
O deslocamento forçado e as operações militares em Rafah estão a agravar uma situação já catastrófica. Foto © UNRWA.
20 organizações fizeram uma declaração conjunta, subscrita e divulgada esta quarta-feira, 15 de maio, pela Amnistia Internacional, na qual criticam a inação dos líderes mundiais face à invasão israelita de Rafah, em Gaza.
A declaração apela à ação dos países terceiros para pôr termo às violações do Direito Internacional Humanitário que estão a ocorrer em Gaza. Responsabiliza, também, os Estados Unidos pelo fornecimento de armas aos israelitas, apelando a que estes usem a sua capacidade de influência para acabar com a operação militar em curso em Rafah.
“O único resultado da invasão terrestre em curso em Rafah é o aumento do sofrimento humano. As pessoas estão a ser empurradas à força para as já sobrelotadas chamadas zonas humanitárias, onde muitas pessoas nem sequer conseguem encontrar abrigo. É tempo de exercer a máxima pressão sobre Israel e a comunidade internacional para que ponham fim às repetidas deslocações forçadas da população de Gaza. É igualmente importante garantir a reabertura da passagem de Rafah, que é a única salvação para mais de 2 milhões de pessoas vulneráveis”, refere Jamil Sawalmeh, diretor nacional da ActionAid Palestina nos Territórios Palestinianos Ocupados, citado no comunicado da Amnistia Internacional.
“A invasão militar israelita de Rafah fez-nos recuar a outubro passado, quando tivemos de interromper quase todas as nossas operações. A nossa equipa teve de fugir de Rafah, não sabe para onde ir. Tivemos de encerrar as duas clínicas que tínhamos aberto no local, onde tratávamos cerca de 500 pessoas por dia. Estamos agora a montar um novo campo médico no local para onde as pessoas fugiram, mas isso vai demorar alguns dias”, assinala por seu lado Florence Rigal, Presidente dos Médicos do Mundo em França. “Entretanto, as pessoas ficam sem acesso a cuidados de saúde. Há meses que alertamos para o facto de Israel ter de ser impedido de entrar em Rafah ou Gaza enfrentaria uma catástrofe humanitária ainda maior. A inação de países terceiros é vista como uma falta de preocupação com as consequências para a população civil exausta. É inaceitável e devem ser tomadas medidas imediatas para evitar mais sofrimento”, apela.









