Ordenar homens casados é “responder ao povo de Deus que está na Amazónia”

| 24 Set 19 | Cristianismo - Homepage, Igreja Católica, Papa Francisco, Últimas

Rio Amazonas. Foto © Firmino Cachada

 

A ordenação de homens casados, os chamados viri probati ou homens que já deram provas, para servirem como padres na Amazónia para obstar à crónica falta de clero naquela vasta região é uma “proposta que vai diretamente ao encontro do povo de Deus que está no território”, diz Mauricio Lopez, líder da Repam (Rede Pan-Amazónica), um organismo católico que reúne líderes de diferentes países da região.

Envolvido na preparação do Sínodo dos Bispos que, a partir de 6 de Outubro, debaterá em Roma o papel da Igreja Católica na Amazónia, Lopez defende a ideia de a assembleia episcopal pensar “fora da caixa” em termos concretos. Se a Igreja Católica não consegue mudar a forma como pensa os novos desafios, então deve “reconhecer perante as pessoas que somos incapazes de responder aos desafios que a realidade impõe e ao direito de receber os sacramentos, e temos de lhes agradecer pela sua presença e dar-lhes a bênção para deixar a Igreja”, acrescenta, em entrevista ao Crux.

A preparação do Sínodo, que decorre em Roma entre 6 e 27 de outubro, tem levantado muitas críticas da parte de vários sectores católicos e políticos, mais um capítulo na guerra entre os que apoiam as reformas do Papa Francisco e os que estão descontentes com as suas opções e propostas. Mas Mauricio Lopez, afirma, a quem questiona a validade do Sínodo ou pretende o acusa de politização: “Venham viver numa destas comunidades remotas por um ano.”

Já na semana passada, o arcebispo Rafel Cob, missionário espanhol a viver no Equador desde 1998 e bispo de Puyo, considerou a possibilidade de ordenação de homens casados, como ​​parte de uma mudança de uma Igreja “clerical” para uma comunidade “ministerial”.

Essa possibilidade está prevista no documento de trabalho que servirá de guia aos debates dos primeiros dias do Sínodo.

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