Oremos em todo o tempo…

| 17 Set 20

Com o título “Missa ‘virtual’ não substitui participação pessoal na Missa”, noticiou o Vatican News que, em carta aos presidentes das conferências episcopais, “o cardeal Roberth Sarah afirmou a necessidade de voltar à normalidade da vida cristã, nos locais onde a emergência sanitária provocada pela pandemia o permite: participar de uma missa pelos meios de comunicação não é equiparável à participação física na igreja”.

A notícia citava ainda, da carta do actual prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, aprovada pelo Papa a 3 de Setembro: “… nenhuma transmissão é equiparável à participação pessoal ou pode substituí-la”. E recordava que “a dimensão comunitária tem um sentido teológico: Deus é a relação de Pessoas na Santíssima Trindade” e “coloca-se em relação com o homem e a mulher chamando-os por sua vez a uma relação com Ele”.

“A comunidade cristã nunca buscou o isolamento e nunca fez da igreja uma cidade de portas fechadas. Formados para o valor da vida comunitária e a busca do bem comum, os cristãos sempre buscaram a inserção na sociedade”, diz ainda o texto. “Mesmo na emergência da pandemia, surgiu um grande sentido de responsabilidade: na escuta e colaboração com as autoridades civis e com os especialistas.”

Concluía depois: “… assim que possível, é necessário voltar à Eucaristia” com “um crescente desejo de encontrar o Senhor, de estar com Ele, de recebê-lo para levá-lo aos irmãos com o testemunho de uma vida cheia de fé, de amor e de esperança (…) embora os meios de comunicação desenvolvam um apreciado serviço aos doentes e àqueles impossibilitados de ir à igreja, e tenham prestado um grande serviço na transmissão da Santa Missa num momento em que não havia possibilidade de celebrar comunitariamente, nenhuma transmissão é equiparável à participação pessoal ou pode substituí-la. (…) A Igreja protege a pessoa humana “na sua totalidade” e “à necessária preocupação pela saúde pública, a Igreja une o anúncio e o acompanhamento para a salvação eterna das almas”.

* * *

Este o resumo do texto da carta. Compare-se este documento produzido por Roberth Sarah com a passagem do Evangelho de S. Mateus (6, 5-7): “Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas [hoje igrejas] e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.

Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de lho pedirdes.”

* * *

Comparando os dois textos, não resta qualquer dúvida em escolher Mateus e remeter Sarah para a sua humanidade.

Apetece-me, em tempo de pandemia, louvar ao Senhor por ter dado ao Homem a capacidade da sua inteligência que hoje nos permite “rezar à distância”, usando os meios eletrónicos, mantendo-nos em comunidade com os irmãos, sem colocar em risco esse bem precioso, também ele dado por Deus ao Homem, que é a saúde do corpo.

E concluo: “Oremos em todo tempo, andando, assentados, em pé, deitados, ajoelhados; vivamos em oração sabendo que primeiro precisamos vigiar, não adianta orar e não vigiar. Vigiemos e oremos sem cessar.”

Meditemos (1 Carta de Timóteo 2, 8): “Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda.”

Vigiemos e oremos sem cessar, pedindo ao Espírito e ao Pai que libertem a sua Igreja de cartas aos presidentes das conferências episcopais como esta que acaba de ser publicada.

 

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