Onze mil cientistas alertam para a ameaça “clara e inequívoca” das alterações climáticas

| 8 Nov 19

Inundações em Lagos (Nigéria): os povos e populações mais pobres são os primeiros a sofrer as consequências das alterações climáticas. Foto © ISeeAfrica/Wikimedia Commons

 

Onze mil cientistas, incluindo biólogos e ambientalistas, divulgaram um novo estudo sobre o estado do clima, alertando para a “ameaça às sociedades humanas, ao bem-estar humano e à biodiversidade” que as alterações climáticas constituem e para a ineficácia dos planos existentes para combater a subida da temperatura na Terra.

Num relatório publicado na terça-feira, 5 de novembro, na revista científica norte-americana Bioscience, o “Alerta dos cientistas mundiais para uma emergência climática” descreve que o planeta enfrenta “clara e inequivocamente” uma crise climática sem precedentes.

“Este documento estabelece um registo claro do consenso alargado entre os cientistas ativos neste momento da história, de que a crise climática é real e é maior, chegando a ser uma ameaça às sociedades humanas, ao bem-estar humano e à biodiversidade”, afirma Jesse Bellemare, professor associado de biologia no Smith College (Northampton, Massachusetts, EUA), um dos signatários da declaração de emergência deste estudo, citado pelo Washington Post e pelo Expresso.

O que separa este relatório de outros semelhantes que têm sido publicados ao longo dos anos é que não apresenta os dados como possibilidades, mas antes como certezas, ao mesmo tempo prescrevendo receitas para combater os efeitos esperados. Também é a primeira vez que um grupo de cientistas classifica as alterações climáticas como uma emergência a combater, uma vez que a atividade humana dos últimos anos causou um aumento dos gases com efeito de estufa.

“Apesar de 40 anos de negociações sobre clima global, com poucas exceções, continuámos a comportar-nos na mesma e falhámos o combate a esta condição”, lê-se no estudo.

Também se acrescentam outras consequências que podem advir do que se passa, como o aumento global da temperatura e o aquecimento dos oceanos.

A publicação deste relatório coincidiu com os quarenta anos da primeira Conferência Climática Mundial, que decorreu em Genebra (Suíça), em 1979, e reuniu cientistas de 50 nações. Nessa conferência alertava-se já para as tendências alarmantes de eventuais alterações climáticas e da necessidade urgente de as combater. Desde então, alertas semelhantes foram feitos em todas as cimeiras do clima, incluindo as realizadas no Rio de Janeiro (1992), Quioto (1997) e Paris (2015). Nesta última, o Acordo de Paris culminou os esforços e alertas dos últimos 40 anos, com os cientistas a manifestar a esperança de que os governos, cidadãos e outros representantes tomem as medidas necessárias para reverter ou, pelo menos, evitar alterações potencialmente catastróficas.

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