ONU lança plano de combate ao ódio religioso e de proteção de lugares sagrados

| 15 Set 19

Um peregrino em oração durante a peregrinação a Meca, centro da fé muçulmana. Foto © Ali Mansuri/Wikimedia Commons

 

A Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), lançou um Plano de ação contra o discurso de ódio, que, entre outras coisas, pretende proteger lugares sagrados e de oração. A decisão vem na sequência de um apelo do secretário-geral da ONU. “Lugares religiosos são símbolos poderosos da nossa consciência coletiva”, afirma António Guterres. “Quando as pessoas são atacadas por causa da sua religião ou das suas crenças, toda a sociedade fica a perder”.

O secretário-geral da ONU referiu que os locais de oração, templos e santuários devem ser “lugares seguros para a reflexão e para a paz, não lugares de massacre e de terror”. E acrescentou que a todas as pessoas “deve ser permitido observar e praticar a sua fé em paz”.

Depois dos massacres em duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, em março de 2019; do ataque à sinagoga “Tree of Life” em Pittsburgh (EUA), em outubro do ano passado; a várias igrejas católicas e protestantes no Sri Lanka no Domingo de Páscoa deste ano; e de um aumento progressivo de ataques baseados no ódio religioso, cujo objetivo é atingir lugares sagrados por todo o mundo, Guterres apelou a que a UNAOC desenvolvesse um plano de ação.

O secretário-geral esteve na reunião da UNAOC na passada quinta-feira. De acordo com o secretário-geral da ONU, o plano será coordenado com as restantes agências das Nações Unidas para combater as causas principais da linguagem violenta, promovendo formas de responder com eficácia.

Guterres referiu que, em situações de conflito armado, “edifícios dedicados a uma determinada religião são especificamente protegidos por leis humanitárias internacionais” e que ataques intencionais contra eles são crimes de guerra.

“A melhor maneira de ultrapassar a ameaça de violência baseada em formas inaceitáveis de manipulação de religião e crença é unindo nossas vozes para o bem, combatendo mensagens de ódio com mensagens de paz, abraçando a diversidade como riqueza e não como ameaça, investindo na coesão social e protegendo os direitos humanos”, afirmou Guterres, citado pelo portal oficial da ONU.

Com este plano de ação, a ONU dá um “passo importante para avançar no objetivo crítico e enfrentar o que neste momento surge como um dos principais desafios globais da nossa era”, afirmou o secretário-geral durante o discurso.

“Nestes tempos turbulentos, temos de continuar a trabalhar juntos para proteger os valores que nos reúnem como uma única família humana”, concluiu António Guterres.

Basílica e Praça de São Pedro, onde reside o Papa e a Igreja Católica tem o seu centro. Foto © Maria Marujo

 

Religiões Pela Paz também quer ajudar a prevenir conflitos

No final de agosto, em Lindau (Alemanha), também a 10ª assembleia mundial das “Religiões pela Paz”, uma organização internacional e inter-religiosa, se comprometeu com iniciativas que ajudem a prevenir conflitos e promover “sociedades justas e harmoniosas”.

“Fazer progressos na partilha do bem-estar”, na prevenção de conflitos, e na promoção de sociedades justas e harmoniosas” são alguns dos compromissos do documento votado no final pelos participantes, que defende ainda “o desenvolvimento humano sustentável e integral e protegendo a terra”.

O encontro reuniu líderes religiosos, ativistas e expoentes políticos de 125 países de todo o mundo. O documento final também recusa a violência em nome da religião: “Os nossos corações choram diante do abuso dos nossos credos, especialmente quando são distorcidos para alimentar a violência e o ódio.” A aliança, sublinha o texto, “honra as diferenças religiosas”.

Os participantes afirmam ainda estar convictos de que toda a humanidade tem uma “responsabilidade compartilhada pelo bem comum, o que significa cuidar uns dos outros, da terra e de sua estrutura integral de vida”, de acordo com o documento, citado pelo Religion Digital

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