Open Arms: “desespero está nos limites” a bordo do navio de resgate

| 19 Ago 19

Uma das operações de resgate da Open Arms; desta vez, a situação a bordo é desesperada. Foto reproduzida da página oficial da Open Arms (https://www.openarms.es/en/)

 

Apesar da cedência parcial do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, que no sábado permitiu o desembarque de 27 crianças que estavam no navio de resgate da Open Arms, a tensão entre o Governo de Itália e os responsáveis daquela organização não-governamental (ONG) de apoio a imigrantes e refugiados não abrandou. No fim da tarde de segunda-feira, 19, o chefe de missão da Open Arms em Itália, Riccardo Gatti, sugeriu que a organização aceitaria transferir os resgatados para Madrid, de avião. 

O navio da Open Arms está a 800 metros da doca da ilha italiana de Lampedusa, ainda com 107 migrantes a bordo, após 18 dias no mar. “Estamos a avisar há dias, os níveis de desespero estão nos limites”, afirmou o fundador da Open Arms, Oscar Camps. “Caso o pior cenário ocorra, a Europa e Salvini vão ser responsabilizados”.

Apesar da situação crítica, países como Portugal, Espanha, França, Alemanha e Luxemburgo já se ofereceram para receber os migrantes. Domingo, 18 de agosto, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ofereceu à Open Arms à hipótese de atracar no porto de Algeciras, em Cádiz, e em Mahón (Maiorca), nas Ilhas Balneares. Mas a organização recusou a oferta, com o argumento de que é “impossível” tentar uma viagem de quatro a seis dias, dadas as condições a bordo: “Não podemos prejudicar a segurança e a integridade física dos migrantes e da tripulação. Precisamos de atracar agora.”

Apesar desta onda de contestação e da crítica da comunidade internacional, o ministro Salvini insiste que a sua é a decisão correta, manifestando-se completamente contrário à hipótese de os migrantes e refugiados que estão a bordo do Open Arms entrarem em solo italiano. Em entrevista à agência noticiosa Adnkronos, justificou: “Porque é que os navios espanhóis, franceses, alemães, noruegueses ou ingleses têm de vir para Itália? Porque não se deslocam para Espanha, onde generosamente e de boa-fé ofereceram portos abertos?”.

As condições a bordo são cada vez mais difíceis e alguns dos migrantes atiraram-se ao mar, no domingo, na esperança de alcançar Lampedusa a nado. Foram de novo resgatados pelos navios da Guarda Costeira italiana e devolvidos ao Open Arms.

Artigos relacionados