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Fernando Ocáriz, Prelado do Opus Dei, em audiência com o Papa em novembro de 2022. Foto © Vatican Media
Fernando Ocáriz, prelado do Opus Dei, em audiência com o Papa Francisco em novembro de 2022: questões controversas ainda em análise. Foto © Vatican Media

[Debate]

Opus Dei: um apontamento

| 23/04/2026

 

No passado dia 26 de março, foi publicado no 7Margens um artigo de opinião a propósito do livro Opus, de Gareth Gore.

O Opus Dei acompanha com atenção e respeito o debate público sobre a vida da Igreja, também quando esse debate é crítico. Por isso, considera importante contribuir com alguns elementos que possam ajudar a uma reflexão mais completa.

Antes de mais, importa sublinhar que a instituição já tinha tornado pública a sua posição sobre o livro em causa. Trata-se de uma obra que levanta acusações muito graves – algumas de natureza criminal – que o Opus Dei rejeita de forma clara. Muitas dessas acusações assentam, do nosso ponto de vista, em interpretações discutíveis, leituras parciais ou generalizações que não fazem justiça à realidade, e foram objecto de uma análise cuidada.

O artigo que aqui comentamos entendeu ater-se somente ao livro, sem integrar a resposta detalhada sobre as questões levantadas no livro nem estabelecer contacto com o Opus Dei.

Compreendemos que temas como a liberdade pessoal, o exercício da autoridade, a transparência ou a proteção de pessoas vulneráveis suscitem legítimas interrogações. São questões sérias, que merecem ser abordadas com rigor, responsabilidade e abertura à verdade.

O Opus Dei faz parte da Igreja Católica e participa da sua missão. O Papa Francisco decidiu beatificar Álvaro del Portillo, primeiro sucessor do fundador, e Guadalupe Ortiz de Landazuri, primeiro membro leigo do Opus Dei a ser beatificado, de quem o Papa disse ser “um exemplo para as mulheres cristãs envolvidas no compromisso social e na investigação científica”.

Guadalupe Ortiz. Opus Dei

Cerimónia presidida pelo cardeal Angelo Becciuda, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, de beatificação da leiga da Opus Dei Guadalupe Ortiz. Foto © Vatican News

 

Como recordou o Papa Francisco, no Opus Dei trata-se de promover o chamamento universal à santidade no meio do mundo, através do trabalho, da vida familiar e das responsabilidades sociais.

Na prática, o Opus Dei é composto por pessoas muito diversas – homens e mulheres, solteiros e casados, com profissões e percursos distintos – que procuram viver a fé cristã na vida quotidiana, com plena liberdade em todas as suas opções profissionais, sociais ou políticas.

Algumas ideias frequentemente associadas à instituição pedem, no entanto, clarificação:

  • Liberdade e consciência pessoal: a formação espiritual oferecida procura ajudar cada pessoa a agir com responsabilidade própria, não a substituir a sua consciência.
  • Finalidade da vida cristã: a motivação central não é o poder nem a influência, mas a procura de Deus e o serviço aos outros nas circunstâncias normais da vida.
  • Dimensão institucional e económica: o Opus Dei não desenvolve atividades comerciais. Os projectos educativos e sociais que contam com a assistência religiosa do Opus Dei têm autonomia própria e procuram responder a necessidades concretas da sociedade.
  • Acusações graves: alegações como tráfico de pessoas, abusos sistemáticos ou práticas ilegais são profundamente sérias e, por isso mesmo, exigem rigor. O Opus Dei rejeita de forma inequívoca tais acusações e está disponível para o necessário esclarecimento.
  • Proteção de menores e pessoas vulneráveis: esta é hoje uma prioridade incontornável na Igreja. O Opus Dei segue as normas estabelecidas e procura que qualquer situação seja tratada com seriedade, justiça e atenção às pessoas envolvidas.

Como em qualquer realidade humana e eclesial, também no Opus Dei existem limitações, erros ou situações que devem ser melhoradas. Reconhecê-lo faz parte de um caminho de verdade e de fidelidade ao Evangelho.

Ao mesmo tempo, parece-nos importante evitar leituras globais que, a partir de casos particulares ou interpretações controversas, acabem por obscurecer a vida concreta de muitas pessoas que, com simplicidade, procuram viver a sua fé no meio do mundo.

O debate na Igreja – e sobre a Igreja – só ganha quando é plural, informado e aberto à escuta. É nesse espírito que o Opus Dei se disponibiliza para continuar este diálogo.

 

Pedro Gil é subdiretor do Gabinete de Comunicação do Opus Dei em Portugal (press.pt@opusdei.org)

O 7MARGENS aceita e incentiva a reflexão e o debate livre e plural. Os textos de opinião publicados traduzem a opinião dos seus autores.

 

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