cardíaca foi diagnosticada quando ficou a viver só com a mãe e a irmã gémea, depois de o pai ter ido para a guerra. Ou de Gai, Habiba, Phillip e Joel, que viajaram esta terça-feira, 29 de novembro, de um campo de refugiados no Sudão do Sul para o mesmo hospital onde Amir se encontra já em recuperação, o Wolfson Medical Centre. Os quatro meninos sofrem de uma cardiopatia congénita.

Tendo já realizado missões em todos os continentes, é na Faixa de Gaza e na Cisjordânia que a Save a Child’s Heart desenvolve um dos seus principais projetos: todas as terças-feiras, está presente na região com a iniciativa “clínica aberta”, fazendo rastreios gratuitos às crianças palestinianas, a uma média de 20 a 25 por semana.

Para a avó de Amir, que tem assistido ao aumento das tensões associadas ao conflito israelo-palestiniano, o facto de terem sido médicos israelitas, numa cidade israelita, a salvar a vida do neto palestiniano foi, no mínimo, surpreendente. “Não imaginava que ele receberia uma nova oportunidade de vida destas pessoas neste lugar”, afirma, citada pelo Jewish News. Mas reconhece que “tudo se torna sem importância quando se está a salvar a vida de uma criança. As fronteiras não importam, a política não é importante. A saúde e a vida dela estão além de tudo”.

Tamar Shapira, vice-diretora da organização, sublinha por seu lado que todas as crianças deveriam ter direito a atendimento médico, independentemente da sua raça, religião, sexo ou nacionalidade. “Salvamos vidas de crianças palestinianas há mais de 20 anos, e digo sempre que, se além de salvá-las e dar esperança às suas famílias conseguirmos construir pontes entre as pessoas e fazer deste mundo um lugar melhor, este é um benefício muito importante para todos nós.”

 

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