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Ordenação de Mulheres? Qual a questão?

| 21/03/2024

Isabel Corpas de Posada

 Isabel Corpas de Posada: “Não estou de acordo com o sacerdócio para as mulheres. Como também não estou de acordo com o sacerdócio masculino, mas por razões diferentes do veto estabelecido pelo magistério pontifício. Sinceramente, porque Jesus não ordenou sacerdotes. E porque nas primeiras comunidades de crentes –normativas para a Igreja de todos os tempos – não existem sacerdotes.” Foto © Vida Nueva digital

 

Numa entrevista ao jornal Vida Nueva, a teóloga Isabel Corpos de Posada, autora do livro Ordenación de mujeres?: Un aporte al debate desde la eclesiología de Vaticano II y la teología feminista latino-americana (Edição Espanhola) declarou:  “Não estou de acordo com o sacerdócio para as mulheres. Como também não estou de acordo com o sacerdócio masculino, mas por razões diferentes do veto estabelecido pelo magistério pontifício. Sinceramente, porque Jesus não ordenou sacerdotes. E porque nas primeiras comunidades de crentes –normativas para a Igreja de todos os tempos – não existem sacerdotes.” E para continuar refere que “Se o Novo Testamento regista a presença de mulheres comprometidas na difusão do evangelho, como “nossa irmã Febe, diácona na igreja de Cencreas”, como e por que as mulheres foram marginalizadas da organização eclesial e as seguem?” Conta, ainda, que no século III foi transposto do judaísmo a questão de ordenação de “sacerdotes”, o que levou a uma rutura nas comunidades, por estas se tornarem espaços patriarcais e, por isso, “as mulheres, que haviam levado a palavra no âmbito privado, devieram calar quando se tratava de religião pública; além disso, a sacerdotalização contribuiu para sua exclusão, visto que o culto implicava proibições de que os marginais entrassem nos espaços sagrados.”

Esclarece, Posada, que “o argumento para responder a uma circunstância conatural foi constituído em doutrina quando a Idade Média elaborou a teologia do sacramento da ordem, interpretando-a como sacramento do sacerdócio que confere um poder aos homens da Igrejas. Por outro lado, a opinião androcêntrica da inferioridade da mulher incidiu nas razões para que São Tomás negasse sua ordenação com o impedimento sexual: “o estado de sujeição da mulher é inepto para a receção deste sacramento” e para atuar “in persona Christi”.

A teóloga colombiana introduz nesta questão várias achegas que deverão ser analisadas com audácia e perguntar mesmo porque as mulheres são marginalizadas na Igreja “excluídas dos ministérios ordenados”. Num mundo onde a mulher assumiu responsabilidades “do homem”, qual a razão tosca da discriminação das mulheres, que nem antropologicamente é sustentada. No dizer da Professora Carolina Monteiro, na publicação “Instituto Umanitas Unisinos” esta “vulnerabilidade é um antídoto à mentalidade hierárquica e clerical que pode estar na raiz de males como os abusos sexuais, o abuso de consciência e de poder na Igreja?” Não existe a questão da mulher na Igreja, existe, sim, uma contradição entre o desejo de defesa dos direitos humanos e a teimosia de ligar aos lugares de decisão “sinodal” da Igreja a negação desses direitos tornando-a, assim, não-sinodal, porque afasta um sem número de cristãs do exercício que o Senhor Jesus instituiu e que até fez de uma mulher a primeira testemunha da ressurreição.

Não existe nenhuma questão das mulheres no exercício do ministério ordenado, existe uma miopia de alguns em quererem o “poder clerical” masculinizado; as mulheres serviriam para serem “não-poderes”, mas “serviço”, o que os homens, que decidem, querem de forma alguma.

 

Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.

 

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