Opus Dei confirma condenação de um padre da prelatura por abusos sexuais

| 18 Jul 20

O Opus Dei reconheceu esta quinta-feira, 16 de julho, em comunicado, aquela que foi a primeira condenação de um padre da prelatura por abusos sexuais. A sentença do Vaticano havia já sido conhecida no passado dia 30 de junho, mas só no dia 15 deste mês terminou o prazo para a apresentação de recurso.

“A Prelatura do Opus Dei em Espanha pede perdão e lamenta profundamente o sofrimento causado às vítimas. Pedimos a Deus que console as pessoas afetadas, e convidamos a rezar especialmente, num gesto de piedade cristã, pelo referido sacerdote”, pode ler-se no comunicado divulgado no site da prelatura.

O padre espanhol Manuel Cociña, 72 anos, foi condenado por abusar sexualmente de vários estudantes que viveram em residências universitárias da Obra, em diversas cidades espanholas, ao longo dos últimos 30 anos. No comunicado, é referido que o clérigo foi considerado culpado pelo crime de “solicitação” (utilização do confessionário para pedir favores sexuais).

Manuel Cociña fica proibido de exercer o seu ministério em público durante cinco anos e, nos cinco anos seguintes, poderá exercê-lo unicamente no seu local de residência. O padre fica ainda “indefinidamente” interdito de dar atenção pastoral a pessoas com menos de 30 anos.

O Opus Dei garante que “manteve um contacto próximo com o denunciante [um dos estudantes abusados] ao longo de todo o processo” e que “já custeou os gastos de atendimento médico e psicológico” recebido pelo mesmo.

Ouvido pelo Religión Digital, o denunciante manifestou-se satisfeito com o reconhecimento oficial por parte da prelatura do crime de que foi vítima, mas lamentou que não tenham sido referidos outros casos de abusos que ocorreram em Barcelona, Madrid ou Santiago de Compostela. O comunicado refere, no entanto, que “além do denunciante, houve outras pessoas afetadas, que foram ouvidas no processo. Nenhum menor foi envolvido”.

 

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